Maurício Prado decreta fim da paciência com Zé Ricardo no Flamengo

O bom técnico é aquele que consegue tirar o melhor de seus comandados. E se eles são bons e não rendem…

Zé Ricardo, técnico do Flamengo, mostrando a mão - Foto: Gilvan de Souza
RENATO MAURÍCIO PRADO: É verdade que na origem dos dois gols do Palmeiras, Mina fez falta (que o juiz não marcou) em Guerrero. É fato também que Diego desperdiçou, bisonhamente, o pênalti que poderia ter garantido a vitória do Flamengo. Mas, independentemente disso, é indiscutível também que o time de Zé Ricardo voltou a jogar bem menos do que se espera dele – e a paciência da torcida acabou. Já no final da partida, quando o treinador colocou Mancuello, no lugar de Éverton, o coro de “burro” ecoou forte, na Ilha do Urubu.  E tão logo o juiz apitou o encerramento, a gritaria se intensificou, aí aos berros de “Fora. Zé Ricardo”.

A irritação se justifica: nas três últimas rodadas, o Mais Querido somou apenas dois pontos, jogando contra adversários diretos na luta pelos primeiros lugares (perdeu para o Grêmio, em casa; empatou com o Cruzeiro, num jogo que teve tudo pra vencer, no Mineirão e agora, uma vez mais como mandante, empatou em 2 a 2, com o Palmeiras). Tivesse feito, pelo menos, seis pontos – vencendo os jogos em casa -, estaria bem próximo do Corinthians, que empatou duas vezes seguidas.

Na partida com o Palmeiras, novamente, o Flamengo teve mais posse de bola, começou dando a impressão de que venceria, mas se perdeu na tradicional dificuldade de criar jogadas de ataque, que não sejam baseadas no insuportável e ineficiente “chuveirinho”. No início, até mostrou uma nova jogadinha ensaiada (com uma cobrança de falta de Diego para Éverton, no bico da pequena área), mas aos poucos foi se perdendo na conhecida mediocridade do cisca, cisca e cruza, cruza.

Um bom passe de Guerrero, entretanto, permitiu que Pará abrisse o placar. E parecia até que a vantagem poderia ser ampliada, pois o domínio continuou. Mas aí surgiu outra das notórias deficiências do rubro-negro: em dois contra-ataques, duas bolas nas costas da zaga e dois gols permitiram a virada palmeirense. A tragédia só não se consumou porque, num chutão do goleiro Tiago pra frente, Guerrero (o melhor do Fla, disparado) ganhou de Luan, na raça, e empatou, antes do final da primeira etapa.

Veio o segundo tempo e embora mantivesse a maior posse de bola, o Flamengo continuava a ter as conhecidas e enormes dificuldades para penetrar na defesa do Palmeiras que, por sua vez, na base do contra-ataque dava sustos bem maiores na torcida carioca.

A entrada de Geuvânio, porém, deu um sopro de esperança ao Mais Querido. Numa linda jogada, indo à linha de fundo (em vez de cruzar a esmo), ele foi derrubado por Michael Bastos, num pênalti indiscutível. Era a grande chance da vitória. Mas Diego, uma vez mais apagadíssimo, bateu mal e foi-se pelo ralo a esperança dos três pontos.

Bem no fim, o Palmeiras ainda esteve a ponto de marcar o terceiro, mas o chute cruzado de Borja acabou desviado por Trauco, antes que a bola chegasse a Roger Guedes, com Tiago já batido.

Resumo da ópera: apesar das várias contratações, o Flamengo continua jogando bem abaixo do potencial que parece ter. E aí o tal negócio, se existem bons jogadores e o problema persiste: a culpa só pode ser do treinador.

O bom técnico é aquele que consegue tirar o melhor de seus comandados. E se eles são bons e não rendem…

Em tempo: o que está havendo com Diego? Seu rendimento nas três últimas rodadas foi decepcionante! Está fora de forma ou ainda sente dores no joelho? Estranho, muito estranho. Recebe a bola, rodopia, cava uma falta aqui, outra acolá ou toca pra trás. Zero de produtividade. Desaprender, ele não desaprendeu. O que há?

Em tempo 2, a missão: uma noite que começa com uma homenagem pelos 200 jogos completados pelo Márcio Araújo com a camisa do Flamengo, não podia acabar bem mesmo. O fato era pra ser lamentado, não festejado… Aliás, nos dois gols do Palmeiras, ele não conseguiu marcar o autor dos lançamentos (o primeiro, feito por Zé Roberto; o segundo, por Mina, ambos marcados pelo medíocre volante).


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