Marluci Martins critica atitude do Flamengo: "Atentado ao Jornalismo"

O modelo ultrapassado, nefasto e ineficaz de Eurico Miranda é agora copiado pelo Flamengo em um formato ainda pior e bem mais covarde.

Nova capa do Jornal Extra contra o Flamengo - Foto: Reprodução
MARLUCI MARTINS: A censura contra o profissional de imprensa se torna ainda mais execrável quando é imposta por jornalista ou departamento de comunicação. Não falo por corporativismo, mas pela ideologia da profissão. E também pelo risco imundo exalado por quem tenta controlar a informação. Quem escolhe hoje o entrevistador está a um passo de querer amanhã selecionar a pergunta. Ou de exigir que se "despublique" a matéria do site.

Sim. O verbo "despublicar" não está no dicionário. É novo. E é retrógrado, embora no passado fosse impensável.

Já fui proibida lá atrás de entrevistar jogadores do Vasco. O modelo ultrapassado, nefasto e ineficaz de Eurico Miranda é agora copiado pelo Flamengo em um formato ainda pior e bem mais covarde. Porque, em São Januário, o dirigente sempre assumiu suas imposições e proibições por mais ditatoriais que pudessem parecer. Já nos limites rubro-negros, baixa-se agora a censura contra o jornalista do veículo que incomoda. E, quem assina a retaliação? Ninguém. Filho feio e incompetência não têm pai.

Vi, ao longo desses quase 30 anos de carreira, brilhantes assessores de imprensa apagando incêndios. Mesmo do lado de cá da redação, interesses às vezes conflitantes, percebi que gerir crise talvez seja o mais difícil desafio do profissional que tem um cliente a defender. Mas, na falta de competência, há quem escolha o menor esforço, calar o repórter. Atitude intempestiva, ineficiente e inábil. Um atentado à dignidade do jornalismo.



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