Para Rimoli, Flamengo deveria ter trazido Rueda no início do ano

É o treinador 'de peso', respeitável para assumir o elenco milionário, montado por Eduardo Bandeira de Mello.

Reinaldo Rueda - Foto: Divulgação
COSME RIMOLI: Seu nome foi discutido no Palmeiras, Atlético Mineiro, Cruzeiro e São Paulo. O Corinthians tentou contratá-lo. Mas só agora, o Flamengo o traz para o futebol brasileiro.

Reinaldo Rueda.

É o treinador 'de peso', respeitável para assumir o elenco milionário, montado por Eduardo Bandeira de Mello. Que Roger não quis assumir, no lugar do demitido Zé Ricardo.

Aos 60 anos, ele chega no momento errado. Com o clube carioca mergulhado em uma crise política. Com a oposição trabalhando muito pelo fracasso do grupo de Eduardo Bandeira de Mello. O time estagnado no Brasileiro. Às vésperas da semifinal da Copa do Brasil contra o tradicional rival Botafogo. E ainda tentando sobreviver na Copa Sul-Americana.

E tendo o destrambelhado Berrío como o ex-jogador do Atlético Nacional para tentar explicar como é vida na Gávea.

Mas não há nem o que pensar. Rueda até abandonou seus estudos e aprimoramento tático que estava fazendo na Alemanha. Cancelou a viagem que faria para o Canadá para participar de um simpósio de futebol. Retornou para a Colômbia. E a imprensa do país garante que ele já aceitou a proposta do Flamengo. E chegará ao Rio de Janeiro.

Seu contrato irá até o final de 2018. Com uma cláusula que faz a diretoria do São Paulo ficar com arrepios. A liberação imediata, e sem multa, caso seja convocado para treinar a Seleção Colombiana. Exatamente como aconteceu com Edgardo Bauza e Argentina.

Mas a grande pergunta é qual o perfil de Rueda?

Jornalistas colombianos deixam claro que é um treinador agregador e moderno. E que costuma montar equipes ofensivas. Seu trabalho tático é intenso. Exige duas, três funções tática dos jogadores. Sincronia, movimentação constante do time sem a bola. E recomposição imediata, quando o adversário ataca.

Isso exige treinamento, preparo, entrosamento, entrega dos jogadores.

E tudo o que Rueda não terá é tempo.

Esse será o grande entrave.

Reinaldo terá de apelar para a didática, o seu perfil agregador e paciência. Não por acaso conseguiu colecionar campanhas excelentes nas categorias de base da Colômbia à toa. Chegou em terceiro e quarto em Mundiais. Classificou Honduras, depois de 28 anos para a Copa do Mundo de 2010. E era o treinador quando Equador fez ótima campanha nas eliminatórias e chegou até o Mundial de 2014.

Seu sucesso no Atlético Nacional não foi por acaso. Muito pelo contrário. Foi um trabalho meticuloso. E levou tempo. Desde 2015, ele montou a equipe que ganhou seis dos sete torneios que disputou. Só não teve chance de vencer a Sul-Americana porque não pôde disputar a final. Houve a tragédia com a delegação da Chapecoense.

Sua campanha na Libertadores de 2016 foi maravilhosa.

Ficou com o título.

E os prêmios de melhor treinador da América do Sul.

O Flamengo faz a aposta certa.

No momento errado.

Ele deveria ter sido contratado no início do ano.

Fazer a pré-temporada.

Mas o casamento terá de ser às pressas.

No ano passado, ele deu uma entrevista ao blog do meu amigo, Marcos Paulo Lima.

E já mostrou o quanto é diferenciado.

Por que o Atlético Nacional tem a melhor campanha da Libertadores?

Há vários fatores. Excelentes jogadores, concentração, obediência ao modelo de jogo e à metodologia de treinos. Não há segredo. É o DNA do Atlético Nacional, uma filosofia, um estilo que sempre deu preferência ao futebol coletivo, organizado.

