Zé revela apreensão de jogadores do Flamengo em São Januário

Zé Ricardo revelou os momentos de "agonia" no estádio do Vasco.

Zé Ricardo, treinador do Flamengo - Foto: Gilvan de Souza
ESPORTE INTERATIVO: A violência de São Januário atingiu mais forte quem estava nas arquibancadas, mas afetou a todos: imprensa, famílias e até jogadores e comissões técnicas. Em "silêncio" desde o incidente, no sábado (8), o Flamengo manifestou-se pela primeira vez nas palavras do treinador Zé Ricardo, que revelou os momentos de "agonia" no estádio do Vasco.

"Existiu a agonia de querer estar perto das pessoas que a gente gosta e não poder. A gente sempre tem família ou amigos nos jogos, mas a gente sabia que esse era mais arriscado. Muitos parentes de atletas foram ao jogo e eu via a expressão de preocupação. Todo mundo foi prejudicado", disse após a reapresentação da equipe, nesta segunda-feira (10), no Ninho do Urubu.

"É lamentável. Acompanhei em parte dentro do campo e fui um dos primeiros a sair. Tentei retornar ao campo para ver o que estava acontecendo. A segurança do clube pediu pra que eu retornasse, porque o clima tinha esquentado bastante. A nossa sociedade vive uma crise até de civilidade. É muito mais amplo do que uma briga pós-jogo. É muito mais profundo. Sou professor e tenho certeza absoluta que isso vai encontro ao que a gente pensa. Está passando de geração para geração e a consequência é muito ruim", continuou.

O treinador do Flamengo, também, comentou sobre a decisão desta segunda-feira (8) do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), de interditar o estádio. Para Zé Ricardo, o Estado precisa tomar medidas mais duras para combater a violência "na raiz".

"Logicamente que não (resolve o problema). Isso não é a causa, é o efeito. A solução é muito mais profunda. É um investimento que tem que ser feito na base, na educação, com uma conscientização de todos os envolvidos diretos. Temos que tomar decisões firmes para que isso não volte a acontecer. Daqui a pouco, vamos ter uma tragédia. Pode ser minha esposa, meu filho ou parentes de vocês. Se não tomarmos decisões firmes, isso vai voltar a acontecer. Interditar estádio ou não deixar torcida comparecer é só mais uma ferida para o nosso futebol".


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