Quem sabe um novo começo para o Flamengo.

É mas a questão de ver o quão perto dessa luz o trem rubro-negro pode chegar enquanto um dos maquinistas ainda for o Márcio Araújo.

Réver, Rafael Vaz e Diego comemorando gol do Flamengo - Foto: Gilvan de Souza
ESPN FC: Por João Luis Jr.

O clima para a estreia do Flamengo na Ilha do Urubu era de pura pressão. Diretoria pressionada, técnico pressionado, elenco pressionado, até a nova camisa que o time iria usar já vinha sendo questionada e, se fosse em São Paulo, com certeza já teríamos uma faixa no CT dizendo “fora designers da Adidas pois são comédia”. Uma derrota não apenas afundaria ainda mais a equipe no campeonato, como encaminharia a saída de Zé Ricardo e colocaria o rubro-negro na roleta-russa que é a busca por um novo técnico, aquele processo de ansiedade e desilusão que começa com sua diretoria prometendo Guardiola e Sampaoli e termina com Ney Franco no CT tocando violão pros jogadores e cantando que estava na beira do caos, na beira do mal, na piração total.

Mas ainda que tenha ficado longe de ser uma apresentação inesquecível ou um jogo que justifique o discurso de favorito que o Flamengo sustentava no começo do ano, a equipe conseguiu fazer contra a Ponte Preta duas coisas que não fazia há um certo tempo: vencer e evoluir.

Primeiro porque, ainda que muito lentamente, Zé Ricardo vem, sim, fazendo algumas das alterações que o time precisava. Thiago seguiu como titular e, ainda que não tenha operado milagres, feito defesas impossíveis, saído do estádio com o apelido de “Thiagordon Banks”, em todos os lances demonstrou segurança, em todas as defesas agiu com firmeza, em nenhuma saída do gol fez você querer sair também da sua casa para o mais longe possível da televisão.

Cuellar teve mais uma chance e, ainda que tenha ficado com a tarefa mais zéricardiana que um atleta pode ter - “recuar para o Márcio Araújo jogar com mais liberdade” -, conseguiu dar ao meio de campo uma dinâmica melhor tanto na armação quanto na marcação, já que, ao contrário de William Arão nas últimas partidas, o colombiano não apenas parecia estar vivo, como se movia de maneira coordenada e diretamente ligada ao local físico onde a bola estava presente.

Vinícius Jr mais uma vez foi um dos pontos altos da equipe - compensando uma noite em que Diego esteve apagado. Criou boas jogadas e fez o cruzamento que deu origem ao gol de Damião, que segue sendo esse eterno paradoxo do atacante que é incapaz de dominar uma bola rasteira, porém até para passar manteiga no pão precisa realizar o movimento de bicicleta no ar, um mistério que com certeza só será desvendado pelas gerações futuras.

Se Zé Ricardo estiver disposto a mudar, e ele parece finalmente estar, o Flamengo pode estar começando agora uma retomada de sua boa fase. Conca finalmente fez sua estreia, ainda que por poucos minutos, Éverton Ribeiro e Rhodolfo já se encontram treinando com o grupo, há pela frente uma série de partidas no Rio de Janeiro e finalmente, como não acontecia desde 1997, o Flamengo pode mandar seus jogos em uma casa tão sua que o wifi deve até conectar sozinho quando o Réver liga o celular.

É muito cedo, claro, para se animar com qualquer coisa, ainda mais diante do futebol “apenas para o gasto” que foi apresentado ontem e das recentes atuações muito abaixo da crítica da equipe rubro-negra, mas, por mais escuro que o túnel ainda possa parecer, já é possível ver uma luz no fim dele. É mas a questão de ver o quão perto dessa luz o trem rubro-negro pode chegar enquanto um dos maquinistas ainda for o Márcio Araújo.

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