Diretor de Marketing elogia gestões de Flamengo e Palmeiras.

Chacon cita os modelos adotados pelas diretorias de Fla e Verdão como transformações recentes na postura em relação a administração dos clubes.

Paulo Nobre e Eduardo Bandeira - Fotos: Levi Bianco/Brazil Photo Press - Celso Pupo / Fotoarena
GLOBO ESPORTE: A profissionalização de todas as áreas do esporte é cada vez mais assunto nos debates que projetam sua evolução. Em entrevista ao programa "Tá na Área", que nesta semana está exibindo a série de reportagens "Esporte e Negócio", Fernando Chacon, diretor executivo de marketing do Banco Itaú, ressaltou a importância de uma boa gestão para o desenvolvimento do esporte em todos os sentidos, desde a base até o profissional de alta performance. Chacon cita os modelos adotados pelas diretorias de Flamengo e Palmeiras como transformações recentes na postura em relação a administração dos clubes.

-  Nós temos hoje dois clubes grandes do futebol que demonstram uma melhoria na qualidade de gestão importante: o Flamengo e o Palmeiras. Não estamos aqui julgando se eles estão no melhor modelo de gestão possível. Mas a transição que eles vêm apresentando na mudança de gestão deles demonstra que você consegue sim, gradualmente, numa transição trazer qualidade de gestão e buscar melhoria de performance na ponta também - afirmou.

Além disso, o Fernando Chacon destacou que entre os impactos causados pelos consecutivos eventos que o Brasil recebeu nos últimos anos deveria estar o legado na área administrativa para que o esporte pudesse crescer.

- Eu tinha, de verdade, uma grande expectativa de que nós saíssemos desses grandes eventos no Brasil em um processo de gestão diferenciado. Eu acho, percebo uma cobrança muito grande de legado físico, de legado referente a arenas, a locais físicos para a prática de esporte. Mas acho que isso é muito pouco do ponto de vista de expectativa. Eu entendo que se nós tivemos impacto na gestão das entidades que cuidam do esporte no Brasil, poderíamos estar falando ao longo do tempo de uma mudança de patamar, tanto do ponto de vista das pessoas que praticam, como da performance que a gente atingiria no pico, nos atletas de alta performance. Acho que, talvez, a gente tenha deixado passar essa oportunidade de aproveitar esses grandes eventos para ter um grande choque de gestão no esporte brasileiro em todas as entidades que se relacionam com o esporte. Mas ainda há uma expectativa de que a gente ainda possa estar colhendo frutos num futuro muito próximo.

O Itaú investe principalmente no futebol e no tênis, apoia a Caravana do Esporte, um programa itinerante que atende municípios indicados pela UNICEF, e patrocina a Liga de Desporto Universitário.

Confira a entrevista na íntegra abaixo:

Por que investir no esporte?

Quando a gente acredita no poder transformador do esporte junto às pessoas, a gente acredita que tem que dar condições para que mais pessoas tenham acesso ao esporte, que o esporte seja massificado e que de fato possa influenciar as pessoas e o nosso país. Por isso nós investimos no esporte.

Se você tiver um patrocinado que te dá muito retorno, mas que não seja ético, não trabalhe com transparência, você retira esse patrocínio?

Hoje a gente não tem patrocínio direto a um atleta. Nós participamos uma entidade ou um esporte. Mas se essa entidade não mostrar uma capacidade de reagir ao que está sendo acusada, nós podemos colocar em risco de fato essa relação. Nós temos muito orgulho de termos sido éticos e corretos durante todos os nossos 91 anos de existência. Então usamos desses princípios nas relações que nós estabelecemos. E entendemos que, sim, há uma oportunidade no esporte de trazer mais governança, mais transparência e melhor aplicação dos recursos. Então, por isso, hoje somos conselheiros de atletas pelo Brasil e signatários do Pacto pelo Esporte. O que significa ser signatário do Pacto pelo Esporte? Ele prega que entidades, clubes, federações e confederações tem que se adaptar à Lei 18A da Lei Pelé. A não adaptação a essa lei significa a não transparência, a não viabilidade de governança, e, com isso, essas entidades não poderão receber os incentivos, os patrocínios das entidades signatárias do pacto. Porque nós usamos da força do pacto, da força do artigo 18A da Lei Pelé, para mostrar para todas as entidades e empresas que recebem nosso patrocínio e nosso apoio que elas precisam aderir necessariamente a esses princípios. A não adesão desses princípios significa a não adesão desses patrocínios quando eles vencerem.

Você acha que a capacidade de influência do investidor em todo esse processo ainda é pequena, talvez aumente com o impacto?

Acho que ela ainda é pequena. E eu entendo que ela tem que aumentar gradualmente. Tudo que você aplica com grande choque, não necessariamente você consegue toda transformação que você precisa. Seria ótimo se fosse assim. Mas, na prática, a gente sabe que a gente não consegue que seja assim. A gente precisa de uma transição, a gente precisa desenvolver pessoas com qualidade e capacitação para fazer gestão dessas entidades.

