"Jogar no Flamengo é sempre brigar por títulos", diz Marcelinho.

Ele anunciou que sua carreira chegará ao fim em 2018, no término da temporada que irá começar em agosto.

Foto: Divulgação
GARRAFÃO RUBRO-NEGRO: por Rafael Rezende

Toda história tem seu capítulo final. Não há excessão a esta regra, e o esporte, por mostrar o lado mais humano, é responsável proporcionar os melhores momentos. Na última quinta-feira (06), Marcelo Magalhães Machado, o MarceZico da Nação Rubro-Negra, anunciou que sua carreira chegará ao fim em 2018, no término da temporada que irá começar em agosto.

São anos de total dedicação ao basquete. Por esse motivo, Marcelinho se tornou ídolo, ícone, lenda e referência da modalidade no Brasil. Só no Flamengo, são dez. Junto com uma ligação fortíssima e inabalável com o clube do coração, além de títulos expressivos e marcantes. Para explicar melhor a decisão de aposentar e outros assuntos que todos estão querendo saber, o GRN conversou com o camisa 4 e abordou vários tópicos. Confira a entrevista na íntegra a seguir.

Motivação ao falar sobre a renovação em termos de disputas

"A expectativa é de fazer um grande ano. Jogar no Flamengo é estar em um time competitivo e sempre brigar pelo título de todas as competições. Estamos vindo de uma temporada que não foi muito boa, e isso nos dá mais ânimo para buscar os objetivos. Já vamos começar com o Campeonato Carioca, que vai estar forte, e Liga Sul-Americana. Se vencermos esse torneio, estaremos na Liga das Américas. Temos desafios e tenho certeza que estaremos preparados."

Protagonismo do Fla e satisfação pela união com o grupo de jogadores

"O Flamengo é sempre protagonista. E é em cima disso que a diretoria está trabalhando e montando um time bem forte. Fiquei muito feliz por receber mensagens dos meus companheiros. Eu costumo dizer que ter respeito de todas as pessoas é bom, mas é melhor ainda ter de quem te conhece no dia a dia e sabe da sua ética, que pode fazer uma avaliação com profundidade. Eles podem ter certeza de que tentarei fazer uma temporada especial."

Relação de amor e cumplicidade com o torcedor

"Falar do carinho da torcida comigo é bater na tecla desde o primeiro dia em que cheguei na Gávea. Eu me senti abraçado na minha coletiva de apresentação como jogador do Flamengo. Em derrotas e vitórias, os torcedores agem com respeito e isso não vai mudar. Tanto eu, quanto eles, já estamos naquele sentimento de saudosismo antecipado. Uma coisa que sentirei saudades é de jogar em frente à Nação. Ela é especial e toca de forma diferente. Quero vivenciar todas essas emoções da melhor maneira possível, afinal, depois não vou conseguir mais."

Fase pessoal

"Estou me sentindo muito bem fisicamente e tecnicamente. Em 2016/2017, apesar de todas as circunstâncias e lesões, acredito que tive um bom desempenho. Mas joguei mais do que estava programado. Agora, sei que vou atuar por menos tempo, porém, espero contribuir da melhor forma, assim como ocorreu há dois anos."

Comparação com a aposentadoria de Kobe Bryant

"O Kobe é um exemplo de atleta para mim. Não só por conta da determinação que sempre teve, mas pela forma que ele encarou o fim da carreira. Naquela época, o Lakers não tinha projeção de ir ao playoff e, consequentemente, não disputaria nada. Aqui no Flamengo é diferente, e nesse meu último ano, o foco é igual o de sempre: conquistar vitórias e ser campeão de tudo."

Nostalgia ao relembrar um dia marcante

"Foram muitos momentos especiais e espero viver outros. Me lembro da conquista do Campeonato Brasileiro de 2008, nem era NBB ainda, e a gente entrou no gramado do Maracanã com a taça. Fui criado atrás do gol à esquerda, e vi a geração do Zico jogar. Então, tive meu nome gritado e me marcou, pois era acostumado a ir no estádio e ficar torcendo. Foi especial e guardo na memória."

Encerramento de um período vitorioso/extraordinário na vida e metas futuras

"É um sonho realizado. Sou rubro-negro e quando retornei ao clube, em 2007, queria ser campeão nacional. Hoje, quando olho para trás, e vejo que pude contribuir bastante, fico satisfeito. Poder fechar esse ciclo no Flamengo é tudo o que eu queria. Estou me sentindo tranquilo, pois foi uma decisão convicta e pensada. Não foi fácil, porque o basquete representa muito na minha vida, são 33 anos em quadra. Cheguei nessa conclusão motivado e ciente de que vou encerrar a carreira em alto nível. É difícil analisar o que virá pela frente, mas venho me preparando. Quero, sim, continuar ligado ao esporte. É onde tenho conhecimento e vivência. Pretendo analisar várias funções para perceber em qual delas irei me sentir produtivo e feliz."


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