Técnico estrangeiro? Brasileiro foi campeão na Argentina há 50 anos

Já havia sido campeão por Corinthians e Palmeiras e ajudou a montar a seleção brasileira que seria dirigida por Vicente Feola na Copa do Mundo de 1958.

Foto: Divulgação
ESPN: Apesar de ter estreado pelo Flamengo na última quarta-feira contra o Botafogo, o técnico colombiano Reinaldo Rueda deve começar a mostrar mesmo seu estilo de trabalho a partir desde sábado, quando a equipe rubro-negra enfrentará o Atlético-GO, na Ilha do Urubu, no Rio de Janeiro, pelo Campeonato Brasileiro.

Com o visto de trabalho liberado somente na tarde de quarta, ele até pôde comandar o time na Copa do Brasil no mesmo dia, mas sem tê-lo treinado. Já na quinta (sem os titulares em campo) e na sexta conduziu as atividades no Ninho do Urubu e aplicou seus métodos. Todos sabem que um trabalho demora para dar frutos, mas Rueda também sabe que há uma grande dúvida sobre o futuro dele e que alcançar bons resultados imediatos é necessário para acalmar a todos.

Para estrangeiros, o futebol e a faltam de tempo costumam ser ainda mais cruéis. Mas é justamente um brasileiro que mostra que muitas vezes vale a pena ser paciente. Oswaldo Brandão, treinador que fazia corintianos e palmeirenses sorrirem, conseguiu isso na Argentina, onde treinou o Independiente em duas ocasiões. Na segunda, que até foi mais curta por opção do treinador, ele levou o Rojo ao título do Campeonato Argentino, em 1967.

Gaúcho da cidade de Taquara, nascido em 18 de setembro de 1916 e morto em 29 de agosto de 1989, Brandão treinou o Independiente de 1961 a 1963, sem ter conseguido títulos. Isso, no entanto, não inibiu um retorno em 1967, quando foi o primeiro treinador brasileiro campeão na argentina.

Ele teve em mãos um time bem forte, com muitos remanescentes da conquista das Libertadores de 1964 e 1965. Mas muitos historiadores e pesquisadores afirmam que o comandante gaúcho conseguiu melhorar o time, mexendo sobretudo no ataque.

Brandão aplicou o 4-2-4, mesma formação com que a seleção brasileira de Vicente Feola ganhou as Copas de 1958 e 1962. A linha ofensiva era formada por Bernao, Luis Artime, Héctor Yazalde e Aníbal Tarabini. Os três últimos foram a novidade no time, não estando nos títulos da Libertadores.

Em 1967, a Argentina também fez uma reestruturação nas competições do país. De 1931 até então, o torneio nacional compreendia apenas clubes da Grande Buenos Aires e da cidade de La Plata. Essa competição foi mantida e passou a ser chamada de Campeonato Metropolitano. A disputa nacional foi ampliada para times além desses limites, com equipes do interior e do sul . Em tese, a busca pelo título ficou mais difícil.

O Independiente não teve sucesso no Metropolitano, caindo na semifinal para o Racing. Mas no Nacional foi melhor do que o esperado. O time levantou a taça com incríveis 86,7% dos pontos conquistados, um recorde. Venceu 12 jogos, empatou dois e perdeu apenas um - para o San Lorenzo por 3 a 1.

A disputa pela taça foi com o Estudiantes de La Plata, que já tinham faturado o Metropolitano, e que estavam a dois pontos do Independiente na rodada final. Após 15 jogos, terminaram  invictos, mas quatro pontos atrás do time rojo (vale lembrar que naquela época vitória valia dois pontos).

Brandão foi aclamado pelos argentinos. Segundo o "Futebol Portenho", o treinador foi carregado nos ombros pelos jogadores. Uma reportagem de "O Estado de S. Paulo" revelou que nas partidas finais os jogadores, ao marcarem tentos, corriam até o banco de reservas para beijar o gaúcho, em agradecimento.

A campanha foi mesmo marcante. Não só pelo recorde de 26 pontos em 30 possíveis. O Independiente chegou a vencer os oito primeiros jogos. Marcou incríveis 43 gols, tendo Artime como o artilheiro máximo, com 11 tentos, e Yazalde como vice, com dez. Ganhou do Boca por 3 a 0 e do River Plate por 2 a 0.

A conquista repercutiu no Brasil, embora não com grande destaque. As páginas dos jornais "Folha de S.Paulo" e "O Estado de S. Paulo" registraram em notas o título na Argentina. Destaque maior foi dado pelo "O Globo", com a manchete "Carregado em triunfo o brasileiro Brandão".

Brandão tinha um contrato de três anos com os argentinos, mas após a conquista decidiu retornar ao Brasil. Ele esclareceu ao "O Estado de S. Paulo" o motivo da saída, um desgaste na relação com o presidente do Independiente, Carlos Radrizzani. Chegou a ser sondado pelo Boca Juniors, mas acabou mesmo voltando para sua pátria e assumiu o cargo de técnico do Corinthians.

No Brasil, Brandão era um treinador vitorioso. Já havia sido campeão por Corinthians e Palmeiras e ajudou a montar a seleção brasileira que seria dirigida por Vicente Feola na Copa do Mundo de 1958. Até o fim da carreira seria novamente campeão pelos dois grandes paulistas e pelo São Paulo.


Marcadores:

Postar um comentário

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

Tecnologia do Blogger.
Javascript DisablePlease Enable Javascript To See All Widget