Quando o Guga chegou a número 1 do mundo, a gente viu uma movimentação grande das crianças em querer aprender. Ele virou um ídolo e os ídolos ajudam a desenvolver um esporte. Mas por que parou ali? Por que não houve um desenvolvimento do tênis apesar de todos os investimentos?

O Guga talvez tenha sido uma gigantesca oportunidade por uma janela de tempo que nós não tenhamos explorado da maneira mais adequada. Eu acho que faltou aproveitarmos a imagem do Guga para que pudéssemos trazer modelo de gestão, governança, de transparência, para que pudéssemos arrecadar mais recursos, usarmos desses recursos de maneira bastante inteligente na construção dessa massificação. De novo estou falando em condições para a gente poder aumentar a base para que a gente tenha um celeiro muito maior para que a gente possa ter mais Gugas no Brasil. Guga é um evento extraordinário, é uma maravilha que tenha acontecido tão próximo de nós. Mas é o raro caso de um atleta que se dedicou obsessivamente a um esporte e conseguiu chegar lá. O Guga sempre se condicionou para chegar no ponto de performance que ele conseguiu. Se não fosse as restrições físicas, teríamos tido o Guga por muito mais tempo. Mas, por mais que a gente tivesse tido o Guga por um pouco mais de tempo, eu ainda acho que a gente não tinha criado condições boas, do ponto de vista de gestão no esporte brasileiro, para que a gente pudesse tirar o melhor proveito dessa performance que o Guga entregou para a gente.

Nós tivemos oportunidade de receber os Jogos Pan-Americanos em 2007, a Copa do Mundo em 2014 e agora a Olimpíada. Que que é legado para você?  O que essas competições que recebemos podem deixar para o Brasil?

Eu tinha, de verdade, uma grande expectativa de que nós saíssemos desses grandes eventos no Brasil em um processo de gestão diferenciado. Eu acho, percebo uma cobrança muito grande de legado físico, de legado referente a arenas, a locais físicos para a prática de esporte. Mas acho que isso é muito pouco do ponto de vista de expectativa. Eu entendo que se nós tivemos impacto na gestão das entidades que cuidam do esporte no Brasil, poderíamos estar falando ao longo do tempo de uma mudança de patamar, tanto do ponto de vista das pessoas que praticam, como da performance que a gente atingiria no pico, nos atletas de alta performance. Acho que, talvez, a gente tenha deixado passar essa oportunidade de aproveitar esses grandes eventos para ter um grande choque de gestão no esporte brasileiro em todas as entidades que se relacionam com o esporte. Mas ainda há uma expectativa de que a gente ainda possa estar colhendo frutos num futuro muito próximo.

A formação de um atleta é baseada em três pilares: na formação de um talento, no planejamento que envolve a carreira e na execução, que leva ao resultado. Como fazer essa equação funcionar?

Nós temos hoje dois clubes grandes do futebol que demonstram uma melhoria na qualidade de gestão importante: o Flamengo e o Palmeiras. Não estamos aqui julgando se eles estão no melhor modelo de gestão possível. Mas a transição que eles vêm apresentando na mudança de gestão deles demonstra que você consegue sim, gradualmente, numa transição trazer qualidade de gestão e buscar melhoria de performance na ponta também.

Por que a gente ainda tem clubes grandes que ainda têm dificuldade de conseguir patrocínio?

Acho que a gente precisa tratar esses grandes clubes como grandes marcas, produtos. E se tratar isso com muita qualidade, você consegue mudar o perfil do público que frequenta o estádio, melhorar receitas, reduzir dependência da receita de transferência de jogadores. Tem muitas oportunidades a serem exploradas pelos clubes para que eles possam trazer um pouco mais de perenidade, qualidade, sustentabilidade na sua gestão e poder fazer melhores investimentos na construção de seus próprios times.

Que reformulações você espera para o esporte que você investe, o futebol, o tênis?  O que você imagina que vai acontecer daqui a 20, 30 anos com esses esportes?

Nós esperamos que o esporte esteja massificado, presente em todas as escolas públicas do Brasil, com aparelhos públicos que atraiam as pessoas. Nós gostaríamos que educação e esporte estivessem cada vez mais próximos, influenciando a forma como a gente cria as pessoas. O esporte tem um grande dom de que ele dá ao atleta a capacidade de entender o prazer da vitória e de entender como lidar com a dificuldade da derrota. Essa relação de derrota e vitória é muito importante para a vida de um ser humano. Se nós tivermos educação e esporte convivendo lado a lado e ocupando o tempo das nossas crianças, nós vamos ter cidadãos diferentes em algum momento no futuro do nosso país.

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