Flamengo sofre com seu dilema e Botafogo administra 'milagre'.

Zé Ricardo tem contado com semanas para trabalhar. Mas se tenta algo diferente o time sente a mudança pelos movimentos já assimilados.

Diego chutando durante Flamengo x Botafogo - Foto: Gilvan de Souza / Flamengo
BLOG DO ANDRÉ ROCHA: O jogo no Maracanã não teve brilho e fluidez porque o Botafogo, satisfeito com sua colocação no G-6, se planejou para bloquear as laterais do rival e o Flamengo sofre com seu dilema na reta final do campeonato.

Zé Ricardo tem contado com semanas para trabalhar. Mas se tenta algo diferente o time sente a mudança pelos movimentos já assimilados na execução do 4-2-3-1 com os pontas. Como há cobrança pelo resultado e pouca experiência do treinador, a margem de manobra é pequena.

O problema rubro-negro é que a equipe, como postulante ao título, é muito estudada pelos rivais e as jogadas mecanizadas também estão mapeadas pelos adversários. Ainda mais o organizado Bota de Jair Ventura.

O time alvinegro desdobrava o losango no meio-campo com Pimpão voltando pelo flanco, um dos volantes laterais – Bruno Silva ou Lindoso – abrindo para fechar duas linhas de quatro e deixando Camilo e Neílton à frente.

Em termos, pois sem a bola a dupla voltava com Márcio Araújo e Arão deixando os zagueiros Rever e Vaz tocarem com liberdade, mas fechando o meio e as laterais de forma bem coordenada.

No primeiro tempo o Fla teve 63% de posse, mas finalizou apenas cinco vezes. Uma na direção da meta de Sidão. De Diego, o meia que toca muito na bola e concluiu outras duas. Com Arão plantado ao lado de Márcio Araújo, o camisa 35 se apresenta, tem personalidade, liderança e atitude. Mas conduz demais a bola, demora a passar e, quando o faz, não desarticula a retaguarda adversária com uma jogada criativa.

Resta ao time trocar passes, buscar as ultrapassagens ou triangulações pelas laterais e cruzar na área. Foram 27 bolas levantadas. E quando surge a oportunidade o ataque não consegue ser eficiente num jogo mais complicado, com menos chances. Resultado prático: quarta partida sem vencer, luta pelo título improvável e até a possibilidade de ser ultrapassado por Santos e Atlético-MG no G-3.

Pretensão que não existe para o Bota. O G-6 já é um tremendo lucro para quem parecia fadado a lutar contra o rebaixamento. Dentro e fora de campo, ficou claro que a intenção era mais atrapalhar o rival.

Ainda assim, Jair Ventura, percebendo o cansaço e o desespero do outro lado, avançou um pouco mais as linhas e teve a chance de vencer na segunda etapa. Colocou Diego Barbosa para liberar Victor Luis à esquerda num 4-2-3-1. Depois trocou o lateral que virou meia por Gervásio, além da aposta em Sassá no ataque. Teve a bola do jogo com Pimpão.

O Botafogo terminou com 12 finalizações, uma a menos que o Fla. Porém com três na direção da meta de Muralha, enquanto o rival não acertou nenhuma em pouco mais de 45 minutos. Muito por conta da desorganização com  Cirino, Damião e Emerson Sheik em campo. No final praticamente num 4-2-4.

Márcio Araújo se multiplicou e foi praticamente perfeito nas coberturas, Diego lutou. Não faltou fibra. Talvez gás de quem viajou tanto na temporada. O cansaço nos últimos vinte minutos foi evidente.

Melhor para o Botafogo, estabilizado e feliz com a invencibilidade de sete partidas. Agora basta administrar o ''milagre'' e pensar na Libertadores em 2017.

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