Ausência de Cota do Flamengo desespera rivais: "Ele se acha."

Para o clube da Gávea, um impacto de R$ 15 milhões em um orçamento 26 vezes maior. Já para os demais, um valor que sustentaria a temporada

Foto: FFERJ / Divulgação
FUT RIO: O futuro do futebol carioca estaria por uma assinatura de contrato. Este é o resumo das declarações de presidentes dos clubes menores do Campeonato Estadual, que temem um grande prejuízo caso o Flamengo não aceite a proposta para a transmissão de TV, a maior da história da competição, nos próximos dias. O Rubro-Negro é o único clube que ainda não se decidiu sobre as condições oferecidas na negociação, que se arrasta desde maio do ano passado. Para o clube da Gávea, um "pequeno" impacto de R$ 15 milhões em um orçamento 26 vezes maior. Já para os demais, um valor que sustentaria a temporada e, em alguns casos, viabilizaria a manutenção do futebol profissional em 2017.

Explica-se: na negociação entre TV, clubes e Federação, ficou acordado que cada um dos grandes (Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco) receberia R$ 15 milhões pelos direitos de transmissão do Estadual de 2017. Outros R$ 40 milhões seriam divididos entre os outros 12 participantes, com valor maior para os da fase principal. O restante da verba seria destinada para as outras duas divisões, que foram unificadas e viraram Séries B1 e B2. Estes dois torneios, que hoje geram altos custos para os clubes mandantes, especialmente com despesas de borderô e arbitragem, seriam completamente subsidiados pela FERJ, através do dinheiro oriundo do novo contrato, diminuindo o prejuízo de quase 40 clubes que pagam pra jogar as competições.

No entanto, na prática, a situação é diferente. Dos 16 clubes envolvidos na negociação, apenas um ainda não concordou com as condições e não assinou o contrato: justamente o Flamengo, maior campeão da história do Carioca. Caso o Rubro-Negro não chegue a um acordo com a emissora e a Federação de Futebol do Rio de Janeiro, a primeira consequência é imediata: seus jogos no Campeonato Estadual de 2017 - 11 na primeira fase e 18 caso avance às finais de turno e do campeonato - não serão transmitidos pela TV. O clube, obviamente, também não recebe os R$ 15 milhões pelos direitos, além de receitas de pay-per-view.

As consequências, contudo, não ficariam restritas ao próprio Flamengo. Sem o Rubro-Negro, os R$ 120 milhões inicialmente pagos pelos direitos de transmissão do campeonato sofrem uma redução que, a princípio, afeta somente os clubes de menor investimento. Botafogo, Fluminense e Vasco recebem os mesmos R$ 15 milhões inicialmente acordados. Já os outros 12 participantes perdem mais da metade do valor estipulado. E ainda: as Séries B1 e B2 deixam de ser subsidiadas. Os pequenos, além de perderem dinheiro, ficam com um jogo a menos exibido na TV.

Consultado pela reportagem, o Flamengo ainda não se pronunciou oficialmente sobre os motivos que levam o impasse quanto a assinatura de contrato, apesar de ter enviado uma lista de exigências à Federação ainda no mês de junho. Segundo apurou o FutRio.net, está prevista para os próximos dias uma nova reunião entre a direção do clube e executivos da TV Globo para tentar selar um acordo. A emissora, inclusive, teve duas de suas três maiores audiências envolvendo o Rubro-Negro em 2017 envolvendo jogos do Carioca, ambos diante do Vasco. Procurada, a assessoria de imprensa preferiu não antecipar a posição dos dirigentes. A reportagem tentou entrevistar o presidente Eduardo Bandeira de Mello, mas não obteve sucesso.

