Caetano justifica montagem de times do Flamengo no meio do ano

A contratação de estrelas em meio ao Campeonato Brasileiro, inclusive, tem sido rotina nos útlimos anos.

Rodrigo Caetano e Diego Alves, do Flamengo - Foto: Gilvan de Souza
GLOBO ESPORTE: O Flamengo investiu quase R$ 60 milhões para reforçar o time em 2017. Foram nove contratações, mas alguns dos principais nomes chegaram na janela do meio do ano: Éverton Ribeiro, Geuvânio (empréstimo de 18 meses), Rhodolfo e Diego Alves. A contratação de estrelas em meio ao Campeonato Brasileiro, inclusive, tem sido rotina nos útlimos anos.

Por que?

Há diferença entre as janelas de transferências do início e do meio do ano. No verão brasileiro (inverno europeu), as competições do calendário estrangeiro estão na metade e é difícil enfraquecer as equipes da Europa, por exemplo - outras ligas, como nos Emirados Árabes e China, seguem o mesmo padrão.

No inverno brasileiro (verão europeu), ou seja, na recente janela, que fechou no último dia 20, a temporada no Velho Continente e nos outros países que seguem o mesmo calendário já terminou. Isso facilita a contratação dos jogadores.

O diretor de futebol do Flamengo, Rodrigo Caetano, também explicou ao GloboEsporte.com o porquê da janela do meio da temporada brasileira quase sempre ter permitido boas oportunidades para o clube.

- Não é nem sendo agressivo (no mercado), mas trabalhando em cima de oportunidades. Se considerar uma grande aquisição, um grande investimento e agressivo no mercado foi o Éverton Ribeiro, pela idade, o clube não queria se desfazer, tivemos que comprar. Os outros tiveram custo de aquisição mínimo. É questão oportunidade, de nos prepararmos a nível de orçamento para poder absorver os salários desses jogadores, e não tendo que fazer o dispêndio financeiro na questão de aquisição, de transferência. Encerra o contrato, encerra vínculo, temporada... - explicou Rodrigo Caetano.

A "estratégia" de se reforçar mais no meio do que no início do ano tem sido comum nos últimos anos. Em 2015 e 2016, o Rubro-Negro contratou nomes Guerrero (do Corinthians, o que foge da teoria sobre a janela de transferências europeia) e Diego (do Fenerbahce, da Turquia), respectivamente, ambos sem pagar pelos direitos econômicos.

Mudanças com temporada em andamento

O problema é que a chegada de estrelas no decorrer do Campeonato Brasileiro obriga o Flamengo a "trocar o pneu com o carro em movimento". Foi assim em 2016, quando a equipe comandada pelo técnico Zé Ricardo só embalou no segundo turno. Mesmo assim, ainda brigou pelo título nacional até as últimas rodadas - terminou em terceiro lugar.

Em 2017, por exemplo, alguns dos reforços não chegaram a disputar a Libertadores, já que o Rubro-Negro acabou eliminado de forma precoce no torneio. Não é por acaso que muitos dirigentes brasileiros defendam uma adequação da temporada brasileira com a do exterior.

- Já ouvi dizerem que isso muitas vezes é erro ou falta de planejamento, por ser no meio da temporada, mas não tem problema nenhum. É só ajustar um dia que o início da temporada do futebol brasileiro seja também o início do europeu - diz Caetano

Diego Alves é o único que ainda não fez sua estreia

Das últimas contratações, só Diego Alves ainda não estreou. O goleiro, que estava no Valencia, da Espanha, chegou nesta semana e já está regularizado. Na apresentação do jogador, Rodrigo Caetano falou que a expectativa era que a estreia ficasse só para o próximo fim de semana, quando o Flamengo encara o Corinthians, em Itaquera.

Éverton Ribeiro e Geuvânio têm jogado com frequência. O primeiro virou titular de imediato e se destacou nas primeiras partidas, enquanto o segundo tem entrado no decorrer dos jogos - sofreu, inclusive, o pênalti perdido por Diego no empate em 2 a 2 com o Palmeiras.

Lembra? Em 2009, hexa contou com reforços importantes para arrancada.

A fórmula não é nova no clube. Antes mesmo da gestão do presidente Eduardo Bandeira de Mello era comum ver esse tipo de movimentação no mercado. Na última vez em que foi campeão brasileiro, em 2009, o time comandando por Andrade teve contratações importantes no meio da temporada que ajudaram na arracanda improvável para o título. Álvaro (zagueiro), Maldonado (volante) e Petkovic (meia) foram nomes que só chegaram depois de junho. O atacante Adriano, por sua vez, foi apresentado em maio.

Veja mais trechos da entrevista com Rodrigo Caetano:

Alinhar as temporadas - brasileira e europeia

Não sei nem se é possível, mas para que não tenha esse tipo de contestação. Porque a verdade é essa. Como nós vamos tirar um jogador da Europa, de outro mercado, em janeiro ou dezembro? Se ele está no meio de uma temporada, de um campeonato e, na grande maioria das vezes, com vínculo com algum clube. Nos resta fazer isso. No campeonato espanhol, por exemplo. Se nós quiséssemos trazer o Diego Alves no início do ano, a probabilidade era próxima de zero. Os movimentos na Europa viabilizam que tenhamos o retorno desses jogadores para o Brasil.

Fla tentou Éverton Ribeiro no começo do ano

Esse foi o motivo, eles (ex-time de Éverton Ribeiro nos Emirados) estavam na competição intercontinental deles. Esse foi o dilema, não aceitaram nem conversar. Foi quando o agente preparou a situação para nos ouvirem no meio do ano.

Sobre mexer com o trabalho em andamento

Depende da qualidade dos atletas. Melhora para qualquer treinador quando você vê reforços de bom nível. É claro que você não tem equilibrada a condição física, técnica, porque eles vêm de um outro futebol, até de outro mercado, calendário. Jogadores que lá estão no final de temporada e nós, aqui, no meio.

Mas não tem jeito, é o que o Brasil pode fazer. Que bom que o Flamengo tem condições de absorver a questão salarial de alguns deles. Não teria condições de absorver o salário e, ao mesmo tempo, pagar a aquisição. Nosso orçamento é muito claro nisso. Eu vejo como positivo que a gente consiga ainda trazer reforços. Dizer agora que trazer reforços desse nível possa ser prejudicial, aí é querer ver pelo em ovo. Não vamos omitir de tentar ter os melhores aqui. Trouxemos no início do ano jogadores que estão muito mais adaptados, Berrío, Trauco, depois desses seis meses. A gente não faz as coisas mirando nos próximos três meses.

Continuidade para próximas temporadas

Isso é um processo. A gente, como modelo ideal, é ter a menor troca possível. Esse negócio de ficar modificando elenco, não sou muito adepto. Hoje o Flamengo consegue identificar algumas necessidades e oportunidades para trazer jogadores que possam fazer diferença. Com isso, que se mantenha ou diminua a rotatividade. Nossa ideia é essa, sempre manter a base do elenco e buscar peças pontuais. É dessa forma que a gente vem trabalhando.

Lembrando que a janela europeia, essa do meio do ano, de perdas, na grande maioria das vezes o Flamengo não é muito atingido. Não temos perdido muito. A gente vende quando é uma boa oportunidade. Teve momento que foi por necessidade, hoje a gente avalia bem por isso. Não temos sofrido muito. Não significa que a gente não tem ou não precise vender. Precisamos sim, mesmo com a venda do Vinicius. Mas temos uma condição de avaliar melhor hoje o que é melhor ou pior para o clube. Essa é a nossa estratégia.


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