Rueda prega Flamengo aguerrido e tem 48 horas para mudar o time

É essa a missão do "mágico" Rueda em 48 horas: deixar o Flamengo mais perto de títulos para que o ano não seja perdido nesse sentido.

Reinaldo Rueda ao lado do escudo do Flamengo - Foto: Gilvan de Souza
EXTRA GLOBO: Reinaldo Rueda, 60 anos, com passagens por três seleções e título da Libertadores no currículo, foi apresentado ontem como novo técnico do Flamengo com o desafio de colocar a equipe em campo contra o Botafogo na primeira partida da semifinal da Copa do Brasil, amanhã, no estádio Nilton Santos. A chegada é mais um resultado do planejamento remendado na temporada. Não só pela saída de Zé Ricardo no meio do ano, como pela constante chegada de reforços sem tempo para um time se definir. É essa a missão do "mágico" Rueda em 48 horas: deixar o Flamengo mais perto de títulos para que o ano não seja perdido nesse sentido.

- Desde o avião já venho fazendo projeções. A tarefa é fazer a lista dos onze, alguns não podem jogar essa competição, outros não estão bem fisicamente. Tomara que os escolhidos possam fazer um bom jogo. Temos nesse momento respaldo da torcida, essa credibilidade, mas temos que ratificar com resultados - disse, calejado, o colombiano, que aguarda a documentação trabalhista para ficar à beira do gramado. Para o jogo decisivo, o técnico não deve ter o centroavante Paolo Guerrero, que segue em tratamento da lesão na coxa direita.

- Primeiro o respeito pelo momento do rival. Mas sabendo qual a filosofia do Flamengo. O futebol contemporâneo exige essa dinâmica. Tem que correr e ser agressivo, não apenas o jogo bonito. Esse é o nosso propósito para o Flamengo - avisou.

As primeiras palavras como novo comandante foram, aliás, o retrato da experiência, apesar de Rueda ter deixado se levar também pela mística rubro-negra. Assim como a projeção para o time, o discurso do colombiano foi baseado na projeção otimista de que fará um trabalho de longo prazo no clube, mesmo com a pressão por conquistas.

- A experiência mostra que é melhor começar do zero. Mas essa oportunidade do Flamengo não é todo dia. Tem um prestígio, um status - admitiu o técnico, com um inseparável caderninho de anotações.

Desde que acertou seu contrato até o fim de 2018, o treinador bota na ponta do lápis ideias do que pode fazer com o time do Flamengo. A palavra reação foi a mais dita na coletiva e no encontro com jogadores antes da apresentação. O time precisa de motivação diante da queda de produção especialmente no Brasileiro. E nada como um mata mata na Copa do Brasil com um clássico para virar a frequência.

- Hoje quando o presidente nos apresentou, senti que é um grupo jovem, mas experimentado. E estão com esse afã de revanche, de reagir. Sentem as derrotas - expôs o técnico, que tratou de não diferenciar estrangeiros de brasileiros, e destacou as lideranças de Juan, Diego e Diego Alves.

O estilo de jogo atual do Flamengo foi referendado pelo treinador, que armou no Atlético Nacional da Colômbia um time aguerrido e veloz. Segundo o diretor do Flamengo, Rodrigo Caetano, essa foi uma das razões para a investida no projeto de longo prazo. Rueda deixou claro que apesar do estilo, vai trabalhar sistemas de jogo distintos.

- O estilo é do Flamengo. Como equipe grande tem uma forma de jogar de muitos anos de história. A forma de jogo pode variar, os sistemas também. Falar no futebol é muito fácil, mas no campo é que tudo acontece. Esperamos que com os resultados a equipe ganhe confiança - projetou o treinador.

