Técnicos estrangeiros deixaram legado para o futebol brasileiro

Se sabe disso pela quantidade de vezes em que ele contou a história do dia em que foi demitido pelo Flamengo para a contratação do húngaro Dori Kurschner.

Bela Guttmann - Foto: Divulgação
FOLHA DE SÃO PAULO: Técnico de maior prestígio no Brasil na primeira metade do século 20, Flávio Costa tinha uma baratinha, um carro, o que não era comum no Rio da década de 1930.

Se sabe disso pela quantidade de vezes em que ele contou a história do dia em que foi demitido pelo Flamengo para a contratação do húngaro Dori Kurschner.

"Saí tão aborrecido que esqueci minha baratinha na frente da Gávea", lembrou Costa em 1992, mais de 50 anos após o episódio.

Kurschner veio da Hungria e foi o introdutor do primeiro sistema tático em um clube do Brasil. O WM, em que os cinco homens da defesa dividiam-se formando a letra M, e os cinco atacantes separavam-se com dois meias e três avantes, formando o W. Já existia na Inglaterra desde 1925. Chegou ao Brasil com doze anos de atraso.

E só veio por causa da contratação de um treinador estrangeiro, que deixou Flávio Costa tão nervoso a ponto de se esquecer do carro e ir caminhando para casa.

O Brasil ainda não era campeão mundial, não arrotava prepotência por ser penta, mas os treinadores daqui já se irritavam com a concorrência de quem vinha de fora.

Vinte anos depois, o São Paulo contratou outro húngaro, Bela Guttmann. Já havia dirigido o Milan quando veio ao Brasil orientando o time do Honved, da Hungria, na época ocupada pela União Soviética. A equipe enfrentou o Flamengo e o Botafogo.

Guttmann deixou ensinamentos táticos a Vicente Feola, seu parceiro de comissão técnica no time campeão paulista de 1957. No ano seguinte, Feola dirigiu O Brasil e usou ideias de Guttmann na conquista da Copa de 1958.

Não é de se desprezar o conhecimento deixado aqui por treinadores de outras nacionalidades. Dos mais modernos, como Bela Guttmann, aos mais durões, como o paraguaio Fleitas Solich, contratado pelo Flamengo depois de vencer o Campeonato Sul-Americano de 1953. José Lins do Rêgo era o chefe da comitiva brasileira. Derrotado, encantou-se por Solich e levou-o para o Rio.

O Flamengo foi tricampeão carioca sob seu comando. Na temporada 1959-1960, foi técnico do Real Madrid e levou Didi para a Espanha, mas foi demitido nas quartas de final da Liga dos Campeões.

Bela Guttmann marcava por zona, como outros times brasileiros. Fleitas Solich era diferente. "Ele nos ensinou muita coisa da preparação física e sempre marcávamos homem a homem", diz Evaristo de Macedo, que o teve como técnico.

O argentino Filpo Nuñez ganhou o Rio-São Paulo de 1965 e fez o Palmeiras ser chamado de Academia. É o único estrangeiro a dirigir a seleção, porque treinava o Palmeiras com camisa amarela e escudo da CBD no peito, na inauguração do Mineirão, contra o Uruguai.

Não se percebe, mas a influência estrangeira no futebol brasileiro é tão presente quanto no idioma. Você acende o abajur, come um sanduíche e toma um drinque sem notas. É assim também no futebol que você vê por aqui.


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