Fla-Flu do céu.

Até que a paixão do menino pelo mesmo clube aflorou. E os dois passaram a ir juntos aos jogos do Flamengo no Maracanã.

Foto: Reprodução
MAURO CEZAR PEREIRA: O pequeno Victorino Chermont Neto provocou no pai uma mudança de postura. Jornalista, cobrindo esportes, se afastou das arquibancadas, como ocorre com a maioria de nós. Coisas da profissão. Até que a paixão do menino pelo mesmo clube aflorou. E os dois passaram a ir juntos aos jogos do Flamengo no Maracanã.

Não trabalhei com Victorino, nos conhecíamos das emissoras nas quais trabalhávamos, ele na Sportv e posteriormente Fox e eu na ESPN. Nossos últimos encontros em coberturas foram marcados por boas conversas, numa espécie de aproximação natural ao descobrirmos que tínhamos um grande amigo em comum, Lúcio de Castro.

Paulo Julio Clement e eu nos conhecemos no final dos aos 1980, quando saí de O Globo para o Jornal dos Sports e ele deixava o JS para integrar a equipe do Jornal do Brasil. Nos encontrávamos no dia-a-dia dos clubes e mesmo sem dividir a mesma redação, marcávamos almoços de tempos em tempos para colocar o papo em dia.

Vim para São Paulo, ele passou por Brasília, também trabalhou na capital paulista e foi quem me acenou com uma oportunidade que muito me ajudaria. Em 2001, gerente de esportes do Sistema Globo de Rádio, PJ me convidou para comentar na CBN. Foi uma chance de ficar mais "íntimo" dos microfones, me desenvolver no que seria meu futuro.

Não permaneci por falta de vaga, essas coisas. Mas a escola me ajudou, muito. Em 2004, José Trajano me abriu as portas da ESPN e pensei: "Ficar falando de futebol ao vivo por horas eu já fiquei na CBN. Até que deu certo. O negócio aqui é aprender a lidar com as câmeras, agir como se não existissem". Acho que funcionou.

Mais tarde, Paulo Julio assumiu a redação do jornal Marca Brasil, me ofereceu um espaço como colunista e durante mais algum tempo tivemos a chance de conversar frequentemente, trabalhando próximos. De lá ele sairia para a Fox Sports e lembro bem de nosso almoço horas antes da final da Libertadores de 2012, que comentou.

Deva Pascovicci conheci das narrações pelo Sportv e depois na própria CBN, onde formava dupla com meu amigo Mário Marra. Quando soube que vencera o câncer e seguia narrando me impressionei com tamanha força e amor ao trabalho. Mais tarde derrotou novamente a doença em nova demostração de paixão pela vida.

Não me lembro qual foi a última vez que o vi e cumprimetei. Ele estava ao lado do Mário, foi em algum jogo no Pacaembu. Apertamos as mãos e hoje acho que fiz mal, pois deveria lhe dar um forte abraço. Não na tentativa de prever o pior, que hoje sabemos, aconteceu, mas por respeito e admiração depois de seu "bi" contra o câncer.

Assim, como Victorino, o Paulo Julio também levava seu filho ao Maracanã. Fã de Gustavo Scarpa e colecionador de bonequinhos do mascote tricolor, Theo e ele iam aos jogos do time pelo qual o meu amigo era apaixonado. A cada aniversário o garoto ganha uma camisa do Fluminense com o número correspondente à sua idade às costas.

Espero que pelas mãos de outros rubro-negros e tricolores os meninos sigam frequentando a arquibancada, amando o futebol e seus clubes, como lhes ensinaram. Os pais deles vão acompanhar o Fla-Flu lá do céu. O Deva vai narrar.

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