- Prejudica todos os clubes pequenos. O Flamengo se acha o todo poderoso. Quer ganhar mais que os outros. Quer receber R$ 20 milhões, desde que os outros não recebam R$ 20 milhões. O Flamengo é um trem pagador, mas não joga sozinho. No máximo, treina sozinho. Mas pra jogar precisa de um adversário. Eles se preocupam com o que os outros ganham e aí todo mundo é afetado. O Madureira se sente prejudicado na medida em que todos também se sentem. Poderíamos ter um valor bem melhor para os pequenos e isso não vai acontecer se o Flamengo não assinar - critica o presidente do Madureira, Elias Duba, que ressalta o alto valor pago pelo contrato:

- Óbvio que estamos num campeonato para jogar contra os grandes, por perspectiva de arrecadação, vitrine e TV. Mas, se o Flamengo não quiser fazer parte do campeonato e quiser jogar aquela liga que ele ajudou a fundar, que não representa nem um milésimo do campeonato do Rio de Janeiro, que vá. Estamos falando de R$ 1 milhão por jogo. Não tem Libertadores, não tem Copa do Brasil, não tem Campeonato Brasileiro, nenhum campeonato paga R$ 1 milhão só para o time entrar em campo. E o Flamengo quer jogar isso pela janela e por isso prejudica os demais - avalia.

A possibilidade da TV não transmitir os jogos do Flamengo e, consequentemente, a verba inicialmente prometida não chegar aos cofres dos clubes pequenos, já é tratada como real dentro dos bastidores do futebol carioca. A Federação, inclusive, na tabela disponível no site da entidade, marca televisionamento para todos os jogos a partir da Taça Guanabara, exceto, justamente, os que envolvem o Rubro-Negro. Na primeira rodada, o jogo diante do Boavista é o único que não tem a sinalização. Uma das atrações do Estadual de 2017, o Verdão de Saquarema, de Joel Santana e vários medalhões, teme ficar com a receita comprometida.

- Estamos na expectativa em relação ao acordo. Eu prefiro que o Flamengo seja sensível ao problema dos coirmãos do Rio de Janeiro e que chegue a um acordo com a Federação nos moldes estabelecidos. Entramos em um déficit de receita gigante, pois fizemos um planejamento contando com a participação do Flamengo no acordo televisivo e a não assinatura do clube atinge em cheio as nossas finanças - conta o gestor de futebol do Boavista, João Paulo Magalhães Lins.

Indecisão afeta planejamento dos clubes

Toda incerteza fez com que os clubes montassem o planejamento para 2017 sem o orçamento completo para a temporada. Seis deles já entram em campo nesta quarta-feira (11), pela fase preliminar. Inicialmente, receberiam R$ 500 mil pela participação e mais R$ 300 mil pelas cotas, totalizando R$ 800 mil. Com a indefinição quanto ao Flamengo, este valor caiu para menos da metade: cerca de R$ 360 mil. Até a última semana antes do início do Estadual, Bonsucesso, Cabofriense, Campos, Nova Iguaçu, Portuguesa e Tigres sequer sabiam quanto iriam receber.

- Estamos super preocupados. Foi nos passado um valor que diminuiu bastante. Vai fazer muita falta. O Nova Iguaçu se pautou para fazer o time mediante o que ia receber. E, agora, realmente, fomos pegos de surpresa. É uma situação muito preocupante. Se o Flamengo não assinar, vai criar uma situação muito ruim, principalmente para os clubes da fase preliminar. Se eu soubesse, não teria feito as contratações que fiz - lamenta o presidente do Nova Iguaçu, Jânio Moraes.

Para os times da "Seletiva", o valor já foi pago, e de forma integral. Com a redução, atendendo a pedido dos clubes, a Federação antecipou toda a cota de R$ 360 mil, sem o parcelamento inicialmente previsto. No entanto, os quatro clubes que não passarem para a Taça Guanabara disputarão o Grupo X. O objetivo é não ser rebaixado e disputar a Série B já este ano, e com um valor bem abaixo do que se imaginava no ato da divulgação do regulamento.

- Não sou capaz de falar de orçamento da Federação ou do Flamengo, cuido apenas do meu. Mas a proporcionalidade de redução da cota com a não assinatura do Flamengo não foi a mesma que houve na redução da nossa. Acredito que outras despesas que eu não tenho conhecimento tenham impactado para os meses de janeiro e fevereiro - analisa o vice de futebol do Campos, Mauro Farias, que lamenta o déficit no caixa criado com o impasse:

- O orçamento do Campos já está descoberto. Tínhamos a expectativa de um valor e recebemos menos da metade. Estamos no mercado tentando captar patrocinadores para que a gente tenha fôlego. É mais um capítulo lamentável para os clubes pequenos. Não conseguimos pensar grande não pela nossa gestão, mas por fatores alheios à nossa vontade - critica o dirigente.

