Flamengo: Título da Copa do Brasil representará 1,5% do orçamento

A quantia representaria 4,5% dos 191 milhões do orçamento do Botafogo para o ano.

Jogadores do Flamengo comemorando gol no Maracanã - Foto: Marcelo Cortes
ESPN: Após o empate sem gols na última semana, no Nilton Santos, Flamengo e Botafogo entram no gramado do Maracanã nesta quarta-feira, às 21h45 (de Brasília), pela semifinal da Copa do Brasil. Quem vencer garante a vaga na final, e um empate com gols beneficia o Botafogo.

Além da importância de eliminar um rival de uma disputa de título, o clássico ainda inclui um aspecto financeiro, com a premiação da competição e também a renda de mais um jogo com garantia de casa cheia.

Se para Flamengo a vaga é necessária para justificar aos torcedores os investimentos feitos para a temporada, a questão do dinheiro coloca o Botafogo como um possível maior interessado na classificação.

Assim como fará na semifinal, o Flamengo deve mandar uma possível decisão no Maracanã. No estádio, o recorde de renda neste ano foi registrado na partida contra o San Lorenzo-ARG, pela Libertadores, quando foram arrecadados R$ 3,68 milhões.

Já para o Botafogo, a melhor renda no ano também veio no torneio continental, na partida contra o Nacional-URU, no Nilton Santos, com R$ 2,47 milhões.

Como o campeão da edição 2017 do mata-mata nacional levará R$ 6 milhões (R$ 2,5 milhões para o vice). Assim, se repetissem suas melhores marcas nas bilheterias, o Flamengo poderia arrecadar R$ 9,68 milhões, enquanto o Botafogo somaria R$ 8,47 milhões.

Mesmo com um valor menor, o total representaria mais para o time alvinegro. A quantia representaria 4,5% dos 191 milhões do orçamento do clube para o ano. Já para o Flamengo, que após a venda do jovem Vinícius Júnior para o Real Madrid por 45 milhões de euros (R$ 167,19 milhões) estima ter receita de R$ 632 milhões em 2017, o montante representaria 1,5%.

Disputa também nos bastidores
A disputa entre Flamengo e Botafogo não se resume ao campo ou aos cofres. Nos últimos tempos o clima tem esquentado entre as diretorias dos clubes e são frequentes as notícias sobre discussões.

Em 2016 o primeiro desentendimento entre o presidente alvinegro, Carlos Eduardo Pereira, e o rubro-negro, Eduardo Bandeira de Mello, surgiu com a contratação de William Arão por parte do Flamengo. Depois de se destacar com a camisa do Botafogo em 2015, o jogador devolveu o dinheiro que tinha recebido para renovar seu contrato, optando pelo clube da Gávea.

No mesmo ano, o Flamengo tentou alugar o Nilton Santos para mandar seus jogos, mas o Botafogo se recusou, barrando até mesmo um Fla-Flu que aconteceria com o mando do Fluminense. Em 2017, o clube alvinegro acabou sendo obrigado a liberar o estádio para o clássico da Taça Guanabara.

Ainda com um estádio envolvido, o Flamengo ficou com a Arena da Ilha, hoje chamada de Arena do Urubu, que foi usada pelo rival na temporada passada. Quando um buraco se abriu próximo à uma arquibancada, e uma discussão de dirigentes sobre o assunto acabou acontecendo nas redes sociais.

O Maracanã também foi alvo de disputa. Os alvinegros chegaram a ir à justiça para cobrar direitos iguais aos dos rubro-negros na utilização do estádio, alegando um favorecimento ao Flamengo sobre ingressos, acessos, programas de torcedores, camarotes e publicidade. Em reunião na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, organizada para discutir o futuro do Maracanã, Carlos Eduardo Pereira dirigiu críticas à Bandeira.

"O Maracanã deve ser de todos, assim como é o Nilton Santos. Só o Flamengo não pode jogar lá, pois é um clube que não tem ética e trata os temas com modos inadequados", afirmou.

Já na Copa do Brasil a briga foi pela venda dos ingressos. O Flamengo acusou o Botafogo de ter descumprido o Estatuto do Torcedor no primeiro jogo, vendendo ingressos caros e fora do prazo determinado. Agora foi a vez do rubro negro, que começou a comercializar as entradas alvinegras apenas na segunda-feira, e com apenas um posto de venda.

Em fevereiro, uma confusão entre torcedores das duas equipes antes de um clássico no Nilton Santos deixou um torcedor botafoguense morto e outros dois ficaram feridos. Até por isso, a PM do Rio de Janeiro chegou a sugerir torcida única na Copa do Brasil, mas, mais uma vez, não houve consenso entre as diretorias.


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