Gilmar Ferreira diz que já esperava vice do Flamengo: "Não tem time"

O Flamengo tem um bom elenco, investe milhões em capacitação e qualificação, mas ainda não tem um time.

Muralha em Cruzeiro x Flamengo - Foto: Doug Patricio/Brazil Photo Press/Folhapress
GILMAR FERREIRA: Passadas as primeiras 24 horas da final em Belo Horizonte, fica mais fácil entender porque o Flamengo não levou o troféu da Copa do Brasil, conquista festejada pelo Cruzeiro, num Mineirão apinhado de gente.

E ainda que contrarie a muita gente lembro que, pragmaticamente, o resultado final foi de certa forma lógico e esperado...

SIMPLESMENTE porque a construção de times vitoriosos se faz com bons jogadores, estratégias eficientes e tempo.

Receita que o clube tenta seguir na medida em que se profissionaliza e foge dos arroubos da paixão.

O Flamengo tem um bom elenco, investe milhões em capacitação e qualificação, mas ainda não tem um time.

PELO MENOS, um que esteja pronto, taticamente afiado, mentalmente preparado para assumir os desafios e atender às expectativas da torcida.

É claro que se avaliássemos a final sob a ótica do campeão também veríamos "senões" importantes.

Mas o time de Mano Menezes tem estágio mais adiantado do que de Reinaldo Rueda.

E isso diz muito!

CERTA VEZ, perguntei a Carlinhos, o violino, técnico campeão em 1987, porque ele reagia a tudo com tanta simplicidade em meio a decisões tão complexas.

E ele, com tranquilidade, cigarrinho entre os dedos, meio às escondidas, não pestanejou para responder:

"Porque futebol é simples. Vocês e os torcedores é que complicam", resumiu, pondo-se a rir.

CARLINHOS, que levou também o Brasileiro de 1992, acreditava na boa preparação, na repetição e na valorização do talento.

O tempo era um adversário a ser batido e por isso gostava de aproveitar os jovens da base, que já traziam certo entrosamento.

Reforços eram os que completavam a estrutura tática.

Chegou a deixar Sócrates na reserva, mas não abriu mão dos então questionáveis Aílton e Zinho.

O FLAMENGO entrou nesta Copa do Brasil à partir das oitavas, e não fez um só jogo de campeão.

Tanto que trocou de técnico no decorrer dela.

Ao contrário do Cruzeiro, moldado para vencê-la desde o início.

Mas rejeito a tentação de se atribuir o amargo "tetravice" do torneio a trabalho mal feito.

Porque se o título viesse nos pênaltis, raros ousariam critica-lo.

Por ora, há muito a ser aperfeiçoado até o duelo com o Fluminense pela Sul-Americana.

Mas pouco a ser desprezado...

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