A fase preliminar, inclusive, foi uma exigência feita por membros influentes e ligados aos principais clubes em Conselho Arbitral, aprovada por unanimidade, para tentar valorizar, justamente, o contrato de TV, que serviria para os próximos oito anos. Desta forma, não foi necessário diminuir o número de participantes do Estadual, que seguiu com 16, mas passou a ter uma fase principal com 12 - esta, televisionada, e com a fórmula reunindo a Taça Guanabara e a Taça Rio como turnos.

Pré-temporada e segundo semestre em jogo

Com a promessa de aumento na cota de TV, os clubes pequenos fizeram investimentos altos para 2017. Enquanto o Bangu contratou o uruguaio Loco Abreu, o Madureira apostou em Souza, ex-Flamengo, como referência para o ataque. Outros clubes escolheram técnicos medalhões: o Boavista, com Joel Santana, e o Macaé, com Renê Simões. No entanto, apesar do treinador "de ponta", o Alvianil Praiano pode ter uma grande baixa na preparação para o Campeonato Estadual. Sem dinheiro, o clube estuda cancelar a pré-temporada e se preparar somente com treinos diários no CT da Fazendinha, no Norte Fluminense, sem concentração.

- Me prejudicou muito. Eu já estava com o planejamento da pré-temporada pronto, mas tudo isso tem um custo de pelo menos R$ 100 mil. Já estou pensando em cancelar a pré-temporada. Eu não esperava que o Flamengo fosse deixar de assinar. Como um time faz um empréstimo de R$ 12 milhões para reformar o estádio da Portuguesa e não assina um contrato de R$ 15 milhões para o Campeonato Carioca? Eu, como dirigente de futebol há 30 anos, não consigo entender. O Flamengo só está pensando nele e esqueceu dos clubes menores, pois os outros grandes não perdem um tostão - indaga Teodomiro Bittencourt, o Mirinho, presidente de honra do Macaé.

O Volta Redonda, que tem em comum com o Macaé a disputa da Série C do Campeonato Brasileiro, também conta com o incentivo financeiro para viabilizar a participação no torneio nacional, no segundo semestre. Atual campeão da Série D, o Tricolor de Aço é um dos poucos casos de sucesso no futebol carioca no Brasileirão nos últimos anos. Aliás, a Quarta Divisão tem inúmeras desistências, justamente, por falta de recursos. Mesmo em uma competição deficitária, o clube do Sul Fluminense conseguiu subir para o terceiro escalão do Brasil e torce para que este "incremento" na cota de televisão o ajude a montar um time forte.

- Se eles assinarem, vamos ter mais recursos para fortalecer o time na Série C. Se não, a gente continua da forma que está, com um time bastante competitivo. A questão hoje é saber se os jogos serão transmitidos ou não. Fizemos a nossa programação para os dois casos. Se o Flamengo aderir ao contrato, como a gente espera e acredita, vamos melhorar ainda mais o time para o segundo semestre - esclarece o vice de futebol do Volta Redonda, Flavio Horta Junior.

Por sua vez, o gestor de futebol do Friburguense, José Eduardo Siqueira, o Siqueirinha, é enfático: sem a assinatura do Flamengo, o clube não vai disputar a Série B1 do Campeonato Carioca. Rebaixado em 2016, o Tricolor da Serra, assim como o America, receberia R$ 300 mil pelo novo contrato, além de ter todas as despesas envolvendo a Federação em 2017 subsidiadas com a verba televisiva. No entanto, sem este dinheiro, a participação fica inviável.

- É uma grande oportunidade de subsidiar duas divisões que, infelizmente, está indo por água abaixo. Acho que a administração do futebol tem que envolver todo mundo. Hoje, com esta cota, a gente não tem condição de disputar o campeonato. Assumimos compromissos durante a Copa Rio contando com este valor e, para conseguir pagar sem a cota, colocamos em risco justamente a participação do Friburguense na Série B - projeta Siqueirinha.

