"Cruzeiro e Flamengo escreveram história", diz diretor de Marketing

Ele vê mobilização de clubes, CBF e TVs como exemplo, sem abrir mão de ajustes para o futuro

Foto: Arquivo Pessoal
DE PRIMA: Diretor de marketing do Cruzeiro, Marcone Barbosa avalia, neste papo com a De Prima, as ações realizadas para promoção da final da Copa do Brasil contra o Flamengo. Ele vê mobilização de clubes, CBF e TVs como exemplo, sem abrir mão de ajustes para o futuro

Qual o balanço em relação às ações promovidas tanto por Cruzeiro quanto por Flamengo para a final da Copa do Brasil?
Foi extremamente positivo. Um time sairia campeão. Mas Cruzeiro e Flamengo resolveram que a final da Copa do Brasil não se tratava de um jogo só do Cruzeiro e outro do Flamengo. Foram nossos jogos. Os clubes fizeram tudo o possível para promover as partidas, facilitando a vida do adversário em cada praça esportiva. O Cruzeiro foi bem recebido no Maracanã e, no Mineirão, foi a mesma coisa com o Flamengo. Esse trabalho em parceria facilitou os bastidores. Isso deixou o visitante sendo parte do espetáculo mesmo estando fora de casa. Isso foi importante o sucesso.

Essas ações tiveram início mais na cabeça dos clubes ou na da CBF?
Foi iniciativa dos clubes. Participei em 2014 da final contra o Atlético-MG. Foi uma aula para os clubes de como não se tratar bem uma decisão e como desenvolver ações para desvalorizar o espetáculo. Nos dias que antecederam, muita coisa aconteceu. O Atlético fez e o Cruzeiro tentou dar o troco. Tivemos uma final com cerca de 58 mil pessoas. Neste ano, os públicos foram, somando os dois jogos, cerca de 128 mil. Por consequência, a renda foi superior. Quando você trabalha para promover o jogo, funciona. E se trabalhar para depreciar, também consegue. A ideia surgiu com os clubes, a CBF entrou junto e posteriormente as emissoras detentoras dos direitos de transmissão.

Como vocês conseguem medir a adesão do torcedor nesses casos?
Percebemos o clima na cidade, o ambiente. No Rio, já houve um envolvimento muito grande das duas torcidas. Tinha muita camisa do Cruzeiro passeando. Isso é uma mostra que tudo o que fizemos de incentivar o jogo funcionou. Em Belo Horizonte, a mesma coisa. Nem precisamos abrir bilheteria física. Foi tudo pela internet. O engajamento das redes sociais foi muito maior. Quando o Cruzeiro se classificou, houve mais de 10 mil novas adesões ao programa de sócio torcedor entre a semifinal e o último jogo da final.

Como lidar com quem acha uma besteira, por exemplo, esse negócio de mascote de um ficar recepcionando mascote de outro no aeroporto?
Eu penso o seguinte. A ação em si não é o mascote recepcionar o outro. É os dois clubes trabalharem pela promoção do jogo. É para incentivar clima harmônico, para que a disputa fique dentro do campo e que a receita seja a maior possível para os clubes. Se vai ser com mascote, com torcedor dando volta no gramado, treinador dando entrevista junto… Isso é operacionalização da ação. A avaliação disso envolve gosto pessoal e isso deixa ação passível de crítica ou elogio. E é claro que não há nada que esteja pronto e que não possa ser melhorado. As ações vão servir de inspiração. Reduzir a crítica ao mascote é não entender a grandeza do que os clubes fizeram.

Qual a avaliação dessa medida da CBF de “turbinar” a promoção da final?
A participação da CBF e da emissoras que tinham os direitos foi fundamental para o sucesso de tudo. Até então, só com os clubes, era fora do campo. Quando elas entraram, ganhamos o jogo também, participando de fato do espetáculo. No jogo final, foi preponderante para amarrar e fechar com chave de ouro o que tinha sido feito. A final serve de lição para muita coisa para o futebol brasileiro. Cruzeiro e Flamengo escreveram história. Foi uma ação inicial. Uma ideia bem feita que tem vários pontos que podemos aperfeiçoar.

Pode ser meio prematuro, mas há lições tiradas para as próximas vezes?
Uma coisa que eu acho que já serve de lição para os próximos é que clubes, organizador, no caso a CBF, emissora e operador de estádio precisam começar a trabalhar com bastante antecedência. Neste caso, começou com os clubes e depois os atores foram se envolvendo. Temos que nos envolver desde o primeiro momento.

Vê um risco de que a Copa do Brasil fique mais importante do que a Série A?
Série A é Série A. Ser campeão brasileiro é sempre especial. Falo isso por termos sido recentemente. A torcida se envolve todo ano. Não vejo que uma coisa vá ofuscar a outra.



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