Rever sistema, recuperar moral... As lições de Rueda no Flamengo

O cenário para a chegada de Reinaldo Rueda ao Flamengo assusta.

Vinicius Júnior em Atlético-MG x Flamengo - Foto: Staff Image
GLOBO ESPORTE: Três derrotas consecutivas no Brasileiro e queda na classificação – de segundo ao sétimo lugar em 10 rodadas. Dezessete gols sofridos nas últimas 10 partidas – de todos esses jogos só não foi vazado pelo Palestino nos 5 a 0 da Sul-Americana. A liderança, que estava muito distante, agora é uma miragem. O cenário para a chegada de Reinaldo Rueda ao Flamengo assusta.

O técnico começa sua vida no Rubro-Negro nesta segunda-feira. Munido de cadernos – o de Bernardo Redín tinha até uma capa com o símbolo do clube -, cada um dos novos integrantes da comissão técnica do Flamengo fazia suas anotações durante a partida. Rueda não chegou a trocar ideias de time com Jayme de Almeida sobre os jogadores, mas buscou informações com analistas de desempenho do Rubro-Negro.

Numa partida bem irregular, com pouquíssimos momentos positivos, Rueda e sua equipe podem tirar lições valiosas. O GloboEsporte.com também anotou e fez observações que podem servir ao novo treinador colombiano do Flamengo.

Confira pontos fracos, o que pode melhorar e também algumas poucas lições positivas do time que Rueda assume nesta segunda.

Ajustes defensivos

O lance do pênalti de Trauco, com bola em velocidade por trás do lateral depois de um chutão do goleiro Victor, é um problema recorrente do Fla de 2017. Embora tenha caído de rendimento nas últimas partidas, o peruano trabalha bem com a bola no pé, principalmente quando procura Guerrero. Tem como marca bons chutes de fora da área (fez quatro gols) e passes de autênticos meias – a posição de origem, por sinal. Mas, além de não ser tão veloz, é comum vê-lo perdendo o tempo da jogada – como aconteceu nesse domingo, no Horto, em seguida ao gol do Atlético-MG.

A cobertura, com dois zagueiros muito altos e que também não são velozes, precisa de ajustes. O lance do pênalti em Luan envolve precipitação também de Trauco, mas o ideal é não deixar a bola sair com espaço do setor de meio de campo. O que é tarefa dos meio-campistas e dos atacantes de lado de campo. Todos devem ajudar para fechar espaços e incomodar quem fica com a bola.

Esse desencaixe do Fla já custou alguns gols de contra-ataque. O gol sair depois de chute de goleiro também não é algo novo no time rubro-negro. Contra o Santos, Diego Alves bateu tiro de meta e foi buscar a bola dentro das redes depois de 11 segundos.

Time abatido

Jayme disse que o Galo teve mais vontade. Réver concordou. Durante o jogo, foi possível ver ora Rhodolfo, ora Réver e William Arão pedindo vibração. Depois do gol de pênalti de Fabio Santos, o Flamengo atacou menos e incomodou pouco. Após a partida, jogadores saíam cabisbaixos - denotando ambiente nada propício para recuperação no Brasileiro.

De perfil calmo, muito educado, mas que cativa atletas, Rueda vai precisar da ajuda de Bernardo Redín, auxiliar que deve ficar mais próximo dos atletas, para levantar o astral dos jogadores.

O ex-zagueiro do Flamengo Erazo, hoje no Galo, foi dar um abraço no "profe" antes do jogo e disse que Rueda tem virtudes para encarar um momento desses, com muita pressão. Lembrou que Rueda é verdadeiro no contato com os atletas e consegue unir o grupo. Confira o depoimento.

O caso Márcio Araújo

É muito provável que você tenha recebido memes da chegada de Rueda que envolviam Márcio Araújo. Seja de um áudio com voz em espanhol e bem-humorada, dizendo que “Araúxo es el diez”, às anotações do treinador com avaliação positiva apenas do camisa 8. Rueda não tem nada com isso. Nem Márcio, que é um atleta dedicado e querido no grupo de jogadores.

Mas, embora experiente e até certo ponto imune a tantas críticas e campanhas contra sua presença em campo, o jogador parece sentir a pressão desde que Zé Ricardo lhe deu mais liberdade em algumas partidas antes da demissão – reforçado por entrevista ao “O Globo” em que o agora ex-treinador dizia que treinava Araújo para melhorar sua contribuição ofensiva.