O QUE PENSAM OS DIRIGENTES

Elias Duba, presidente do Madureira:
- Não prejudica só o Madureira. Prejudica todos os clubes. O Flamengo se acha o todo poderoso. Quer ganhar mais que os outros. Quer R$ 20 milhões, desde que os outros não ganhem R$ 20 milhões. Respeito a torcida do Flamengo, sei do poderio econômico, pois realmente é um trem pagador. Mas o Flamengo não joga sozinho. No máximo, treina sozinho. Para jogar ele precisa de um adversário. Eles se preocupam com o que os outros ganham e aí todo mundo é afetado. O Madureira se sente prejudicado na medida em que todos também se sentem. Poderíamos ter um valor bem melhor para os pequenos e isso não vai acontecer se o Flamengo não assinar. Não faço questão nenhuma de jogar contra o Flamengo. Se pudessem não jogar, seria até bom. Óbvio que estamos num campeonato para jogar contra os grandes, por perspectiva de arrecadação, vitrine e TV. Mas, se o Flamengo não quiser fazer parte do campeonato e quiser jogar aquela liga que ele ajudou a fundar, que não representa nem um milésimo do campeonato do Rio de Janeiro, que vá. Estamos falando de R$ 1 milhão por jogo. Não tem Libertadores, não tem Copa do Brasil, não tem Campeonato Brasileiro, nenhum campeonato paga R$ 1 milhão só para o time entrar em campo. E o Flamengo quer jogar isso pela janela e por isso prejudica os demais. Acho que a Federação tem que botar o Flamengo no lugar dele. Ninguém precisa mais jogar contra o Flamengo. Se não quer jogar no profissional, que não jogue nas outras categorias, que não contrate mais jogadores revelados por nós. Que eles defendam outros, não mais o Flamengo. Seria uma forma de fazer eles perceberem que sozinhos não são ninguém.

Jânio Moraes, presidente do Nova Iguaçu:
- Estamos super preocupados. Foi nos passado um valor que diminuiu bastante. Vai fazer muita falta. O Nova Iguaçu se pautou para fazer o time mediante o que ia receber. E, agora, realmente, fomos pegos de surpresa. É uma situação muito preocupante. Se o Flamengo não assinar o documento, vai criar uma situação muito ruim, principalmente para os clubes da fase preliminar. Se eu soubesse, não teria feito as contratações que fiz

Mauro Farias, vice de futebol do Campos Atlético:
- O Flamengo hoje é unanimidade na gestão do futebol e deve ter as suas razões. Não quero entrar nesse mérito. Isso pode até ser o marco determinante em algumas coisas. Mas é evidente e claro o impacto no nosso orçamento. O valor ventilado para os times da Seletiva, que pelo regulamento são os únicos que assumem o risco do rebaixamento em prol dos outros, foi um, e agora vamos receber menos da metade. Não sou eu que vou falar de orçamento da Federação ou do Flamengo, cuido apenas do meu, mas a proporcionalidade da redução não foi a mesma entre a ausência do Flamengo e a nossa redução. Creio que existam outras despesas que eu não tenho conhecimento. O nosso orçamento já está descoberto e estamos no mercado tentando captar patrocínios para que a gente tenha fôlego pra fazer o que o Campos sempre fez: cumprir com seus compromissos e obrigações. É mais um capítulo lamentável para os pequenos pois não conseguimos pensar grande, não pela nossa gestão, mas por fatores alheios à nossa vontade.

Flávio Horta Junior, vice-presidente do Volta Redonda:
- Em qualquer ocasião que um clube se julgar maior que o Campeonato Carioca, teremos dificuldades. Mas como o Campeonato em si é muito maior que todos nós, ele sobrevive e será o melhor do Brasil, independente de transmissão de jogos de A, B ou C. É lógico que o fato de um clube não assinar o contrato e comprometer a cota de todos os outros de menor investimento que ajudam a dar o charme do campeonato, atrapalha. Demonstra um sentimento de egoísmo, de querer crescer sozinho, de prevalência do individual sobre o coletivo.

Mirinho, presidente de honra do Macaé:
- O Flamengo só está pensando nele. E esqueceu dos clubes menores. Botafogo, Fluminense e Vasco não perdem um tostão. Se estão pensando que vão prejudicar os outros grandes, estão errados, pois eles recebem o dinheiro integral. Só os clubes menores são prejudicados. Não esperava que o Flamengo fosse deixar de assinar o contrato. Como um time faz um empréstimo de R$ 12 milhões para reforma do estádio da Portuguesa, sendo que tem R$ 15 milhões na Federação para receber com este contrato do Campeonato Carioca? E eles ainda vão pagar os juros do empréstimo. Eu, como dirigente de futebol há 30 anos, não consegui entender isso até agora. Eles não devem estar nadando em dinheiro.

