Palestino 2 x 5 Flamengo: O futebol em estado de ‘qualquer coisa’.

O santista ri, sem gargalhar. O palmeirense aflito porque os dias não passarão. O botafoguense ansioso, pois "o dia" seria logo amanhã.

Everton durante Palestino x Flamengo - Foto: Esteban Garay
ESPN FC: Por Marcos Almeida

Sabe quando uma pessoa diz que algo é “qualquer coisa”? Você entende, na hora, embora talvez tenha imensa dificuldade de explicar. Qualquer coisa é isso. Um evento, um fato, compreensível em segundos e que leva horas para ser descrito, qual seja a descrição afora “qualquer coisa”. Qualquer coisa foi esse 5 a 2, na estreia do Flamengo pela Copa Sul-Americana.

O misto do Mengão foi a Santiago enfrentar o Palestino – algoz do ano passado –, que terminou o Campeonato Chileno na antepenúltima posição e não disputava uma partida oficial desde 21 de maio. Um time que jogou na retranca, sem se fechar. Defesa qualquer coisa contra o ataque qualquer coisa do Flamengo. Nitidamente superior, o Mengo não envolveu. Não trocou passes, não trabalhou a bola. Promoveu um open bar de cruzamentos a Leandro Damião, que chamava o jogo para si sem oferecer perigo a ninguém. O atacante foi para o intervalo zerado – não nas tentativas de bicicleta, é claro. Tornou-se centroavante justamente por isso. Ao que tudo indica, flertou com outras posições na base, mas não conseguia fazer um desarme, uma defesa, um cruzamento, nem cobrar um arremesso lateral de bicicleta.

Menos de 2 minutos do segundo tempo e já estava 1 a 0. Gol de Réver, com o pé de apoio, sem sequer olhar para a bola. Ela já havia entrado quando o capitão se deu conta do que estava acontecendo. Qualquer coisa. Aí o Mengo resolveu tomar um par de gols intomáveis no futebol profissional. Cobrança de falta, 2 palestinos prontos para pegar a sobra, de frente pro gol, na entrada da área. Nenhum rubro-negro. Empate transformado em virada instantes depois, quando Éverton furou vergonhosamente, a metros da baliza de Thiago.

Era ataque contra ataque, ritmo de churrasco. E mesmo com o espeto numa mão e a latinha na outra, o zagueiro peladeiro não permitira o gol de Berrío. O qualquer coisa atingia outro nível.

16 minutos, revirada: Flamengo 3 a 2. Derrapada do palestino, cruzamento de Éverton e 99,7% da humanidade apenas empurraria para a rede. Não Leandro Damião. O gênio incompreendido errou o tempo de bola – de propósito – para ter de recorrer ao “calcanhar giratório”. Letra? Só se for “Q” para o giro e “C” para a finalização. Qualquer coisa.

Um atacante normal sabe distinguir Olaria de Real Madrid, Copa do Mundo de Taça Guanabara, e provavelmente rasparia a cabeça na bola, em uma cobrança de escanteio no primeiro pau. Já Leandro Damião prefere chegar atrasado. Assim, pode dar um 360° aéreo e testar para o chão. Loucura? Sintonia! Só uma manobra à la Bob Burnquist para deixar Rafael Vaz em plena condição de marcar a favor do Flamengo.

O quinto gol foi de pênalti, o primeiro de Everton Ribeiro sob o Manto Sagrado. Mas repararam no lance da falta? O zagueiro deu um carrinho no nada e resolveu puxar o tornozelo de E. Ribeiro. De mão trocada! Nem preciso falar, qualq...

A nós, flamenguistas, a quarta-feira de Libertadores ainda machuca. O gremista esteve focado na próxima rodada do Brasileiro. Um atleticano, desolado com a ausência do gol fora de casa. O outro, com o excesso deles. O santista ri, sem gargalhar. O palmeirense aflito porque os dias não passarão. O botafoguense ansioso, pois "o dia" seria logo amanhã.

Foi uma noite de diversas sensações. Vazio, impaciência, alegria, frustração. Raiva, euforia, deleite. No final das contas, o rubro-negro foi dormir qualquer coisa.

Melhor do que puto. Bem melhor do que preocupado com o jogo da volta.

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