Wendell Lira diz que só voltaria ao Futebol para jogar no Flamengo.

No momento, Wendell Lira criou um canal no Youtube para falar sobre videogame, principalmente o game Fifa 17.

Wendell Lira ganhou o prêmio Puskas de 2015 - Foto: Philipp Schmidli/Getty Images
UOL: Wendell Lira ficou famoso no fim de 2015. O nome do atleta apareceu na lista dos indicados ao prêmio Puskas da Fifa, o que meses depois viraria uma vitória sobre Messi ao ser eleito o melhor gol da temporada. Depois do sucesso passageiro, não vingou nos gramados e decidiu trocar o futebol pelo videogame. Decisão definitiva? Parece que sim. Mas há uma situação que ele admite que o faria voltar a colocar as chuteiras e deixar de lado os controles e TV.

"Até hoje, recebo muitas propostas. Mas sem chances. Eu até brinco quando as pessoas perguntam: 'E se o Flamengo te ligar?'. Flamengo, eu aceitaria, porque é meu time de coração, até aceitaria (voltar a jogar). Mas não teria porque voltar a jogar, minha condição física não permite jogar em alto nível. Eu penso que consegui marcar meu nome na história do futebol mundial. Não posso sujar tudo que consegui fazer. Foram anos jogando e de dedicação, cirurgia, recuperações e consegui fazer algo muito bonito no futebol. Preferi sair deixando algo bonito. Preferi sair do futebol deixando algo bonito. Não vou voltar por ego, vaidade, só porque fui eleito melhor do mundo", falou o jogador.

No momento, Wendell Lira criou um canal no Youtube para falar sobre videogame, principalmente o game Fifa 17. Nesta conversa com o UOL Esporte, o jogador falou sobre sua carreira dentro de campo, nos games e detalhes sobre a festa da Fifa na Suíça.

Polêmica com terno de Neto
"Até hoje, não conversei com Neto. Tive convite para ir no programa dele e não pude ir. Quando estive no programa, ele me deu um terno, eu agradeci. Claro que aceitei o terno, ganhar terno do Neto? Está de sacanagem não aceitar. Eu morava em Goiânia, estaria em São Paulo só mais um dia. Fui no alfaiate que ele indicou. Fiz a medida, tudo certo e fui para Goiânia. Lá também ganhei terno, falei para minha esposa: 'vou usar o terno do Neto e vou levar esse porque chegar lá, vai que acontece alguma coisa'. Peguei o terno em São Paulo indo para Zurique. Chegando, o terno estava muito, muito curto. Não dava. Tenho terno até hoje, está guardado. Falei que ia usar a parte de fora, porque a parte de dentro estava muito apertada, esticava o braço, não tinha como usar. Acabei fazendo todo tipo de conteúdo em Zurique com paletó, parte do terno que Neto me deu e o outro terno de Goiânia, que estava com medidas mais certas, acabei que usei os dois."

Única foto que não conseguiu
"Na verdade, todos que queria conversar e tirar uma foto, eu consegui. Claro que queria ter tirado uma foto por ser o Messi, mas não consegui. Tinham seguranças, pelo fato dele já estar cotado para ser melhor do mundo, pessoal estava com esquema de segurança a mais em cima dele."

Tietagem de Kaká
"O contato com os brasileiros foi bem tranquilo. Todo mundo foi gente boa comigo. O Kaká, até por ele não estar concorrendo a nenhum tipo de prêmio, chegou dois dias antes, fui almoçar e tive contato maior com ele. Eu esperando ele acabar de almoçar para tirar foto com ele. Quando estava descuidado, ele chegou em mim, falou meu nome. Falei: 'ele sabe meu nome'. Esse tipo de coisa que marca a vida da gente e poderei levar para o resto da vida."

Lua de mel com esposa
"Falar da festa até é meio difícil porque aconteceu tanta coisa. Desde que fui indicado até receber o troféu, aconteceu muita coisa, momentos que marcaram minha vida. Eu tinha nome antes do prêmio Puskas, mas com certeza, depois desse prêmio que meu nome ganhou notoriedade maior. Foram momentos marcantes que pude viver com minha esposa, não tive lua de mel, acabei indo para Zurique, premiação tão importante, festa de gala como aquela e tê-la do meu lado foi importante. Com certeza, essa viagem para Zurique foi algo inesquecível."

Desafio a Neymar
"Quem sabe, pessoal vai fazer desafio. Talvez tenha projeto de ir para fora, para Europa ano que vem. Recebemos o convite, quem sabe possa aparecer desafio com Neymar e Pato."

Momentos de dificuldade
"Até recebo muitas críticas. Fazem algumas críticas pesadas, bem fortes. Quando passei dificuldade ano passado ninguém me ajudou. De não ter o que comer, não ter coisas em casa, ninguém me ajudou. Estava desempregado e de repente me vi numa situação complicada. Tinha largado futebol antes, quando recebi indicação para o Puskas, já estava trabalhando na lanchonete da minha mãe. O que aconteceu foi que tive uns cinco, seis meses de sobrevida no futebol pelo prêmio. Depois acabei recebendo proposta para jogar videogame, poder ter canal no Youtube. Futebol por mais que deu tudo que eu tenha hoje devo ao futebol. Eu operei joelho quatro vezes, já não conseguia jogar, não estava bem fisicamente. Hoje, quando faz muito frio, tenho dificuldade de dormir. Meu joelho dói, pelos parafusos, cirurgias que fiz. Tudo contribuiu um pouquinho para eu largar o futebol.

Esses últimos cinco anos da minha carreira foram muitos difíceis. Joguei em Goianésia, tava atrasado o pagamento, não tinha um real na carteira, só não me vi passando fome porque tinha minha mãe e sogros ajudando sempre. Mas eu acho que ano passado foi mais difícil, tinha uma filha, ela precisava das coisas e eu não tinha condição de dar uma roupa nova, um leite, poder comprar fralda para ela. Momento mais apertado que senti, senti muito mal, como ser humano, como pai. Foi momento que decidi trabalhar com minha mãe, dar sustento melhor para minha filha porque não quero passar por isso não. Fui agraciado com esse prêmio porque mudou minha vida e posso dar uma vida melhor para ela."


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