"Não se dirige Corinthians e Flamengo como o Vasco", diz Angioni.

Ele explica cinco desafios que o dirigente enfrenta para contratar um treinador novato e relata experiência vivida no Bahia.

Foto: Nelson Perez/Fluminense FC
UOL: A duas rodadas do fim do Brasileirão, o Flamengo de Zé Ricardo está assegurado na próxima Copa Libertadores. O Botafogo de Jair Ventura, atualmente quinto colocado, tem boas possibilidades de se garantir também. Estreantes na primeira divisão do futebol brasileiro, eles representam o sucesso do que normalmente é tratado como aposta.

Dirigente experiente com passagem por Palmeiras, Corinthians, Fluminense, Vasco e Bahia, Paulo Angioni decidiu nos últimos anos lutar justamente contra esse rótulo. Além de seguir a carreira como executivo, organiza eventos para discussões com treinadores, jornalistas e profissionais do futebol em geral. Um desses encontros é chamado, justamente, de "O novo não é aposta".

Nesta quinta-feira, outro dos eventos comandados por Angioni ocorre no Rio de Janeiro, justamente com as participações de Jair Ventura e Zé Ricardo. Abaixo, ele explica à reportagem cinco desafios que o dirigente enfrenta para contratar um treinador novato e relata experiência vivida no Bahia.

A PRESSÃO É INSTANTÂNEA

"Quando estávamos no Bahia (2011), levei um treinador que estudou e se dedicou muito, o Rogério Lourenço. Por lá, fomentaram muito que ele era uma aposta. Isso entrou em mim de uma forma muito dura porque eu vinha ouvindo isso de outros treinadores. A minha vida no futebol sempre foi pelo futuro. Mas se restringe a 'vender' que é o novo. O treinador mudava o sistema de jogo e os formadores de opinião diziam 'está arriscando muito'.

OS JOVENS SÓ TÊM UM CAMINHO: VENCER

"A maior dificuldade do treinador novo é o descrédito. Os conceitos são traçados na realidade vencedora. Se vence, é bom. Se não vence, é ruim. Não é por aí, não podemos rotular. Nem todo bom treinador é para todo clube. Cada clube tem sua história, conceitos e procedimentos práticos e políticos. Não se dirige Corinthians ou Flamengo como o Vasco, por exemplo".

MUITOS QUEREM UM TREINADOR DE RENOME

"Questiono se a opção é pela evidência de um treinador e não por se analisar o conteúdo. Contratar às vezes pode gerar uma possível crise interna e que pode atingir politicamente o clube. Isso acontece bastante. Apesar de toda minha longevidade, não quero ser contratado pelo que eu fiz. Quero pelo que seja contratado pelo que eu posso fazer".

A FALTA DE ATUALIZAÇÃO DE CONHECIMENTO

"Não só acho que falta, como afirmo. Há uma necessidade de mais conteúdo. O resultado da Copa ajudou para acelerar a necessidade de evolução no conceito de futebol. Não se prende apenas à parte do técnico. O jogador sem nível de inteligência bom e saúde privilegiada não será atleta de alto rendimento. Hoje se obriga a discutir conteúdo e não somente os resultados".

A DEMISSÃO VIRA O ÚNICO CAMINHO

"Tive que demitir o Rogério com um mês e sofri. Eu sempre achei que esse tipo de precipitação, do julgamento equivocado, prejudicaria o futebol no futuro. Pedi a ele para manter o Eduardo Barroca (auxiliar técnico e parceiro na elaboração dos seminários) para tentar fazer as pessoas entenderem que o novo é sempre saudável. Não pode ser visto como aposta. O futebol não pode viver na mesmice".

Os treinadores estreantes dos últimos três anos da Série A:

2016
Zé Ricardo – Flamengo
Botafogo – Jair Ventura
América-MG - Sérgio Vieira
Coritiba – Pachequinho
Sport - Daniel Paulista

2015
Marcelo Fernandes – Santos
Roger Machado – Grêmio
Milton Mendes – Atlético-PR
Julinho Camargo – Goiás
Hudson Coutinho - Figueirense

2014
Eduardo Baptista – Sport
Drubscky – Goiás
Wagner Lopes – Criciúma
Guto Ferreira – Figueirense
Gilmar Dal Pozzo – Chapecoense
Doriva – Atlético-PR

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