"Flamengo segue sendo beneficiado", dispara Cosme Rimoli.

O que aconteceu ontem em Florianópolis foi absurdo. Igual ao que aconteceu no ano passado, em outro jogo do Flamengo.

Jogadores do Flamengo reclamando de pênalti com árbitro contra o Avaí - Foto: Frederico Tadeu
COSME RIMOLI: "Ih, rapaz...

"Vai consultar a gente de novo.

"Vai consultar a gente de novo.

"É uma demora, uma eternidade.

(…) Ih, não é pênalti não!

Desmarcou o pênalti!..."

As frases do narrador da TV Globo, Luis Roberto de Múcio, não só repercutem nas redes sociais.

Ultrapassaram os limites do facebook de torcedores revoltados.

Irão muito além.

Elas vão parar no STJD.

A direção do Avaí quer que Luis Roberto acabe com a suspeita que domina o país. Os árbitros consultam a Globo nos lances mais polêmicos? Com medo de errarem, esperam, de propósito as imagens da emissora, de todos os ângulos possíveis antes de tomarem qualquer decisão?

Discutem, enrolam, fazem um teatro amador bizarro só para utilizarem o método que a Fifa proíbe, as imagens da televisão?

O que aconteceu ontem em Florianópolis foi absurdo. Igual ao que aconteceu no ano passado, em outro jogo do Flamengo. Quando o árbitro Sandro Meira Ricci confirmou o gol de Henrique do Fluminense, que empataria a partida em 2 a 2. O auxiliar Emerson Augusto de Carvalho marcou o impedimento, de forma correta. Ricci assumiu o lance e confirmou o gol. Só que os jogadores flamenguistas fizeram uma enorme confusão, não deixaram a partida ser reiniciada.

Nestes 13 minutos, repórteres avisaram ao delegado da partida e ao quarto árbitro que o lance era mesmo irregular. Ricci conversou com os auxiliares, quarto árbitro. E, voltou atrás. Anulou o gol.

A interferência externa ficou mais do que evidenciada.

Mas nada foi provado.

E a vida seguiu, com o Flamengo sendo beneficiado.

Em Santa Catarina, ontem, uma situação com o mesmo caminho. Avaí e Flamengo empatavam em 1 a 1. O árbitro Paulo Vollkopf marcou pênalti inexistente de Everton em Diego Tavares. Os jogadores do Flamengo protestaram. Outra vez o mesmo teatro mambembe para enrolar. Foram 140 segundos de discussão inócua. Esperavam a confirmação que logo chegou ao estádio. A Globo mostrou que não houve o pênalti.

Tenso, envolvido pelo clima do jogo, o excelente narrador Luis Roberto viu Vollkopf caminhar em direção ao auxiliar atrás do gol. E não se conteve.

"Ih, rapaz...

"Vai consultar a gente de novo.

"Vai consultar a gente de novo."

Não é preciso ter feito pós-graduação em Comunicação em Oxford para entender o que ele disse.

Para quem não sabe, "a gente" é uma locução que corresponde semanticamente ao pronome pessoal nós.

Sim, em outras palavras, Luis Roberto falou que o árbitro iria 'nos consultar'.

Somando um mais um.

Consultar a Globo.

Ou seja, usar o que é proibido, as imagens de vídeo para decidir o que fazer.

A Fifa não permite esse recurso.

A direção do Avaí quer saber como Luis Roberto tinha tanta convicção.

Como sabia que o árbitro iria consultar a Globo.

E o que ele quis dizer com 'de novo'.

Se referia a Sandro Meira Ricci?

A direção do clube catarinense sabe que não conseguirá jamais a confissão do árbitro Vollkopf. Se ele assumisse ter seguido orientação exterior, o jogo poderia até ser anulado. E o juiz travaria sua carreira.

No ano passado, Sandro Meira Ricci sumiu de cena.

Após o Fla-Flu, foi trabalhar na Índia.

Só voltou a apitar normalmente em 2017.

O Avaí quer que Vollkopf também vá para outro continente.

Não apite mais jogos do clube neste Brasileiro.

No mínimo.

Luis Roberto pode ficar sossegado.

A Globo não vai permitir que dê qualquer depoimento.

Repetirá o que a Bandeirantes fez em 2012.

A emissora transmitia Internacional e Palmeiras.

O árbitro Francisco Carlos Nascimento validou um gol do jogador Barcos, que jogava pelo Palmeiras. O gol foi feito com a mão. Franciso só voltou atrás após ser alertado pelo delegado Gerson Antônio Baluta.

Acontece que o auxiliar teria chegado à conclusão da irregularidade com a ajuda da repórter da Bandeirantes, Taynah Espinoza, que cobria o jogo do campo.

A jornalista teria afirmado que o técnico do Inter, Fernandão, viu que o gol havia sido feito com a mão. O treinador foi até ao delegado reclamar. Foi aí que Gerson Antônio Baluta teria perguntado aos profissionais da imprensa que cobriam o jogo e obtido a confirmação da irregularidade por Taynah.

O Palmeiras quis levá-la como testemunha ao STJD.

Mas a Bandeirantes não liberou a repórter.

E ela também não pôde mais tocar no assunto.

Ou seja, nada mudará.

Mas o Avaí fará a sua obrigação.

Deixará ainda mais claro a hipocrisia que cobre esse país.

A recomendação que fica é uma só.

Se contenha, Luis Roberto...


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