Deixou chegar

Evidentemente, o Flamengo começa a se organizar melhor coletivamente também. Porém, o trabalho de Rueda ainda tem pouco tempo.

Diego, do Flamengo, dando "voadora em bandeirinha de escanteio - Foto: Gilvan de Souza
MAURO BETING: ESCREVE GUSTAVO ROMAN

No segundo ato do duelo entre o coletivo versus o individualismo, ganhou a maior qualidade técnica do Flamengo. As equipes entraram em campo espelhadas no 4-4-2. Do lado do Rubro-Negro, Cuellar e Arão por dentro. Berrío na direita. Everton na esquerda. Diego tendo total liberdade para encostar em Guerrero. E Pará improvisado na lateral esquerda. Já o Alvinegro veio com Rodrigo Lindoso e Matheus Fernandes centralizados. Bruno Silva e Guilherme nas extremas. João Paulo livre e Roger na referência.

O primeiro tempo começou prometendo mais futebol do que havia se jogado no Nilton Santos. Logo aos dois minutos, Roger centrou e Guilherme, livre, testou para fora. A resposta do Fla veio aos 13. Luís Ricardo falhou. Guerrero ajeitou o corpo e bateu rasteiro. Gatito fez ótima defesa.

Depois, infelizmente, a partida voltou a cair. Muitas faltas (marcadas e não marcadas pelo árbitro). A pelota pouco rolava. Muitas bolas longas. E sempre a defesa levando vantagem sobre os ataques. O panorama era o mesmo da semana passada. O time de Rueda com mais posse de bola e finalizações. O Bota esperando e buscando um contra-ataque que não chegava.

Na etapa final, o jogo seguiu sem andar. Mas ganhou em emoção. O Flamengo passou a ter ainda mais a posse de bola. Logo aos três minutos, Pará cruzou e Arão cabeceou com perigo. Aos 10, Guerrero tentou uma virada e a bola bateu na mão do zagueiro Marcelo, que estava com os braços abertos. Pênalti não assinalado pelo árbitro.

O clássico ficou morno. A torcida rubro-negra entrou em campo, vestiu a camisa e passou a apoiar e incentivar ainda mais o time. Rueda chamou Vinícius Júnior para entrar. Berrío ia deixar o campo. Porém, aos 25, o colombiano deu um drible desconcertante de letra em Victor Luís. Foi à linha de fundo e rolou para trás. Diego, que vinha apagado mais uma vez, acertou o pé e levou o Maracanã ao delírio. Um a zero. Berrío saiu literalmente nos braços da galera.

Precisando do empate, Jair tentou tornar seu time mais ofensivo. Tirou Matheus Fernandes, Rodrigo Lindoso e Guilherme e pôs Leandrinho, Gílson e Vinícius Tanque. Rueda perdeu Réver, lesionado. Rafael Vaz entrou em seu lugar. O Botafogo teve muitas dificuldades para tentar construir o jogo ofensivo. E o Flamengo se defendeu com inteligência, prendendo a bola sempre que possível no campo de ataque.

No fim, a classificação foi justa. Foram cinco oportunidades do Fla nos dois jogos contra uma apenas do Bota. A técnica individual venceu a força coletiva. Isso fica muito bem exemplificado no lance do gol. Um drible desmontou o sistema defensivo.

Evidentemente, o Flamengo começa a se organizar melhor coletivamente também. Porém, o trabalho de Rueda ainda tem pouco tempo. Será uma decisão extremamente equilibrada. Mas como o torcedor gosta de bradar a quem quiser ouvir: deixou chegar….


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