Valdemir Mendes, presidente da Cabofriense:
- Pra gente é muito pior, pois estamos na fase preliminar. Ainda nem sabemos de verdade quanto vamos receber. O Flamengo não assinando atrapalha a Cabofriense e o campeonato. Não sei a razão, mas temos que seguir. Ainda acho que o Flamengo vai assinar, mas é uma situação muito chata e complicada. Sem dinheiro não se faz nada. Todo ano é uma história diferente e você pode acabar criando dívidas na hora de honrar os compromissos. Estamos na expectativa dessa assinatura para que a gente inicie o campeonato com tranquilidade.

Aristóteles Larios, presidente do Tigres do Brasil:
- A questão de não termos a unanimidade entre os clubes não afeta os grandes, somente os pequenos, que ficam com a cota reduzida em mais da metade do que foi proposto inicialmente. Prejudica completamente quanto ao planejamento, contratação de jogadores e estrutura de trabalho. Com o orçamento que nos foi apresentado faríamos de forma diferente com mais peças e mais tempo. Afinal, por conta do atraso estamos recebendo somente agora, faltando menos de uma semana para o início do campeonato. Não estamos pessimistas, pois concordamos com as regras, mas esta verba seria um reforço importante no caixa.

João Paulo Magalhães Lins, gestor de futebol do Boavista:
- Estamos na expectativa em relação ao acordo. Eu prefiro que o Flamengo seja sensível ao problema dos coirmãos do Rio de Janeiro e que chegue a um acordo com a Federação nos moldes estabelecidos, assim com todos os clubes. Entramos em um déficit de receita gigante, pois fizemos um planejamento contando com a participação do Flamengo no acordo televisivo e a não assinatura do clube atinge em cheio as nossas finanças.

Luciano Viana, presidente do Americano:
- Todo ano ouço falar de ajuda na Série B. Eu, particularmente não acredito em Papai Noel. A verdade é que o Campeonato Carioca, em todas as suas divisões, a cada ano que se passa, vem numa descredibilidade muito grande e a cada dia vem piorando. Eu, como ex-atleta e agora como presidente de um clube do tamanho do Americano, fico muito triste de ver essa situação tão decadente. O Americano tem que seguir a sua vida, mas a gente sabe que, por tudo aquilo que o estado vem atravessando, não vai ser fácil disputar a Série B em 2017. Cabe a gente esperar o que será decidido e cada clube tomar as suas medidas necessárias.

Siqueirinha, gestor de futebol do Friburguense:
- Tenho visto nos últimos anos um descaso muito grande com os clubes pequenos por parte, principalmente, do Flamengo. A valorização e o cuidado com o produto passa pela mão de todo mundo. Às vezes você está em uma situação e não olha para o outro lado. Historicamente, Friburguense, Olaria, America, entre outros clubes que hoje estão na Segunda Divisão, fizeram o Flamengo ser o que ele é hoje em outros campeonatos que eles disputavam lá atrás. E hoje eles estão cagando e andando para a gente. Que se valorize o Campeonato Carioca e os clubes pequenos. Os grandes não podem deixar a gente de lado. É uma grande oportunidade de subsidiar duas divisões que, infelizmente, está indo por água abaixo. Acho que a administração do futebol tem que envolver todo mundo. Hoje, com esta cota, a gente não tem condição de disputar o campeonato. Assumimos compromissos durante a Copa Rio contando com este valor e, para conseguir pagar sem a cota, colocamos em risco justamente a participação na Série B.

Sidney Santana, vice-presidente do America:
- O investimento aqui no America já está bem escasso e qualquer coisa que venha além para atrapalhar, vai nos prejudicar muito. Caso o Flamengo não assine esse acordo será algo muito ruim para o futebol carioca como um todo e especialmente para o America. Temos sempre que pensar em uma alternativa. A questão da sede é nossa prioridade, mas evidentemente estamos trabalhando para conseguir outros recursos, para que possamos voltar para Série A.


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