Um Flamengo entre o copo meio cheio e meio vazio

A grande questão é que hoje o Flamengo pode mais, merece mais e precisa de mais.

Guerrero, do Flamengo - Foto: Buda Mendes/Getty Images
ESPN FC: Por João Luis Jr., do Isso Aqui é Flamengo

Você pode ver pelo lado das atenuantes, claro. O Flamengo mais uma vez nesse Campeonato Brasileiro teve que lidar com uma arbitragem que faria um juiz de campeonato de faculdade, daqueles que bebiam mais do que os torcedores, ficar constrangido. Jailson de Macedo não deu um pênalti claro a favor do time rubro-negro, deixou de marcar faltas que geraram gols do Palmeiras, e com a ajuda de seus bandeirinhas ainda errou em alguns impedimentos que seriam capitais para o resultado do jogo. 2x2? Sim, mas talvez a história fosse diferente se o Flamengo tivesse tido um pênalti a seu favor logo no começo.

Ao mesmo tempo, por mais que o juiz tenha influenciado o resultado, por mais que tenhamos tido falhas de arbitragem, nada justifica que o Flamengo tome dois gols da maneira que tomou, em jogadas que misturam desatenção com desorganização e passam a ideia de que o único pré-requisito para fazer um gol no Flamengo é querer fazer um gol no Flamengo.

Seja a dupla de zaga, seja a descoordenação entre os laterais, sejam falhas dos volantes, o setor defensivo do Flamengo poderia escrever um artigo para a revista Nova sobre como manter o frescor nos relacionamentos, já que são homens que atuam juntos há meses mas conseguem se comportar como se só tivessem se conhecido ontem.

E acredito que a tônica da situação rubro-negra hoje seja essa dicotomia, entre aqueles que acreditam que vem sendo feito um bom trabalho, que precisa apenas de mais tempo, e aqueles que sentem que esse atual conceito de Flamengo já chegou ao topo do que poderia chegar e qualquer tempo a mais que seja dado não estará sendo investido mas sim perdido.

Aqueles que acreditam que estamos diante de um Flamengo que quase nunca perde e isso é bom e aqueles que pensam que estamos diante de um Flamengo que empata vários jogos que deveria vencer e isso só pode ser ruim. Aqueles que acreditam que Zé ontem não tinha o que fazer e não podemos colocar o resultado em sua conta e aqueles que pensam que um treinador precisa ter um caso grave de TOC pra seguir esperando até os 20 minutos do 2º tempo pra fazer substituições quando você tem um jogador como Éverton Ribeiro já sem condições físicas e errando tudo que tenta.

E ainda que eu tenha sido por muito tempo daqueles que defenderam o Zé Ricardo e acredite que estabilidade é sim uma solução que precisa ser tentada mais vezes no futebol brasileiro, a sensação é de que a capacidade do treinador rubro-negro de extrair boas atuações da equipe do Flamengo atingiu seu máximo. O time tem melhoras pontuais em alguns aspectos, seguidas de pioras pontuais em outros, não varia o estilo de jogo, segue insistindo em erros que pareciam estar superados, segue perdendo pontos essenciais e não fazendo jus ao investimento que foi feito.

O Flamengo, que tem um dos elencos mais qualificados e caros do Brasil, está agora 12 pontos distante do líder do campeonato, após conseguir apenas 2 pontos dos últimos 9 possíveis, sendo que 6 deles foram disputados em casa. Ainda que seja sim possível defender o trabalho numa análise micro (“foram jogos complicados”, “arbitragem atrapalhou”, “perdemos no detalhe”) é cada vez mais difícil não ver que existe potencial desperdiçado, uma estagnação da equipe e que estamos lidando com uma criança que recebeu um lego capaz de formar uma estação espacial e ela não só segue montando apenas um muro como ainda deixa o Rafael Vaz cobrar faltas por cima dele.

Claro, não acredito que demitir Zé Ricardo e trazer qualquer um seja a solução. Por mais que não esteja tirando o máximo da equipe, Zé segue um treinador promissor – tanto que defendo uma ideia já lançada por outros blogueiros rubro-negros de que o Flamengo deveria treinar e preparar o nosso atual treinador para comandar o clube no futuro, através de cursos, viagens, estágios com grandes treinadores internacionais – e não acredito que sua substituição por algum Ney Franco da vida fosse trazer alguma mudança positiva para a equipe.

A grande questão é que hoje o Flamengo pode mais, merece mais e precisa de mais. Alguns jogadores que são titulares não poderiam nem mesmo fazer parte do grupo, outros não vem atingindo seu potencial, seja por questões táticas ou de motivação, setores inteiros da equipe vivem panes que podem durar um tempo todo ou mesmo uma partida inteira. E ainda que nem tudo isso seja responsabilidade direta de Zé Ricardo – ele não pode ensinar Trauco a dar combate, por exemplo – começa a ficar cada vez mais intensa a sensação de que com ele as possibilidades de evolução se tornam mais e mais restritas. Mas claro, se ele for sair, que seja para o Flamengo ter o que merece, que é mais, e não alguém que vai oferecer menos ainda.

Sério, eu fiquei triste só de pensar no nome do Ney Franco.


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