Como vizinhos encaram estreia do Flamengo na Ilha do Urubu.

As ruas em volta do estádio e outras próximas serão fechadas desde 4h antes do jogo. O estacionamento nelas será proibido.

Foto: Divulgação
GLOBO ESPORTE: Na noite desta quarta-feira, uma pacata área residencial na Ilha do Governador será “invadida” por uma nação, a nação rubro-negra. Será a partir das 21h, contra a Ponte Preta, que o Flamengo fará a tão aguardada inauguração da Ilha do Urubu, arena montada pelo clube a partir do Estádio Luso-Brasileiro, da Portuguesa. Jogos no local não chegam a ser novidade para os moradores da região, afinal o próprio Fla e o Botafogo já mandaram partidas por lá no passado. Mas dessa vez o projeto é diferente. O Rubro-Negro preparou uma infra-estrutura maior, com o objetivo de mandar jogos com mais frequência por ali.

Na terça-feira, véspera da partida, o GloboEsporte.com percorreu os arredores do estádio para saber como estavam os preparativos para a estreia do palco. A maioria dos comerciantes veem a abertura da Ilha do Urubu com bons olhos, em razão da expectativa de crescimento das vendas em dias de jogos. Dono de um food truck que fica na rua lateral ao estádio, Luiz Felipe está ansioso pelo aumento da clientela.

- Quando o Botafogo atuava aqui o movimento ficava bem grande. Para a gente que é do comércio e está enfrentando essa crise aí a expectativa é das melhores. O futebol traz uma massa de pessoas - tudo bem que é todo tipo de gente, né? Vamos ver no que vai dar. Confusão tem em qualquer lugar, na Linha Vermelha, dentro do ônibus, no trem, em Brasília… Mas acredito que aqui será bem policiado, fica cavalaria, um monte de viatura, não deverá ter tumulto - afirmou.

Quem tem licença para trabalhar nas ruas ao redor da arena terá algumas restrições. Por questões de segurança, não é permitida a venda de bebidas em garrafas de vidro - só lata. Pensou-se até em restringir a venda de alimentos também, para não concorrer com as lanchonetes no interior do estádio, mas a ideia foi abolida. Sobrou apenas para o “churrasquinho”, como lamenta Alexsandra Cosme, dona de um trailer:

- Na época do Botafogo, duplicamos as vendas. A expectativa era positiva até um mês atrás, quando veio a prefeitura e barrou algumas coisas que todos os comerciantes daqui faziam, como o churrasquinho, que é patrimônio cultural carioca e nosso carro-chefe. Não sei se foi por questão de segurança. Espetinho de madeira é perigoso? Naquela confusão lá no Engenhão o problema foi um espeto de ferro. Poderemos vender bebidas, sanduíches já prontos, caldos... Mas mesmo assim esperamos ter um aumento das vendas - disse, lembrando da morte de um torcedor vítima de um golpe com espeto de churrasco em uma briga entre flamenguistas e botafoguenses próximo ao Nilton Santos, no início do ano.

Mas dependendo do tipo de comércio, nem todos irão se beneficiar. O feirante Fábio Eduardo, que costuma vender suas frutas e verduras até as 21h da noite, tem dois motivos para não comemorar: além de os jogos afastarem sua clientela, ele é torcedor do Fluminense.

- Para a gente não vai trazer muitos benefícios. Eu moro em Piabetá, venho para cá trabalhar de 9h às 21h, trabalho nesse ponto há 26 anos. Pessoal da prefeitura está botando muitas regras. Eu dependo de guardar meu carro aqui, como não sou morador, onde vou colocar meu carro? Tenho licença, tenho tudo direitinho, mas não sei se vou conseguir trabalhar em dia de jogo. Não sei se para a gente vai trazer benefício, mas os torcedores do Flamengo estão amando, né? Espero pelo menos que eles percam - brincou.

Taxistas e motoboys, outros que poderiam lucrar com a demanda por transportes antes e depois dos jogos, acreditam que a interdição das ruas poderá dificultar o trânsito e atrapalhar o serviço:

- Gera uma expectativa de mais visitantes para o bairro. O público maior poderia significar mais trabalho, mas os bloqueios que acontecerão no região podem atrapalhar nosso deslocamento. Vamos tentar - alertou Anderson Loureiro, de 35 anos, que trabalha em um ponto de táxi ao lado do estádio.

A reportagem do GloboEsporte.com também falou com alguns moradores. Alguns estão ansiosos para que o Flamengo comece logo a jogar por ali, enquanto outros se mostraram reticentes e com medo de confusão.

- O Flamengo estava precisando de um estádio mesmo. Moro na Ilha desde que nasci. Não poderei ir nesta quarta porque estarei trabalhando, mas nos próximos, vira e mexe eu irei e levarei meus filhos. Agora com o estádio o time vai embalar, é um dos melhores, está se reforçando, vai se acertar. Não sei se vai ser campeão, mas entre os quatro primeiros vai ficar - disse o torcedor.

A Ilha do Urubu não é cercada de água, mas sim de condomínios residenciais. Dentre as principais preocupações dos moradores estão a possibilidade de tumulto e violência, o barulho e as diversas interdições, como mostram as dezenas de faixas espalhadas nos arredores.

As ruas em volta do estádio e outras próximas serão fechadas desde 4h antes do jogo. O estacionamento nelas será proibido. Quem mora na região só poderá ter acesso com um adesivo especial que precisa ser buscado na sede da Portuguesa ou na sub-prefeitura. Na segunda-feira, houve uma reunião de moradores convocada pela CET-Rio, mas nem todo mundo saiu satisfeito, como relata Andreia Galloulckydio, professora, de 47 anos.

- Você não tem noção da bagunça que era com o Botafogo, que é uma torcida menor. A impressão que dava é que a torcida estava dentro do meu quarto. Isso aqui é um bairro residencial, não comporta uma torcida como a do Flamengo. O trânsito não comporta. As pessoas trabalham, estudam, fazem faculdade… Vai ser um inferno - desabafou.

Moradores, comerciantes e taxistas não sabem se sairão ganhando com a arena do Flamengo na Ilha do Governador. E nesta quarta-feira saberemos se o próprio time Rubro-Negro sairá ganhando em sua nova casa. A partida contra a Ponte Preta, válida pela 7ª rodada do Campeonato Brasileiro está marcada para as 21h. O Fla está em 15º no campeonato, com sete pontos, enquanto a equipe paulista está na 5ª posição, com dez.

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