Um jogo para assustar o professor Rueda

Afinal, o colombiano chega ao Flamengo não apenas no meio da temporada, o que não tende a facilitar a adaptação.

Técnico Reinaldo Rueda - Foto: Divulgação
ESPN FC: Por João Luis Jr

Foi como se na preleção, antes do jogo contra o Atlético-MG, Jayme tivesse dito: “Vamos todo mundo errar tudo que a gente sabe, para o novo técnico entender melhor o que ele vai precisar corrigir”. E o time, talvez numa das primeiras vezes nesse ano, tivesse obedecido perfeitamente o plano do treinador. Flamengo tem dificuldades para armar jogadas e apela para o chuveirinho? Mostramos em campo. A defesa é descoordenada? Deixamos bem claro. A equipe é dada a lapsos absurdos de atenção em momentos chave? Pode marcar essa caixinha. Jogos que poderiam ser vencidos acabam indo pro ralo por uma combinação de erros coletivos e bizarras atuações individuais? Num dia em que o melhor jogador adversário foi o nosso próprio lateral-esquerdo isso ficou mais do que visível.

É impossível saber o que deve ter pensado Rueda assistindo de camarote a uma partida tão ruim. Terá o colombiano questionado sua decisão de vir para o Brasil? Terá o nosso provável técnico mandado um zap pro grupo da família dizendo que não vai poder visitá-los nem nos feriados? Terá o professor apenas dito que vai exigir 50% a mais de salário e o dobro de vale-refeição, fora a insalubridade? Mas uma coisa que sabemos é: Rueda vai ter muito trabalho com esse Flamengo, e é exatamente por isso que o sucesso dele vai depender também um pouco da paciência da torcida.

Afinal, o colombiano chega ao Flamengo não apenas no meio da temporada, o que não tende a facilitar a adaptação, como pode vir a estrear já numa competição mata-mata e ainda por cima em um clássico. E diante disso, por mais forte que seja a personalidade do professor, por mais que ele resolva impor seu estilo, por mais que ele, estudioso que é, já deva conhecer ao menos um pouco da equipe rubro-negra através de gravações de partidas anteriores, a principal fonte de informação dele será o atual treinador, Jayme de Almeida. Então as chances de mudanças bruscas, de alterações surpreendentes, de revoluções entre a partida de domingo e a de quarta são muito pequenas.

E já começa talvez por aí o exercício de paciência que a torcida vai precisar exercer ao menos por alguns meses. Márcio Araújo seguiu titular contra o Botafogo? Não quer dizer que Rueda sempre sonhou em treinar Marcinho, mas sim que Jayme disse que ele garante a segurança defensiva e Rueda achou cedo pra mudar. O time mostrou os mesmos erros das partidas anteriores? Não é com um treino e duas conversas que o técnico vai implementar uma nova filosofia de trabalho. Não quer dizer, é claro, que Rueda tenha passe livre e um ataque com Muralha e Rafael Vaz seja algo que vamos ter que aplaudir. Apenas que o começo dessa nova fase pode e tende a ter vários tropeços, mas oferece a possibilidade de render frutos muito positivos daqui a algum tempo.

Porque é mais ou menos isso que esperamos: o começo de uma nova fase. Uma fase com mais vitórias, uma fase com um futebol melhor, uma fase com mais gols, uma fase em que partidas ridículas como essa de domingo não se repitam. Vamos torcer para que Rueda se mostre o homem certo para guiar o time nessa direção e todos façam a sua parte para isso. Da diretoria até os jogadores, passando pela torcida que tanto pediu por mudanças e agora precisa saber lidar com as iminentes mudanças.

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