Número de técnicos estrangeiros no Brasil sempre foi pequeno

O mais vitorioso foi Carlos Volante, um argentino que conseguiu o título do Brasileiro de 1959 pelo Bahia.

Reinaldo Rueda - Foto: Gilvan de Souza
TERRA: A declaração do técnico do Botafogo, Jair Ventura, de que a contratação do colombiano Reinaldo Rueda, pelo Flamengo, representa uma ameaça de mercado aos treinadores nacionais não condiz com o histórico dos grandes clubes brasileiros, principalmente os do Rio. São poucos os que vieram do exterior para assumir o comando dessas equipes ao longo das últimas décadas.

No Flamengo, por exemplo, já fazia 45 anos que um estrangeiro não treinava a equipe. O último que passou pelo Rubro-Negro foi o paraguaio Fleitas Solich, em 1971 e 1972. Desde então, o clube já trocou de técnico no time principal 112 vezes – incluindo-se os que ocuparam o cargo interinamente.

Os outros três grandes do Rio, Vasco, Botafogo e Fluminense, não tiveram nenhum técnico de fora pelo menos desde 2000. Para se ter uma ideia dessa relação distante dos cariocas com os gringos que escalam os times, o último deles a treinar o Vasco foi o argentino Filpo Nuñez, em 1960.

Filpo faria história no Palmeiras anos depois, ao dirigir o time que ficou conhecido como ‘Academia’ e chegou a comandar a seleção brasileira brevemente em 1965. O Alviverde também contou recentemente com o argentino Ricardo Gareca por um período curto em 2014, quando só esteve à frente do Palmeiras por 13 jogos.

No Corinthians, quem deu o ar da graça foi Daniel Passarella, um dos principais jogadores do futebol argentino e companheiro de Maradona na seleção de seu país. Ele teve passagem relâmpago pelo time em 2005 – contratado em abril, acabou demitido em maio, após derrota por 5 a 1 para o São Paulo. Desde então, o Timão não recorreu a mais nenhum técnico de fora.

Nas últimas décadas, o Santos também não registra a presença de estrangeiros dirigindo o time. Quem foge à regra no Estado é o São Paulo. De 1997 até os dias atuais, contou com quatro desses nomes: o uruguaio Dario Pereyra (1997/1998), o chileno Roberto Rojas (2003), o colombiano Juan Carlos Osorio (2015) e o argentino Edgardo Bauza (2016). Nenhum deles fez sucesso.

Em Minas, o Cruzeiro teve uma experiência desastrosa com o português Paulo Bento em 2016 – depois de mais de 40 anos sem um técnico estrangeiro na equipe -, e o Atlético-MG não ficou atrás. No final de 2015 e início de 2016 contou com o uruguaio Diego Aguirre na função. Mas os resultados não vieram e ele foi logo demitido.

Entre os grandes clubes do Brasil, o Grêmio também recorreu pouco aos técnicos do exterior. Nos últimos 20 anos, trabalhou com apenas dois deles – Dario Pereyra (2203) e outro uruguaio, Hugo de León (dezembro de 2004 a abril de 2005). Já o Inter conquistou o Campeonato Gaúcho de 2015 com Diego Aguirre. Anos antes, em 2010, contratou o também uruguaio Jorge Fossati, mas o investimento fracassou.

Entre todos que já cruzaram a fronteira para treinar no Brasil o mais vitorioso foi Carlos Volante, um argentino que conseguiu o título do Brasileiro de 1959 pelo Bahia.


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