Parreira diz que Rueda tem condições de dirigir o Flamengo

O treinador afirmou que compreendeu a declaração de Jair Ventura, do Botafogo, após o Flamengo fechar com o colombiano Reinaldo Rueda.

Foto: Reprodução
SPORTV: Campeão do mundo em 1994 com a seleção brasileira, com passagens pelo futebol de Espanha, Turquia, África do Sul e Arábia Saudita, Carlos Alberto Parreira opinou sobre a qualidade dos técnicos brasileiros e estrangeiros, no "Tá na Área". O treinador afirmou que compreendeu a declaração de Jair Ventura, do Botafogo, após o Flamengo fechar com o colombiano Reinaldo Rueda.

Parreira defendeu que, assim como os brasileiros no exterior, os estrangeiros precisam ter algum certificado para atuar no Brasil. Mas ressaltou que Rueda é bastante qualificado.

- Eu entendi perfeitamente o que ele quis dizer. Em 1976, eu fui trabalhar no Kuwait com o Zagallo. Naquele momento, não se exigia nada. Hoje, para um profissional brasileiro trabalhar no exterior, seja na Ásia, na África ou na Europa, se ele não tiver um diploma, um certificado reconhecido, ele não trabalha. Ele é impedido. Por outro lado, no Brasil, vem quem vier, de onde chegar, sem nenhuma qualificação. Você não conhece às vezes quem é. No caso do Rueda, muito bem. A gente sabe que ele é qualificado, que tem condições de dirigir o Flamengo - disse Parreira.

- O importante é isso, é a gente qualificar os profissionais que vierem. Não é criar dificuldade. Que eles sejam realmente credenciados para trabalhar no futebol brasileiro, que possam aportar alguma coisa, porque o intercâmbio é fundamental. Acho bacana vir um técnico colombiano, um europeu, para troca de ideias - completou.

Ao chegar ao Flamengo, Rueda comentou que seu primeiro curso para treinador tinha sido de Parreira. O brasileiro não se lembrava do antigo aluno, mas ficou feliz com a lembrança do colombiano.

- Fiquei surpreso, porque fiz dois congressos aqui na Sul-Americana. Um foi em 1971. O outro foi na Colômbia, com um técnico alemão, eu e o Bonetti. Não sei de qual dos dois ele participou, mas foi há bastante tempo. Bacana que ele tenha lembrado, é porque ele deve ter gostado do curso, pelo menos. Fiquei feliz, gostei. Quero dar um abraço de boas-vindas, que ele tenha muita sorte. Esse intercâmbio é importante, ainda mais com um profissional gabaritado como ele.

Parreira lembrou que fez cursos na Alemanha, na década de 1960, e diz que os brasileiros estão atrasados nesse quesito, já que a CBF só começou a ministrar cursos em 2005.

- Em 1968, fiz os cursos da Federação Alemã de Futebol. Eles têm 23 associações que fazem os cursos A, B, C e profissional. Isso ele fazem há 60 anos. Nós estamos atrasados "só" 70 anos. Precisamos de tempo para que os profissionais façam o curso C, depois o B, o A e o pro. Em 10 anos, vamos ter um número no mercado de profissionais gabaritados e chancelados, com certificados, para se apresentar no futebol mundial.

Além da falta de uma licença válida no exterior, Parreira acredita ainda que os brasileiros tiveram sua reputação prejudicada por maus técnicos no passado.

- Foi muita porcaria lá para fora, foi muita gente sem qualidade, muita gente que não tinha a menor condição de ter ido. Foi porque tinha um empresário amigo, um técnico amigo. Por razões várias, foi muita gente que não estava preparada. Isso atrapalha a qualidade do trabalho, atrapalha a reputação do país.

O técnico do Tetra defendeu a regulamentação da profissão no Brasil e lembrou que, após deixar o Valencia, o clube espanhol precisou quitar todas as suas obrigações com ele antes de contratar um novo treinador.

- A profissão não é regulamentada como deveria ser. E deveria criar uma estrutura que, não é para proteger o técnico, mas para dar condições e segurança para ele trabalhar. Então o clube quer mandar embora? Manda, mas tem que cumprir as obrigações contratuais. Na Espanha, onde eu trabalhei, se o clube não cumprir as obrigações contratuais, ele não pode contratar outro profissional.

Embora acredita que o futebol brasileiro precisará de tempo para adotar uma cultura semelhante, Parreira vê desejo de mudança no país e prevê um prazo, até que novos profissionais consigam a profissionalização do esporte.

- Essa realidade está muito longe ainda, de todo mundo aceitar. Por exemplo, o clube que não cumprir as obrigações fiscais é rebaixado. Quando é que você acha que isso vai acontecer no Brasil? Olha a força política disso. Nós vamos chegar a este ponto, em algum momento (...) Em 15 anos, a gente vai sanear o futebol brasileiro. É uma cultura que vai demandar muito tempo ainda. Já existe um desejo de mudança. Vamos torcer para que alguém vá para a Europa, faça um bom trabalho e haja esse reconhecimento. Condição, nós temos.


Marcadores:

Postar um comentário

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

Tecnologia do Blogger.
Javascript DisablePlease Enable Javascript To See All Widget