Da Base para longe: jovens desconsideram jogar no AM.

É o sonho de cada um aqui, de chegar mais longe na carreira, como no São Paulo, que é o meu time do coração, ou Flamengo e Corinthians.

Foto: Divulgação
D 24 AM: O descrédito no futebol do Amazonas vem do berço. Ou melhor, das categorias de base dos próprios clubes. Tentar se profissionalizar em um clube grande do País ou sonhar com uma carreira na Europa é, praticamente, unanimidade entre os jovens jogadores do Fast Clube, finalista do Amazonense Juvenil (Sub-18), e do Holanda e Sul América, que disputaram a final do Estadual Infantil (Sub-16).

Desiludidos pelas perspectivas restritas de, ao menos, sobreviver de ‘jogar bola’ no Estado, a maioria dos titulares do Tricolor, Laranja e Sulão consultados pelo DIÁRIO demonstra falta de identificação com os times locais. Encontrar um torcedor de time local nos times de base é raro. Os clubes do coração batem no eixo Rio de Janeiro-São Paulo e na Espanha, em equipes midiáticas e bilionárias, como do Barcelona e Real Madrid.

Torcedor do Santos (SP) e Barcelona (ESP), o lateral-direito do Fast, Paulo Henrique, 17, acredita que o futebol do Velho Continente é mais avançado em nível técnico que o brasileiro. Mas ele se espelha no lateral da Seleção Brasileira, Daniel Alves, que defendeu o Barça e, atualmente, está no Juventus, da Itália.

“Quero chegar ao profissional demonstrando trabalho e dedicação nos treinos. Mas daqui para frente tentar ser alguém na vida jogando no futebol europeu ou lá fora, porque proporciona um salário melhor para ajudar a família”, disse Henrique, que no ano passado jogou por Iranduba e Manaus FC.

Artilheiro do Rolo Compressor no Juvenil, com 11 gols, o atacante Caio John, 17, quer ascensão por escala na carreira.

“Primeiro, quero me profissionalizar em um clube do Brasil e, depois, pensar na Europa, onde o futebol tem mais visibilidade e é melhor. Aqui, em Manaus, principalmente, não tem como ser visto, isso acontece mais no Rio de Janeiro ou alguma cidade da Europa”, declarou o artilheiro.

A curta duração do Campeonato Amazonense profissional - no máximo quatro meses - desmotiva o atacante fastiano a seguir carreira em casa.

“Aqui, depois de três meses do Estadual, o jogador é esquecido pelo público. Lá fora (no exterior), tem contrato longo e continuam recebendo salários depois da competição”, afirmou John, que torce pelo Fast, em Manaus, São Paulo e Real Madrid (ESP).

No mesmo planejamento dos colegas de clube, o volante João Victor, 17, torcedor do Vasco da Gama, deseja uma oportunidade na Europa para não ficar desempregado, em Manaus, como jogador. A modesta presença dos torcedores nas partidas da base e profissional incomodam Victor.

“Faltam pessoas para financiar o futebol na cidade, por ser fraco na região. O público não vai para os estádios assistir aos jogos, ao contrário do Rio de Janeiro e São Paulo, que prestigiam e até motiva a jogar”, disse.

O atleta do Tricolor considera o estilo em campo parecido com do ídolo dele, o volante Fernandinho, da Seleção Brasileira e Manchester City, da Inglaterra. Ele também é fã do Barcelona, dos craques Lionel Messi e Neymar.

Polivalente, o meia e centroavante Lucas Costa, 17, acredita na perseverança para realizar o “sonho de jogar em um grande clube”. Ele se sente desprestigiado como futuro profissional e tentou, neste ano, uma vaga no Atlético Nacional, da Série A2 do Paulistão.

“É o sonho de cada um aqui, de chegar mais longe na carreira, como no São Paulo, que é o meu time do coração, ou Flamengo e Corinthians. Muitas pessoas não valorizam a base, mas aqui no Fast posso me profissionalizar. Só que quero um grande clube do Brasil”, afirmou.

Na equipe Sub-16 do Holanda, o meia Fernando Souza, 16, tem o Flamengo como time do coração e aguarda a primeira oportunidade para deslanchar na carreira. Ele sonha com os mercados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais.

“Às vezes sim e às vezes não (conseguimos visibilidade), porque depende muito do jogador ter empresário, que é algo difícil de conseguir em Manaus”, declarou Fernando, que pretende se profissionalizar em outro Estado.

Encontrar empresário é objetivo de jovens talentos

Ao contrário do companheiro de Holanda, o paulista Mateus da Silva Andrade, 16, já tem empresário para gerenciar a carreira. Vindo do Santo André (SP), o zagueiro garante que está em Manaus apenas para ajudar o Holanda no Estadual Infantil.

A ideia dele é regressar para a região Sudeste e tentar ser notado por um grande clube. Jogar na Europa virou uma motivação.

“Os jogadores crescem lá (na Europa), aqui, no Brasil, não somos visualizados. Depois de disputar o Paulista (pelo Santo André), fechei com um empresário, que resolverá para mim”, disse Mateus.

Com 16 gols, o atacante Thierry Tuanama lidera a artilharia do Infantil pelo Holanda. Apesar de jogar por um clube pela primeira vez, já pensa em deixar o Estado em busca de um novo time. Santista de paixão, o que ele quer é jogar no Peixe.

“Em outra região, terei mais estrutura que em Manaus. Percebi isso logo, no Amazonas, mas para conseguir ir embora, tenho que me esforçar. Quero ser profissional longe daqui”, afirmou, convicto.

Outro finalista do Infantil, o Sul América também tem jogadores que pensam em transferências para centros de futebol no País. Torcedor do Liverpool (ING) e Vasco, o lateral-direito Ricardo da Silva, 15, conhecido por Ricardinho no Sulão, acredita que os clubes locais preferem “jogadores prontos” no profissional.

“Minha meta é chegar em um grande clube, tanto brasileiro quanto internacional. O problema não é que o futebol do Amazonas seja ruim, só é desvalorizado. Ninguém dá oportunidades para os jogadores da base no profissional, nem fazem questão de treinar os fundamentos”, lamentou Ricardinho.

Marcadores:

Postar um comentário

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

Tecnologia do Blogger.
Javascript DisablePlease Enable Javascript To See All Widget