Flamengo Button: O time que regride a cada jogo.

Capacidade e potencial Zé já demonstrou que tem, só precisa se lembrar de como colocá-los em prática.

Leandro Damião se lamentando em partida do Flamengo - Foto: Gazeta Press
ESPN FC: Por João Luis Jr.

Quando Zé Ricardo assumiu a posição de treinador do Flamengo em maio de 2016, o time vivia o caos. Muricy havia acabado de se ausentar por questões de saúde, não havia padrão tático, os atletas não produziam, as jogadas não nasciam, os gols não surgiam, a macaca Cuta, de Emerson Sheik, acordava toda noite gritando após ter terríveis pesadelos em que não era um bicho de estimação, mas sim o técnico do Flamengo, e precisava escolher entre Fernandinho e Marcelo Cirino pro ataque.

Zé Ricardo chegou, jeito tranquilo, postura ponderada, e ajeitou aquele time. Mudou o esquema tático, reabilitou jogadores que já dávamos como perdidos, colocou o Flamengo no rumo de uma série de boas atuações e vitórias que permitiu ao time brigar pelo título brasileiro, ainda que tenhamos eventualmente perdido fôlego e ficado apenas em 3º lugar. Ainda que criticado por uma parcela da torcida, Zé nos parecia um treinador jovem, preparado, estudioso, que precisava apenas de tempo para atingir todo o seu potencial e levar o time ainda mais longe.

Um ano depois, a situação é bem diferente daquela que imaginávamos. O técnico que havia substituído com sucesso o esquema tático de Muricy ficou preso no esquema que ele mesmo implantou e se mostra incapaz de corrigir. O treinador, que tal qual num sertanejo universitário havia aparecido do nada e arrancado jogadores da cachaça com seus lábios sem batom, agora é refém de atletas que, mesmo atuando mal, parecem intocáveis na equipe. O professor que havia subido exatamente com a promessa de integrar a base virou alguém que só usa jogadores jovens quando absurdamente pressionado, e mesmo assim da maneira mais homeopática possível.

Em um ano, Zé Ricardo retirou o Flamengo do caos, mas lentamente levou a equipe de novo a uma situação muito parecida: eliminado da Libertadores, 15º no Brasileiro, equipe que não cria, nem mesmo sombra de variação tática, desempenhos que só pioram a cada partida. Em seus estábulos no jóquei clube os cavalos de estimação de Paolo Guerrero acordam suados imaginando que são meias do Flamengo e dependem dos nossos volantes para conseguir realizar a saída de bola.

Após o “ultimato” da última rodada, Zé teve uma chance de mudar a equipe para o jogo contra o Avaí e escolheu, mesmo quando seu emprego estava ameaçado, manter Arão e Márcio Araújo, dois jogadores que são parte essencial da crise que a equipe vive, realizando apenas uma mudança que era impossível não realizar - a saída de Muralha - e outra que também tinha como intenção aplacar a torcida - a entrada de Vinícius Jr. Alterações que, num certo grau, foram cosméticas, já que mantiveram o esquema que não vem dando certo, não tocaram nos principais problemas do time e geraram um futebol tão ruim quanto ou pior do que aquele que vinha sendo apresentado.

Ou seja, de falta de chances Zé não pode reclamar, de falta de peças ele cada vez pode menos, mas ficam na conta dele as escalações equivocadas, a ausência de opções para o esquema de jogo, a manutenção da ideia, seja nas coletivas, seja no estilo de jogo, de que está tudo certo e as coisas vão se resolver a qualquer momento, quando claramente não vão. Por mais que se goste de Zé Ricardo e ele sempre tenha demonstrado ser um profissional sério e dedicado, é complicado acreditar que possa vir alguma grande mudança de postura quando, mesmo pressionado pela torcida, pela diretoria, pelos resultados, ele ainda prefere morrer abraçado às suas convicções que já se mostraram equivocadas.

Provavelmente ainda no cargo apenas devido a intenção da diretoria de não se mostrar precipitada na troca de treinadores e à ausência de bons nomes no mercado - Dorival Junior e Marcelo Oliveira são dois dos nomes mais cotados e ambos são treinadores que não levam o torcedor a comprar o energético do patrocinador, mas sim a cachaça do boteco ao lado -, Zé Ricardo tem mais uma chance, contra a Ponte Preta, dentro de casa, pra mostrar que é mesmo capaz de mudar essa equipe, que a trajetória dele como técnico do Flamengo não está fechando um círculo, mas na verdade ainda pode ser uma linha reta em direção a algum lugar. Capacidade e potencial Zé já demonstrou que tem, só precisa se lembrar de como colocá-los em prática.

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