Confira os pontos fracos de Flamengo e Botafogo

O confronto que abre a semifinal da Copa do Brasil põe frente a frente ideias de jogo distintas.

Miguel Trauco em Flamengo x Botafogo - Foto: Gilvan de Souza
GLOBO ESPORTE: contraste de expectativa e realidade e da diferença de investimento e formações de equipe voltam a campo no quarto duelo entre Botafogo e Flamengo no ano. Da força da grana do Rubro-Negro (com R$ 60 milhões em contratações e folha mensal de R$ 10 milhões) e investimento mais recente no técnico Reinaldo Rueda, atual campeão da Libertadores, ao pragmatismo e disciplina tática do Alvinegro, simbolizado pelos comandados de Jair Ventura. O confronto que abre a semifinal da Copa do Brasil põe frente a frente ideias de jogo distintas.

Na estreia de Reinaldo Rueda pelo Flamengo e no 78º jogo de Jair no comando do Botafogo, o GloboEsporte.com lista abaixo pontos vulneráveis das duas equipes que podem ser explorados pelos rivais. Não se trata de um mapa da mina – até por que, nos grandes jogos, o imponderável e imprevisível podem mudar quaisquer prognósticos –, mas de características que os treinadores devem se debruçar para saírem vitoriosos às 21h45 (de Brasília), no Nilton Santos.

OS PONTOS VULNERÁVEIS DO BOTAFOGO

BOLA AÉREA

O fantasma já é antigo e vem assombrando os alvinegros desde o ano passado. Em 2016, 21 gols sofridos em jogadas aéreas pela equipe de Ricardo Gomes no primeiro semestre e de Jair Ventura no segundo. O atual técnico da equipe conseguiu trabalhar bastante esta deficiência da defesa, e encontrou na dupla Carli e Igor Rabello duas torres gêmeas que juntos costumam ir muito bem pelo alto. Mas quando não conseguem tirar... Já foram 16 gols de bolas alçadas na área em 2017.

As recentes derrotas para São Paulo e Palmeiras, dentro do Nilton Santos, passaram fundamentalmente por gols em chuveirinhos e ressuscitaram o velho fantasma, que até então estava sumido.

O Flamengo coloca muitas bolas na área - o que gerou críticas ao ex-treinador Zé Ricardo. O artilheiro da temporada Guerrero não joga, machucado, mas ainda assim conta com bons cabeceadores que vão tentar tirar proveito de boas estaturas, especialmente nas bolas paradas. Casos de Réver e Juan, por exemplo. Em 2017, dos 97 gols marcados pelo Flamengo, 21 deles foram de cabeça.

LADO DIREITO

Luis Ricardo ainda não é o mesmo jogador que estava voando ano passado até sofrer a grave lesão no tornozelo, uma fratura que o afastou cerca de 10 meses dos gramados. Voltou agora e já precisou entrar na fogueira e ser testado à vera. O então titular Arnaldo também se machucou, e ele foi titular em cinco dos últimos seis jogos do time. Nitidamente ainda sente a falta de ritmo de jogo, e pelo seu setor Palmeiras e Atlético-GO conseguiram chegar ao gol do Alvinegro.

Fato é que Luis Ricardo tem se preocupado mais com a defesa neste seu retorno aos gramados, mesmo sendo um jogador de características ofensivas – ano passado, foi o garçom do time com 12 assistências. Mas é justamente por ali que o Flamengo tem o seu jogador de maior rendimento na temporada: o ensaboado Everton. Além da falta de ritmo, o lateral também não é mais um garoto. Aos 33 anos, e contra um atacante de velocidade, precisará ainda mais do apoio de Bruno Silva.

Pelo lado esquerdo de ataque do Fla, Everton, um dos principais jogadores do time na temporada, é promessa de sufoco para Luis Ricardo.

PROPOR O JOGO

Rueda conheceu bem o time de Jair na Libertadores: foram dois jogos dirigindo o Atlético Nacional, da Colômbia, com duas derrotas. Se tirou alguma lição dos confrontos, é que precisa ter cautela para atacar o Botafogo, uma equipe disciplinada no sistema de marcação e armada para matar os jogos nos contra-ataques. Mas quando precisa propor o jogo, geralmente encontra dificuldades, como aconteceu por exemplo diante do Barcelona de Guayaquil e o Avaí no Nilton Santos.

É bem verdade que Jair encontrou uma solução para essa dificuldade em jogos recentes: contra Atlético-MG (Copa do Brasil), Nacional-URU (Libertadores) e Grêmio, adotou a tática rolo compressor, empurrado pela torcida, para estufar as redes do adversário nos minutos iniciais. Quando dá certo, o time fica em vantagem e confortável no seu melhor estilo "armadilha". Se o Flamengo, que pode vir com três volantes e recuado, conseguir suportar a pressão inicial, pode fazer o Alvinegro experimentar do próprio veneno.

