Zé Ricardo não deve sobreviver a novo tropeço do Flamengo

É grande a pressão para a demissão do treinador e não dá para prever até quando Eduardo Bandeira e Rodrigo Caetano suportarão.

Zé Ricardo, treinador do Flamengo - Foto: Gilvan de Souza
GILMAR FERREIRA: Era evidente que um novo tropeço do Flamengo na Arena do Urubu deixaria Zé Ricardo em situação embaraçosa.

Senão, vejamos: expectativa grande por conta da seleção montada por Rodrigo Caetano, casa lotada à espera do triunfo, terceiro jogo seguido sem vitória...

Qualquer técnico sairia chamuscado num cenário como esse.

A torcida rubro-negra não aceita que a "Sele-Fla" seja dirigida por um treinador sem grife, e desconta no "prata-da-casa".

Mesmo que ele tenha perdido apenas 13 das 84 partidas oficiais em que comandou o time _ venceu 47 e empatou 24.

ESTÁ CERTA a torcida quando cobra do Flamengo um time ofensivo, determinado a vencer os jogos e que apresente bom nível técnico.

Mas se equivoca quando atribui unicamente ao treinador a culpa pela ausência de vitórias.

E exagera quando diz que não houve evolução de 2016 para 2017.

Pois houve.

Na quinta rodada do Brasileiro do ano passado, o time ocupava a sexta posição, com 24 pontos, sete vitórias, cinco derrotas e dois empates.

Agora, é o quarto, com 25, seis vitórias, sete empates e duas derrotas.

Venceu uma a menos, mas também perdeu três a menos...

Empatou cinco a mais, é verdade.

ATÉ ENTÃO, a queixa da torcida era para o excessivo número de gols que o time sofria _ em especial nas bolas aéreas.

Tinha 18 gols feitos e 18 contra, e hoje tem dez de saldo, com 22 marcados e 12 sofridos.

É amostra inegável de que o time evoluiu, embora o número de empates comprometa o todo.

A queda de produção de jogadores de meio-campo como Willian Arão, hoje barrado, e Diego explicam muito da "ofensividade estéril" do Flamengo.

Berrío não trouxe a resposta desejada e a dupla Everton Ribeiro e Geuvânio ainda buscam a regularidade.

SE ANALISADA com frieza, a série de cinco jogos contra São Paulo, Vasco, Grêmio, Cruzeiro e Palmeiras foi a mais difícil encarada entre os postulantes ao título.

E os oito pontos (53%) conquistados não estão longe da média de aproveitamento para quem briga na parte de cima da tabela.

Ainda assim, o cenário não é dos mais favoráveis.

Pois, curiosamente, três dos quatro primeiros do ano passado não atravessam bom momento.

Dorival Júnior caiu no Santos, Roger foi demitido pelo Atlético-MG e até o "inquestionável" Cuca é visto de soslaio pelos palmeirenses.

O outro, evidentemente, é Zé Ricardo.

É grande a pressão para a demissão do treinador e não dá para prever até quando Eduardo Bandeira e Rodrigo Caetano suportarão.

Um novo tropeço será fatal...


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