Para Mansur, é tarefa difícil Flamengo se desvencilhar do Maracanã

Já o Flamengo, este sim, tem uma decisão difícil pela frente. E o jogo de hoje pode ampliar a pressão pela difícil escolha de um caminho.

Bandeiras da torcida do Flamengo no Maracanã - Foto: Divulgação
CARLOS EDUARDO MANSUR: O Vasco exerce, no clássico de hoje, o sagrado direito de jogar em sua casa. O Fluminense, no início da semana, voltou a se refugiar em Édson Passos, enquanto o Flamengo encontrou morada na Ilha do Governador. O futebol do Rio, exceção feita ao Botafogo, caminha para limitar seus eventos para, no máximo, 20 mil torcedores.

Primeiro, cabe atribuir responsabilidade a quem tem. Da reforma à concessão, culminando no constrangedor silêncio atual, a relação do governo do estado com o Maracanã, que hoje se deteriora e impõe custos que podem passar dos R$ 700 mil por jogo, constitui um crime contra um dos mais importantes patrimônios da cidade.

Quanto a quem manda os jogos, cada caso tem suas nuances. São Januário é mais do que a casa do Vasco. É um monumento à história do futebol do Rio e o símbolo de identidade de um clube erguido pela força de sua gente. Natural e justo que receba o maior número possível de jogos.

Por sua vez, o Fluminense tinha, no Maracanã, médias de público inferiores ao necessário para evitar prejuízos insuportáveis, efeito colateral do mostrengo em que se transformou o estádio após as obras. Já o Flamengo, este sim, tem uma decisão difícil pela frente. E o jogo de hoje pode ampliar a pressão pela difícil escolha de um caminho.

O clube desenvolveu, ao longo da história, relação simbiótica com o Maracanã. Diante do desgoverno do estádio, a Ilha foi uma solução competente. E há um forte argumento para lá permanecer: no relato de seus dirigentes, o Flamengo se sente um “cliente maltratado” pelo Maracanã. Manter-se distante dele e fazer funcionar um campo alternativo são poderosos instrumentos de pressão sobre o governo e de asfixia do atual gestor.

Mas o curso normal da temporada indica que o time concorrerá na parte alta da tabela do Campeonato Brasileiro. A questão é com que rosto.

Em especial num clube de massa, a memória deixada por uma campanha tem relação, também, com o tamanho do cenário e com a quantidade de gente ao redor. Não parece razoável restringir o Flamengo, com o elenco atual e com jogos grandes a caminho, a um estádio para 18 mil rubro-negros.

A subida de rendimento do elenco cria uma demanda que sustenta a exorbitância de custos do Maracanã. E o uso do argumento técnico, segundo o qual a Ilha é aliada decisiva do time por exercer pressão sobre os rivais, dada a proximidade da torcida do gramado, tem valor. Mas subestima um elenco caríssimo: junta-se Diego, Éverton Ribeiro e Guerrero para concluir que o time depende de um alçapão. Um estádio que, aliás, trouxe como efeito colateral a radicalizaçaõ de uma política de ingressos que golpeia de morte a identidade de um clube popular.

Abandonar a Ilha seria um passo atrás e uma rendição a favor de um estádio que impõe condições extorsivas. Mas haverá momentos da caminhada que exigirão um cenário do tamanho do clube e capaz de atender mais torcedores, ou mais sócios-torcedores, estes convertidos em prioridade embora a Ilha acolha só 18% deles, um número para se ter atenção. Não é uma escolha fácil e talvez não haja certos ou errados na discussão. Errado mesmo é o dilema existir diante do silêncio do estado.

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