FATOR INTENSIDADE

Jair nunca escondeu que o segredo do sucesso alvinegro é a intensidade, jogar na superação, nos "110%" segundo o próprio treinador. Ou, como é popularmente conhecido no futebol, com a famosa "raça". Combinado a isso, uma aplicação tática rigorosa para fazer da força do time o lado coletivo. Para conseguir superar esse Botafogo, o Flamengo vai precisar igualar na base da vontade. Ou, como nenhum time do mundo consegue manter o vigor físico os 90 minutos, poderá aumentar o desgaste dos adversários ficando com a posse de bola.

OS PONTOS VULNERÁVEIS DO FLAMENGO

INSTABILIDADE DE MURALHA

Rueda não trouxe seu treinador de goleiros. E deve ter escutado mais ou menos o seguinte sobre Alex Muralha. O jogador de 27 anos, com passagens por equipes pequenas até chegar e ganhar espaço no Figueirense, fez ótimo ano em 2015 e manteve o nível em 2016 pelo Flamengo. Não é que nesta temporada o goleiro não tenha se saído bem, mas a pressão por conquistas num time caro tornou qualquer falha do jogador supervalorizada. Ele levou gols defensáveis e atraiu críticas da arquibancada, aquelas mesmas que perseguiam Paulo Victor, hoje no Grêmio.

Inexperiente, o goleiro de 27 anos se abateu e sentiu. Diego Alves hoje é o titular absoluto. Muralha chegou a ser reserva de Thiago e não vem com sequência – o que ficou nítido no segundo jogo contra o Santos, quando errou pelo menos em um dos gols. É previsível que o Botafogo "experimente" o goleiro flamenguista na pressão inicial que os alvinegros vêm tentando fazer em jogos em casa. Um teste, perdoe o trocadilho, de fogo para Muralha justificar o apelido.

BURACOS NA DEFESA

O Flamengo tem um problema no lado esquerda de defesa que o Botafogo já conhece. Foi nas costas de Trauco que o Alvinegro fez um gol no Carioca. O peruano parou na marcação do árbitro e deixou Guilherme sozinho para cruzar para Roger marcar. Rueda viu o estrangeiro falhar domingo no Independência. É provável que o técnico colombiano entre com Renê, que ataca menos, mas é muito firme na marcação. A escalação é um mistério, mas o treinador precisa proteger melhor tanto o lado esquerdo quanto os buracos recentes do setor defensivo.

Sem Rhodolfo, a defesa deve ter Réver e Juan. O capitão não vive sua melhor fase, com falhas recentes. Depois de Márcio Araújo é quem mais entrou em campo no Brasileiro e foi poupado recentemente por desgaste físico. Na sequência de gols sofridos em contra-ataques, dois deles foram nas costas de Pará, outro em Rodinei, diante do Santos, sem falar nos lances contra Trauco, como no segundo gol do Palmeiras, na Ilha do Urubu.

Rueda não deve dar mais armas para Jair aproveitar, o que significa fechar mais a defesa. Cuéllar pode ser a novidade ao lado de Márcio Araújo e Arão. A ideia é ajustar a cobertura com dois zagueiros que não são tão velozes.

SAÍDA DE BOLA

Contra o Atlético-MG, Éverton Ribeiro sentiu um pouco o que Diego sofreu nas últimas partidas pelo Flamengo. Com jogo pelas pontas, com laterais e atacantes fazendo ultrapassagens, o desafio é fazer Vizeu, que não tem a característica de Guerrero, proteger e busca tabelas. Dialogar com Diego. Assim como o equilíbrio de William Arão para ajudar na criação sem desguarnecer a defesa.

Jair conhece bem o Flamengo e certamente vai encurralar Diego, que já não é mais um garoto, embora possa desequilibrar a marcação com inteligência e o talento que tem. A marcação por pressão do Botafogo promete também isolar Márcio Araújo. Ou seja, deixá-lo livre para saída de bola e apostar em qualquer erro do camisa 8 do Flamengo.

FATOR EMOCIONAL

O diagnóstico não era difícil: faltou reação ao time do Flamengo contra o Atlético-MG, disse Rueda na coletiva de apresentação. A fase instável deve nortear a pressão inicial da partida: um time cheio de confiança, entrosado, contra outro que tenta se recuperar em meio à motivação de troca de treinador. O desafio do estreante é fazer o time se portar bem organizado – e disciplinado – para segurar a pressão. Nos últimos cinco jogos, foram duas expulsões no Flamengo e gols sofridos que desarticularam o time.



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