Algumas arrancadas no segundo tempo do jogo - confira duas delas em destaque com o perfil @notavel no Twitter - saíam bastante da característica mais segura e menos, digamos, arriscada de Márcio Araújo no Flamengo. Márcio parece se sentir pressionado a produzir no ataque, para mostrar que pode servir também longe da sua função quase única nas partidas – recuperar as bolas, cobrir laterais e zagueiros. O resultado não é bom, com mais erros do que de costume do jogador ao tentar sair com a bola.

O técnico colombiano vai precisar de habilidade para lidar com o jogador mais criticado e questionado do elenco. Há a opção Cuéllar, que ele conhece bem, com passagens por seleções de base e principal da Colômbia. Além de Rômulo, que jogou muito pouco nos últimos tempos.

O que é que há, capitão?

Uma boa conversa com Réver será fundamental para Rueda. Símbolo do Flamengo que cresceu e disputou o título brasileiro no ano passado, ele vive momento irregular no time. Bom lembrar que a mudança constante de dupla de zaga – já jogou ao lado de Rafael Vaz, Donatti, Juan e Rhodolfo desde o início do ano - afeta o entrosamento no setor.

Um gol em que fica nítido esse desentendimento foi marcado por Ricardo Oliveira, na virada sofrida no Pacaembu. Réver vê o espaço que Juan deixa às suas costas e tenta se antecipar para cortar a cabeçada, deixando livre o veterano atacante.

Contra o Galo, com um a menos, Réver saiu na cobertura em cima do rápido Luan. Errou o bote no lance que terminaria no segundo do Galo – marcado por Rafael Moura. Inseguro, logo depois, recuou mal para Rhodolfo, que acabou fazendo a falta na frente da área – levando cartão amarelo.

Meias isolados

Éverton Ribeiro sofreu na pele nesse domingo o que costuma acontecer com Diego na equipe rubro-negra. Isolado entre jogadores de contenção no meio de campo (Araújo e Arão, que cai para a direita), atacantes de lado que não tem tanta característica de toque de bola (Geuvânio e Berrío, notavelmente) e um centroavante (Vizeu), Éverton Ribeiro foi cercado pela marcação atleticana e pouco rendeu no centro do campo.

De acordo com números do site WhoScored, que faz mapeamento de todos toques dos jogadores em campo, Éverton Ribeiro perdeu sete vezes a bola na partida – o maior índice ao lado de Cazares e Rafael Moura.

O Flamengo hoje joga num esquema definido com jogadores de velocidade pelas pontas. Mas falta aproximação aos jogadores que tentam pensar as ações no campo de ataque. Rueda precisa rever o esquema de jogo – em voga em quase todos clubes brasileiros da Série A - e buscar alternativa que lhe dê segurança na marcação aliada à qualidade para chegar em bloco no ataque.

O argentino Mancuello, embora tenha aproveitado pouco as chances que teve numa função recuada para marcar e atacar, deve ser um jogador melhor observado para modificar a estrutura do time. Até mesmo outra alternativa, recuando Diego para iniciar a saída de bola, pode ser viável. O camisa 35 costuma participar bastante da marcação – mas, é claro, pode cansar mais rápido.

A saída Berrío

Antigo conhecido de Rueda, Berrío deu mostras do que pode fazer contra o Galo. Partiu para cima de Fabio Santos e causou dificuldades ao lateral-esquerdo atleticano. Levou a melhor nos duelos individuais do início da partida e chegou a aparecer na área para finalizar, preenchendo espaço quando Vizeu saía do centro do ataque.

Com dedicação intensa na partida, Berrío cansou na segunda etapa, quando deixou de voltar para marcar. A velocidade, diferencial do colombiano, pode ser melhor alternativa de ser usada no segundo tempo de algumas partidas. Para revezar os jogadores de lado de campo, sobram alternativas a Rueda: além de Berrío, há Everton, Éverton Ribeiro, Geuvânio e Vinicius Junior.

O crescimento de Diego Alves

O técnico Rueda pode respirar um pouco mais aliviado. Contratado com festa da torcida do Fla, O goleiro com fama de pegador de pênaltis – que não curte muito ser chamado assim – está crescendo no gol do Flamengo. Se ainda não conseguiu pular no canto certo nas duas batidas contra (gols de Neilton, do Vitória, e Fabio Santos, do Galo) -, Diego teve grande atuação no Independência. Fez importantes defesas depois que o Atlético fez 2 a 0.

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