Vitória do Flamengo tem "frio na favela" e falta de água para banho.

A torcida rubro-negra que compareceu ao estádio até improvisou canto famoso nos estádios brasileiros.

Foto: Staff Image
GLOBO ESPORTE: Nos pés dos Andes e bem próximo de duas estações de esqui de Santiago, o Flamengo conheceu na noite de quarta-feira o "refrigerador" San Carlos de Apoquindo. Não é só pelo frio no mês de julho o apelido do estádio da Católica, mas por certa fama - segundo a velha gozação de rivais locais - de pé frio do time da casa.

A volta do Flamengo ao estádio da Católica - onde perdeu em março por 1 a 0 pela Libertadores - e as patinadas do time no início do segundo tempo, quando levou virada relâmpago, pareciam que fariam jus ao "refrigerador" contra o Palestino. Os menos de três mil torcedores palestinos - muitos até receberam ingressos de graça - e os cerca de 100 flamenguistas terminaram vendo um jogo emocionante e bem curioso.

Confira as principais atrações da noite dos 5 a 2 do Fla contra o Palestino.

"Frio na favela"

Não era brincadeira a sensação términa no estádio chileno. De jogadores a dirigentes, passando por torcedores, todos estavam completamente cobertos. Alguns ficavam somente com os olhos para fora, com gorro e cachecol cobrindo boca e nariz. Bem-humorada, a torcida rubro-negra que compareceu ao estádio até improvisou canto famoso nos estádios brasileiros: "Favelaaaaa, favelaaaaa, favelaaaaa, frio na favela".

Alô, corneta!

A diretoria do Flamengo ficou bem próxima dos torcedores do Palestino e da área onde ficava a imprensa. Com o estádio praticamente vazio, era possível ouvir as cornetadas do diretor de futebol Rodrigo Caetano - também os gritos do gerente de futebol Mozer no gol de Damião, elogiando e aplaudindo o atacante.

Entre Bandeira e Fred Luz, Caetano não sossegou. Pedia falta, cartão, gritava quando um jogador do Fla recebia entrada mais dura e não deixava barato.

- Eiiii! Pênalti! Tá louco?! - gritou com menos de 5 min em lance com Everton na área do Palestino.

Futebol Sul-Americano

Na Copa de 1962, no Chile, a cena de um cachorro que driblou Garrincha dentro do campo ficou famosa. A tradição de cães nos estádios não pertence apenas às "canchas" chilenas, mas voltou na noite fria do San Carlos de Apoquindo. Um cachorro "invadiu" as sociais no segundo tempo e atravessou o corredor em frente aos camarotes. Naquele momento, o jogo estava tão elétrico - com duas viradas em pouquíssimos minutos - que poucos deram atenção ao simpático visitante do mundo animal.

A corneta caseira: "Cadê o Guerrero?"

A proximidade com o campo e o estádio menos barulhento ajudaram num contato inusitado. O torcedor do Palestino Nader Yusari, de 26 anos, talvez depois de tomar uns pisco sours a mais - a bebida típica do Chile - gritava e provocava todos jogadores do Rubro-Negro que passassem em seu setor nas sociais. Mas coube a ele também fazer um pedido atípico:

- Perguntei ao treinador por que não trouxe o Guerrero. Para mim, ele é o maior 9 do mundo. Mas ele respondeu em português, que não podia, algo assim - contou o torcedor do Palestino, que no fim da goleada provocou Berrío e chamou Éverton Ribeiro para mandar gestos nada carinhosos.

A gota d´água (gelada)

Para completar a noite bem maluca do "refrigerador", um problema no aquecedor do estádio fez com que o vestiário do Flamengo ficasse sem água quente. Obviamente ninguém se arriscou a entrar e tomar um banho de água fria debaixo de um frio de quase zero grau.

- Dá não. Melhor ir para o hotel - diziam os jogadores deixando o estádio.


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