Flamengo saiu maior do que entrou.

Pensando bem, sem clubismo, não foi só o Flamengo que saiu do campeonato maior do que entrou. Nosso rubro-negrismo também.

Foto: Reprodução
REPÚBLICA PAZ E AMOR: Apesar de toda a tristeza provocada pela perda de um campeonato ao qual perseguiu com muita moral, não é preciso nenhum esforço de retórica pra fazer um balanço positivo do Flamengo no Brasileiro 2016. Relevando-se a patética entregada contra o Coritiba, desfecho melancólico de uma campanha brilhante, o Flamengo sai do Brasileiro muito maior do que entrou. Sai maior principalmente porque as circunstâncias fizeram com que desafiasse corajosamente o dogma do mando de campo. O Flamengo desafiou a milenar tradição de jogar em casa e é indiscutível que se deu bem, guardada a ironia de ter sido justamente na volta ao Maracanã, a sua suposta casa, que o Hepta escapou em 3 empates broxantes.

A vida é aprendizado, que tudo isto sirva de lição aos que tem o dever de tomar as decisões na alta cúpula da Gávea. O Maracanã não é a Pedra Filosofal, ao contrário, para o Flamengo, nesse Brasileiro, o Maracanã foi kriptonita. Mas não dá pra colocar a culpa nas pedras e ferragens daquele monumento à roubalheira nacional. A não consecução de nossos objetivos se deve à uma série de pequenos erros, descuidos, vacilações e imperícias das quais a crença de que o Maracanã nos abriria os portões do sétimo céu é apenas mais uma. E nem é a mais grave.

Insistiu-se pra caramba em certos nomes e modelos táticos que nem sempre se mostraram eficientes. Deu-se uma exagerada importância às lambanças das arbitragens e se perdeu tempo precioso com a montagem do elenco, contratações como a de Diego e Réver, para ficar nos exemplos mais gritantes, deveriam ter sido feitas meses antes. Mas não devemos analisar o Flamengo pelo que ele poderia ter sido e sim pelo que ele efetivamente foi. No conjunto da obra, o que o Flamengo fez no Brasileiro, apesar de insuficiente pra bordar mais uma estrela no Manto, é pra orgulhar qualquer rubro-negro.

Talvez seja preciso chamar a atenção dos mais revoltados, aqueles que acham que o Flamengo jogou o título fora, que após muitos e muitos anos sendo mero coadjuvante e fazendo continhas cretinas para a manutenção da honra, o Flamengo disputou esse Brasileiro à vera. Foram 7 meses em que a torcida manteve a cabeça erguida, atemorizando a arcoirizada mal vestida e disputando o campeonato pra valer até a 36ª rodada. Cada um com seu cada um, mas sou daqueles que ficaram satisfeitos.

Satisfação que não pode se transformar em acomodação. O elenco do Flamengo tem vários furos e precisa ser adequadamente reforçado. Trabalhar sob pressão é bom, mas seria muito melhor para todos que as mudanças necessárias fossem implementadas o quanto antes, que não se esperasse até que o próximo campeonato se inicie. Nossos zagueiros, titulares e reservas, ainda não inspiram confiança no grau mais recomendável. Nosso meio campo pode e deve ser qualificado, assim como o ataque, onde ficou provado que jogar com Guerrero como o único homem de frente é um desperdício.

Contudo, a questão mais premente é a do estádio do Flamengo. O Maracanã não é a solução dos nossos problemas, isso ficou cabalmente demonstrado nas últimas rodadas. Não jogar no Maracanã não fudeu com nossos sonhos, o que fudeu com nossos sonhos e desestabilizou a torcida em muitos momentos foi a incerteza provocada por não saber o que ia acontecer. Se for pra ficar nessa punheta em 2017 é melhor abrir mão logo dessa quimera e assumir, urbi et orbi, que o Flamengo vai jogar os próximos 2, 3 ou 4 Brasileiros fazendo turnê de popstar pelo país inteiro.

Vai ser sofrido pra torcida carioca, mas é menos sofrido ver o Flamengo jogar em Cariacica ou na Arena das Dunas do que ficar se rasgando pra fazer 45 pontos todo ano. Chega daquela vida miserável. Se o preço pra ver o Flamengo brilhar for ser obrigado a acompanha-lo à distância eu pago numa boa, sem choro. Nem precisei ser um especialista em altruísmo para entender que o sucesso do Flamengo é mais importante que o meu próprio conforto.

O Hepta, pelo menos pra esse ano, já era, morreu. Lembro que perseguimos o Hexa durante 17 intermináveis anos, perseguir o Hepta por 8 é  brincadeira de criança. Foi extremamente divertido sonhar com esse título, o nosso Brasileiro 2016 foi o mais maneiro de assistir em muitos e muitos anos. Principalmente porque o Flamengo jogou bola e mostrou na prática o que significa ser o único time verdadeiramente nacional no país. Pensando bem, sem clubismo, não foi só o Flamengo que saiu do campeonato maior do que entrou. Nosso rubro-negrismo também.

Mengão Sempre

ARTHUR MUHLENBERG

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