"Jamais se diz não a Flamengo e São Paulo", diz Felipe Melo.

Ele ajuda na adaptação de Gabriel Barbosa na Inter e, neste momento, descarta uma volta ao Brasil, apesar do carinho por São Paulo e Flamengo.

Felipe Melo - Foto: Richard Heathcote/Getty Images
UOL: Atrás da conhecida imagem de marcador implacável existe um homem de negócios na vida real. Mesmo ainda distante do fim da carreira, Felipe Melo vem aos poucos construindo uma estrutura de empreendimentos diversos ao seu redor. Com inspiração no Football Manager, famoso game de gestão estratégica do esporte, o volante da seleção na Copa de 2010 desenvolve uma carreira executiva incomum para quem ainda está em atividade nos gramados. Paralelamente, ajuda na adaptação de Gabriel Barbosa na Inter de Milão e, neste momento, descarta uma volta ao Brasil, apesar do carinho por São Paulo e Flamengo.

De negócios de educação a gastronomia, o jogador da Inter vem injetando dinheiro conquistado no futebol em outros territórios. Felipe Melo tem participação em uma franquia de uma fábrica de bolos, em unidade no bairro de Del Castilho, no Rio de Janeiro. O jogador também integra iniciativas com a do barco pedalinho em forma de bola de futebol, que recentemente fechou parceria com parques do "Angry Birds". O brasileiro ainda está envolvido em um site de leilão esportivo virtual, com fins beneficentes.

Mas a "menina dos olhos" do empresário Felipe Melo é a Next Level, uma agência que prepara jovens para se tornarem estudantes-atletas nos Estados Unidos, com ensino de inglês e consultoria esportiva. A empresa com base no Rio comemora ter ajudado mais de 400 adolescentes a chegarem a universidades americanas, usando o futebol como alavanca, e já opera também em Portugal. O volante diz acompanhar com atenção o andamento dos negócios desde a Itália, onde vive, e espera prosperar como empresário.

"A carreira de jogador é curta, vai até os 32, 34 anos. É raro o jogador que consegue passar dos 40 anos, como o Zé Roberto conseguiu, ou outros jogadores de posições que não exigem tanto esforço físico. Eu tenho quatro filhos, uma família grande, tenho que pensar nela. Foi isso que me motivou a entrar no mundo dos negócios", afirmou o volante de 33 anos, em entrevista ao UOL.

Contratado pela Inter de Milão em 2015 por R$ 14 milhões, após passagem pela Turquia, Felipe Melo diz esperar seguir no futebol, mesmo com a atividade empresarial aquecida. E mesmo nesta frente o ex-volante da seleção se distrai com uma ferramenta de gestão (e entretenimento). Trata-se do Football Manager, cultuado game de estratégia, espécie de simulador que coloca o usuário no papel de um treinador/diretor/presidente de um clube para comprar, vender e escalar jogadores. Apesar do treino virtual, o atleta diz que o futuro como cartola ainda é só uma possibilidade. 

"Complicado falar em distância do futebol. Tenho uma paixão muito grande por futebol. Eu acompanho muito as partidas, mesmo nos meus dias de folga. Ainda gosto de jogar Fifa e Football Manager, que é um jogo super interessante para quem gosta de futebol, com estratégia. Jogo muito os dois. Ainda não sei o que posso vir a ser, treinador, dirigente, empresário... mas difícil se afastar do futebol", comentou o volante, um dos símbolos da seleção de Dunga na Copa de 2010 [Melo foi expulso no jogo da eliminação, contra a Holanda, nas quartas de final].

Confira abaixo outros temas na entrevista com Felipe Melo:

Respeito a Fla e São Paulo. Mas a cabeça está na Inter

"O que tem de notícia eu acabo sabendo pela imprensa. É bacana entrar nesse aspecto. Ouvi que eu teria pedido um salário muito alto ao Flamengo. Nunca pedi nada, não existiu essa oferta do Flamengo. Já existiu um tempo atrás. Estou feliz na Inter, agora com o treinador novo (Stefano Pioli) estou tendo algumas brechas, vou ser titular de novo essa semana [o brasileiro voltou a ser escalado de início em compromisso da Liga Europa em Israel]."

"Pelo São Paulo, eu tenho um carinho muito grande pelo torcedor do São Paulo, não é de hoje. Eles sempre foram muito atenciosos comigo. É uma honra ter seu nome ligado a esses dois times. Jamais se pode dizer não a Flamengo e São Paulo. Mas não tive nenhum contato, nenhuma oferta. Tenho contrato com a Inter mais um ano e meio."

Gabigol vai dar certo na Itália quando souber marcar

"O Gabriel está tendo oportunidade todos os dias. É difícil chegar ao futebol italiano nesta idade (20 anos). É a maior oportunidade da carreira dele. Queria eu ter chegado ao futebol italiano nessa idade, é o campeonato mais difícil do mundo, taticamente falando."

"Ele é jovem, é complicado, mas tem qualidade, vai estar preparado no momento certo. O técnico novo está dando atenção a ele na parte tática. Aqui na Itália é diferente, o atacante tem que saber defender. O jogador brasileiro não está acostumado."

"Não falo mais de seleção"

"A verdade é que não falo mais de seleção. O 7 a 1 apagou tudo. Eu não joguei o 7 a 1. Perder de 2 a 1 nas quartas de final de uma Copa faz parte."

"O motivo (de não ter voltado mais à seleção brasileiro)? Creio eu, são os treinadores. O Felipão, Dunga, Mano, hoje o Tite. Eles escolheram os jogadores que acreditavam ser os melhores, jogadores que eles confiam. Eu tive um grande momento na Turquia, pelo Galatasaray, que me levou para a Inter de Milão, que é um dos maiores clubes do mundo. Mas o futebol é dessa maneira, faz parte."

Futuro nos EUA e desilusão com momento do Brasil

"Vou morar nos Estados Unidos. Meu irmão está lá, a família inteira da minha esposa está lá, já com passaporte. Só não sei se vou morar em Orlando ou Miami."

"Jamais imaginei morar fora do Brasil. Eu não encho a boca para falar que vou morar nos Estados Unidos. Amo o meu Rio de Janeiro, onde nasci, cresci, onde tenho os meus amigos. Pego o Rio apenas como um exemplo do Brasil. Todos os meus filhos cresceram na Europa, onde se tem liberdade de ir e vir. Não falo isso com alegria, falo com pesar. O Rio é lindo, falo como carioca. Mas é bonito só para o exterior. Para quem está dentro existem tantas coisas complicadas, não só essa questão recente da queda do helicóptero (da Polícia Militar, na Cidade de Deus). Não à toa as pessoas estão fugindo do país."

"A gente está vendo os corruptos irem para a cadeia. Quem sabe o Brasil volte a ser o país que a gente ama."


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