Uma noite para acabar com a ressaca do Flamengo

Mais do que tudo, os jogadores têm de entender que a Libertadores já é história. Triste, mas é. Cabe sobretudo ao Zé Ricardo convencê-los disso.

Jogadores do Flamengo treinando na (Arena) Ilha do Urubu - Foto: Gilvan de Souza
MÁRIO MAGALHÃES: Quando o porre é grande, a ressaca não fica por menos. Pior que porre de bebida vagabunda é porre de frustração no futebol. Idem a ressaca. Se o porre for mais uma queda vexatória na Libertadores, o estrago será (foi) ainda maior.

Hoje a eliminação do Flamengo na Libertadores completa 29 dias. Faz quase um mês que o time parece tonto como pinguço perdido depois da bebedeira. E nada de a ressaca passar.

A partir das nove da noite, o rubro-negro inaugura, contra a Ponte Preta, a Ilha do Urubu. É a nova casa. Está na hora de superar a ressaca.

A equipe campineira acumula três pontos mais do que a carioca no Campeonato Brasileiro. Mas o anfitrião tem potencialmente mais time, apesar de enganos como uma série de contratações frustradas para a zaga. Basta comparar os orçamentos. Sim, futebol não é confronto de dinheiro. Seria constrangedora, contudo, mais uma derrota para elenco muito mais barato.

É preciso evitar erros como tantos na desgraça diante do San Lorenzo.

Tomara que logo mais o Vinicius Junior seja mantido como titular. De preferência fincado em um dos lados do campo, sem a ida e volta para a esquerda e a direita que dificulta a adaptação do garoto de 16 anos.

E que não se reedite a dupla Márcio Araújo-Willian Arão _ao menos um tem de sair. Não basta a bola chegar ao Diego. Tem de chegar redonda, e não quadrada. É imprescindível forjar alternativas ao melhor do time. Sozinho na armação, o Diego se torna presa mais fácil dos marcadores. É necessário reforçar a criatividade no meio-campo, e não reprimi-la.

Mais do que tudo, os jogadores têm de entender que a Libertadores já é história. Triste, mas é. Cabe sobretudo ao Zé Ricardo convencê-los disso.

Apoio da torcida não faltará. O desafio do time é estar à altura da paixão e da fidelidade dos torcedores.

E se não der? Será sinal de que a ressaca do porre na noite portenha não passou. Recomenda-se, nessa hipótese funesta, encher a cara de novo. Até vomitar.

Isto é, colocar tudo para fora. No caso do Flamengo, os principais responsáveis pela campanha bisonha no Brasileiro.

Desconfio, porém, que os goles serão para comemorar a vitória rubro-negra.


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