Você adota algum estilo europeu?

A inspiração é o Barcelona, o time mais coletivo do mundo, na minha opinião, e que marcou época com um futebol atraente.

Pep Guardiola e Luis Enrique são algumas das suas referências?

Não. Vicente del Bosque. Ele conseguiu o que parecia inalcançável. Levou a Espanha ao título da Copa do Mundo com um futebol coletivo, atraente. E uniu socialmente Castilla e Catalunha, uma Espanha dividida, por meio da seleção. Isso é muito histórico, considero transcendental.

O futebol brasileiro não conquista a Libertadores há dois anos seguidos. Por quê?

Os clubes brasileiros são muito fortes. É um feito surpreendente dois times argentinos não terem permitido que o Brasil tenha sido campeão nos últimos anos. Porém, isso não quer dizer que os brasileiros estejam menos competitivos. São circunstâncias de jogo e equipes que fizeram a diferença nas últimas duas edições. San Lorenzo e River Plate, da Argentina, realizaram ótimos trabalhos com Edgardo Bauza e Marcelo Gallardo.

Você é formado em educação física e fez pós na Escola Alemã de Esportes. O que assimilou lá?

O mais importante que absorvi da escola alemã foi a intensidade, o trabalho em equipe, o espírito coletivo. Isso tem sido um diferencial no futebol da Alemanha.

Você também cursou a Escola de Treinadores da Uefa…

Eu recomendo a todo treinador sul-americano, se tiver a oportunidade, que estude na Europa, viva um pouco na Europa, observe o futebol lá de perto. É um grande complemento para o nosso futebol sul-americano. Uma chance de observar métodos de treinamento, conceitos do que é, tanto a vocação ofensiva, agressiva do futebol europeu, quanto defensiva. Asseguro que é uma experiência marcante na carreira de um treinador, estimulante para aplicar no dia a dia de trabalho na América do Sul.

Você fez dois belos trabalhos nas divisões de base da Colômbia. Chegou à semifinal no Mundial Sub-20. Qual foi seu legado?

O legado mais importante é a qualidade dos jogadores que nós formamos, o trabalho que nós plantamos para o futuro do futebol colombiano e a formação humana dos nossos jogadores.

Em 2003, a sua Colômbia, que tinha Guarín e Mcnelly Torres, foi terceiro no Mundial Sub-20 dos Emirados Árabes Unidos. A Espanha, de Iniesta, o eliminou nas semifinais. O que deu errado?

Sem dúvida, nós demos o azar de cruzar com uma Espanha muito estruturada, que tinha Iniesta, Gabi, Juanfran… Foi uma partida intensa, muito parelha. Faltou eficácia para decifrarmos taticamente aquela partida. Se não fosse isso, nós teríamos chegado à final contra o Brasil (que foi campeão contra a Espanha).

Vê evolução no Brasil após o 7 x 1?

Dunga está tentando. Apesar da dificuldade nas Eliminatórias para a Rússia-2018, eu asseguro que o Brasil vai terminar em uma posição suficiente para ir à Copa mais uma vez. As Eliminatórias da América do Sul são sempre muito difíceis e decididas nas últimas três, duas rodadas. A partir da classificação, é outra história.

O que explica o 7 x 1?

Faltaram ao Brasil futebol e força psicológica. A Alemanha arrasou o Brasil e os jogadores descobriram muito cedo, no pior lugar possível, ou seja, em campo, que não tinham capacidade de competir com a Alemanha.

Qual técnico brasileiro o inspira?

Telê Santana é a maior referência do futebol brasileiro. Aquela Seleção Brasileira da Copa do Mundo de 1982, na Espanha, é uma das melhores que vi jogar.


Marcadores:

Postar um comentário

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

Tecnologia do Blogger.
Javascript DisablePlease Enable Javascript To See All Widget