Vira-casacas, Bebeto e Branco falam sobre Conca no Fla-Flu.

Foi difícil para mim. O Flamengo sempre foi minha casa. Do outro lado, estava meu ídolo, Zico, meu espelho. Foi aquela confusão toda...

Bebeto sendo expulso pelo Vasco contra o Flamengo - Foto: André Durão
MARLUCI MARTINS: Odiado por muitos, sonhado por outros, temido ou constrangedor, o banco de reservas do Maracanã será neste domingo ponto convergente em um Fla-Flu de emoções. Em algum momento, todos os olhares estarão em Conca, sentado ainda na fama de protagonista da conquista do título brasileiro de 2010, pelo Tricolor. O argentino correrá o risco de ser xingado pelos fãs de outrora - se é que não serão mais altos os aplausos rubro-negros, sua esperança agora.

O Fla-Flu das 16h - não deixem, ao fim do dia, de anotar no diário - pode ser apenas mais um. Ou talvez entre para a biografia de Conca, como ocorreu com Bebeto na primeira vez que em vestiu a camisa do Vasco para enfrentar o Flamengo, em 5 de novembro de 1989, pela 13ª rodada do Brasileiro. Ele não anotou. Então, esqueceu. Melhor assim.

- Não lembro bem. Mas eu, que nunca tinha sido expulso, acho até que levei vermelho naquele dia. Essas coisas a gente tem que esquecer... - conta Bebeto.

Foi expulso, sim. E teve mais: Zico e Júnior arrebentaram, o Flamengo venceu por 2 a 0, com dois gols de Bujica, e a torcida rubro-negra cantou um clássico da discografia de Beth Carvalho: "Você pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão". O Maracanã de 59.076 pagantes ficou imenso, bem maior do que o franzino e encolhido Bebeto.

- Foi difícil para mim. O Flamengo sempre foi minha casa. Do outro lado, estava meu ídolo, Zico, meu espelho. Foi aquela confusão toda... É muito triste ser xingado pela torcida que sempre te aplaudiu. As pessoas não entendem, mas eu fiz de tudo para renovar com o Flamengo pela metade. Mas o então presidente Gilberto Cardoso Filho foi mal... Meu passe foi para a Federação.

Um drible, um adeus. A finta sobre o Flamengo jamais foi digerida.

Já Conca vive ainda dias de incerteza após a sutura de menisco a que se submeteu em setembro. Seus dez minutos em campo, na última quarta-feira, contra a Ponte Preta, nada esclareceram. Hoje, ao menos já se terá uma resposta para outra dúvida: como irá se comportar a torcida do Fluminense ao ver o ídolo em outra camisa, naquele banco de reservas, ponto convergente de um Fla-Flu de emoções?

BRANCO TAMBÉM TROCOU O FLUMINENSE PELO FLAMENGO

O ex-jogador Branco enxerga em Conca um pouco da sua história. Colecionador de títulos pelo Fluminense nos anos 80, com a conquista do Brasileiro como apogeu, em 1984, o então lateral-esquerdo decidiu se aventurar no Flamengo, em 1995, após uma segunda passagem pelo Tricolor em 1994, entrecortada por uma aventura no Corinthians no mesmo ano.

- É uma história parecida com a minha. Conca teve sucesso pra caramba no Fluminense. Agora, está no Flamengo. Quando eu fui, Romário tinha sido contratado e o Kleber Leite (então presidente) me fez o convite. Eu queria vir para o Rio. Sorte que a torcida tricolor nem pegou no meu pé. Apenas gritava: "Eô, eô, o Branco é tricolor" - lembra o ex-lateral.


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