Oposto do Flamengo: dívidas de Botafogo e Flu sairam do controle.

Na contramão do arquirrival Flamengo, o Fluminense não vive bom momento no aspecto financeiro.

ESPN.com.br
ESPN: São Paulo, Santos, Fluminense e Botafogo também tiveram suas contas investigadas e divulgadas em um estudo do Itaú BBA feito em cima das finanças dos 27 principais clubes do Brasil em 2016 ao qual o ESPN.com.br teve acesso.

Com exceção do time da Vila Belmiro, que foi definido como bom, mas no limite, os outros três receberam críticas, de diferentes formas: o tricolor paulista, por exemplo, como sendo portador de uma "dependência perigosa em vender atletas", enquanto os cariocas não têm previsões de futuro animadoras.

Nesta terça-feira, César Grafietti, superintendente de Crédito do Itaú BBA e coordenador do estudo, estará no Bate-Bola na Veia, da ESPN Brasil, a partir das 19h, onde é aguardado para comentar sobre as análises financeiras feitas pelo banco.

Confira as análises dos quatro grandes do eixo Rio-São Paulo:

SANTOS

A equipe da Baixada Santista foi uma das poucas elogiadas no relatório.

O Itaú BBA destaca que o presidente Modesto Roma Júnior conseguiu melhorar a geração de caixa e receitas, reduziu dívidas e manteve investimentos.

"Para tirar nota 10 deveria ter trabalhado com custos menores", apontou o estudo. "O Santos teve mais conquistas, mesmo com gastos mais elevados", acrescentou.

As receitas santistas no ano passado foram classificadas como "excelentes", com crescimento de 46% com relação ao ano anterior.

A venda de atletas, por exemplo, foi de R$ 11 milhões em 2015 para R$ 62 milhões na temporada passada, o que representou um aumento de 474%. As luvas de TV também foram boas: R$ 40 milhões.

O perfil de investimentos na base foi mantido, o que também rendeu um destaque por parte do Itaú BBA, além de que as dívidas caíram consideravelmente.

"O desafio é manter os pés no chão. Parte do bom desempenho de 2016 veio por conta de expressiva venda de atletas, então precisa se organizar para anos onde isto não ocorre. O caminho? Cortar custos e trabalhar dentro das possibilidades. A dificuldade é sair da teoria e chegar à prática", concluiu o relatório.

SÃO PAULO

O estudo alertou para um fato que vem sendo comum no clube do Morumbi: a venda de atletas.

Segundo o Itaú BBA, o São Paulo apresenta uma "dependência perigosa" nesse quesito.

Apesar disso, as receitas de 2016 foram elogiadas, como os R$ 60 milhões de luvas da TV, crescimento de 34% em publicidade e 13% em bilheteria.

Além disso, foram feitos relevantes investimentos de R$ 79 milhões no elenco profissional e R$ 22 milhões nas categorias de base.

Por oturo lado, as dívidas cresceram, principalmente as operacionais, por conta das aquisições de atletas.

Os emprestimos de Vinicius Pinotti também foram criticados. O banco destacou que a redução bancária veio com verba de pessoa física, "que é uma prática desaconselhável".

O Itaú BBA destacou que o São Paulo usou boa parte do caixa gerado para investir no elenco, mas sem resultado esportivo. "Investe muito, mas mal".

Por fim, o estudo faz um alerta ao time tricolor.

"Para manter o mesmo padrão, o clube precisará continuar vendendo atletas para ajudar a fechar a conta. Se quiser fazer investimentos, venda de atleta será fundamental. Ou seja, prática perigosa e arriscada. Cortar custos e Investimentos é o melhor caminho, no lugar de sobreviver de comércio".

FLUMINENSE

Na contramão do arquirrival Flamengo, o Fluminense não vive bom momento no aspecto financeiro.

O relatório apontou que 2016 foi um ano "complicadíssimo" para o time das Laranjeiras, que não conta mais com a antiga parceira Unimed.

"Custos descontrolados, investimentos relevantes, dívida aumentando. E tudo isso depois de ver suas receitas aumentarem e receber R$ 80 milhões de luvas da TV", ironizou o Itaú BBA. "O que acontece com o Fluminense", questionou.

A gestão foi classificada como "complicada", além de que o futuro não parece animador. O estudo diz que será "uma enorme dificuldade recuperar o clube".

Os investimentos foram tidos como descontrolados, já que foram injetados R$ 9 milhões na base, R$ 37 milhões no time profissional e R$ 26 milhões em estrutura. Dessa forma, as dívidas saíram do controle, com o aumento de mais de R$ 40 milhões nas bancárias.

"Não fossem as luvas de TV de R$ 80 milhões e a situação teria sido catastrófica", espantou-se o Itaú BBA.

Para finalizar, é apontado um "rastro de preocupação" com o que está por vir nas Laranjeiras. "O trabalho será árduo", destacou o relatório.

BOTAFOGO

É sabido que o Botafogo é um dos clubes com problemas financeiros mais graves no país. E o Itaú destacou que o clube vem sendo gerido um dia de cada vez, sempre com dificuldades em aumentar receitas e altamente dependente da TV.

"É preciso mais que isso para escapar da encruzilhada que se aproxima, com o início do pagamento das parcelas do Profut. A dívida é muito elevada, e ajustes nos Custos serão necessários", analisou o estudo.

A vaga na Libertadores fez bem ao clube, que por outro lado pode se complicar sem o controle efetivo dos gastos. A dívida total vem sofrendo redução, especialmente pelos pagamentos de acordos trabalhistas.

Para o Itaú BBA, a fórmula é simples: "O Botafogo precisa se preparar para mais que conquistas; precisa pensar na sobrevivência. Não basta que hoje esteja em ordem, porque a conta vai chegar".


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