Fora de campo, Rueda e Flamengo conversam para que o técnico se inteire da filosofia de trabalho rapidamente. O preparador físico Carlos Velazco assume a função de campo e será orientado por Daniel Gonçalves, que passa a coordenador científico. A metodologia do Centro de Excelência em Performance será mantida, mas a execução ganha uma ideia personalizada, com Rueda e Bernardo Rédin como auxiliar. No contrato assinado ontem, Rueda e o clube estabeleceram multas para o caso de saída antes do fim de 2018, segundo o diretor Rodrigo Caetano nada específico em relação a seleção colombiana. Em caso de demissão, o treinador também recebe o restante do contrato. A volta à Libertadores sem vacilos como os recentes foi o fator decisivo.

- Valeria a pena independentemente da necessidade de resultado de curto prazo, acreditamos que temos boas chances de buscar novamente a vaga na Libertadores e contar com pessoas que conhecem muito esse caminho - enfatizou o dirigente.

Possível ausência de Guerrero é teste

Os dias seguidos de treinamento em período integral não devem ser suficientes para Guerrero estar em campo contra o Botafogo amanhã. O centroavante ainda segue tratamento e se não participar do coletivo com bola, o que é bastante provável, só será arma do Flamengo na partida de volta, na quarta-feira, dia 23.

Na ausência do peruano, o técnico Reinaldo Rueda terá a primeira oportunidade de mostrar a que veio no Flamengo. O natural seria colocar o jovem Felipe Vizeu para substituir o camisa nove no comando do ataque. Sem peças como Éverton Ribeiro, Rhodolfo e Geuvânio, o treinador pode apostar em uma equipe mais fechada, com três volantes, e trabalhar com Orlando Berrío como falso nove ao lado de Éverton, que volta ao time na Copa do Brasil depois de cumprir suspensão no Brasileiro.

O organizador das jogadas volta a ser Diego, que foi poupado nas últimas partidas. O meia vem revigorado e terá papel fundamental em uma formação que precisa de vigor para enfrentar o sistema defensivo alvinegro. Na zaga, Réver deve ganhar novamente a companhia de Rafael Vaz, que perdeu espaço para a chegada de Rhodolfo. Apesar disso, o veterano Juan é opção e foi elogiado por Rueda na apresentação no Centro de Treinamento.

Flamengo pede tolerância com Rueda e espera que filosofia implementada acelere adaptação

O trabalho de pouco mais de um ano do futebol do Flamengo não gerou conquistas relevantes, mas a aposta é que a chegada do técnico Reinaldo Rueda encurte a distância para o sucesso. A ideia é fazer o intercâmbio da filosofia que se consolida no clube com a experiência do treinador campeão da Libertadores.

O diretor Rodrigo Caetano, que lidera o processo há dois anos e foi um dos responsáveis pela profissionalização que atraiu o treinador, pediu que o futebol brasileiro no geral entenda que a adaptação leva tempo, mas que pode gerar frutos no futuro.

- Quando o Flamengo fez a opção de trazer um técnico com o currículo dele, teremos todos, diretoria, atletas, torcedores, uma tolerância, um prazo maior para que o trabalho seja desenvolvido. Podemos ter um aprendizado maior - defende o executivo, que demorou dois meses para mudar o discurso e apoiar a demissão de Zé Ricardo.

O trabalho do jovem treinador também é legado e será usado por Rueda. Através dos dados do Centro de Excelência em Performance e do Centro de Inteligência em Mercado, as informações sobre jogadores do clube e de rivais serão passadas para ajudar na adaptação do colombiano ao clube e ao futebol brasileiro.

- Vamos disponibilizar para eles o maior número de informações em relação aos atletas. A ideia de integração de todas as áreas foi passada para eles. A gente deseja absorver conhecimento e isso vai acontecer constantemente. Existe um método que a cada semana pode ser aprimorado e aí entra o conhecimento e a experiência deles para colaborar conosco - explicou Caetano.

O clube agora espera ter o visto de trabalho para Rueda ficar no banco de reservas contra o Botafogo, pela Copa do Brasil. O otimismo é grande. Hoje, ele vai observar o treinamento coletivo e dar ordens ainda longe do campo.


- O visto é um mero encaminhamento da documentação. Se não amanhã na quarta-feira eles talvez estejam regulamentados para exercer a profissão e estar no jogo á noite. Questão burocrática - frisou o executivo.

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