Para K. Leite, Flamengo precisa de alguém que entenda de futebol

Canso de dizer aqui que, como rubro-negro, tenho orgulho de ver tanta gente séria e de bons propósitos dirigindo o Flamengo

Reinaldo Rueda ao lado de Rodrigo Caetano e Eduardo Bandeira - Foto: Gilvan de Souza / Flamengo
KLEBER LEITE: Quero aqui, mais uma vez, falar da importância do dirigente que, prefiro não chamar de amador, pois causaria certa confusão na cabeça da maioria das pessoas, já que, muita gente confunde amadorismo com incompetência ou inconsequência.

Este dirigente, de futebol, poderia ser chamado de dirigente não remunerado ou, de dirigente apaixonado. E, o fato de não ser remunerado e ser apaixonado, não quer dizer que não tenha ele conhecimento de causa. Conheci, no Flamengo e em outros clubes, dirigentes apaixonados e, por conseguinte, não remunerados, com muito mais conhecimento de causa e preparados do que a esmagadora maioria dos profissionais que tive oportunidade de conhecer. A favor deles há a sintonia fina com o clube, o saber real da necessidade do clube, coisas que só quem tem paixão e vivência consegue assimilar.

Há treinadores que não abrem mão de total liberdade de trabalho, o que concordo plenamente, porém, há uma enorme diferença entre decisões meramente técnicas, que competem ao treinador, e decisões filosóficas que, obrigatoriamente, são de responsabilidade da diretoria.

Ontem, por exemplo, a decisão entre escalar o time principal ou alternativo era um tema filosófico e de amplas consequências, como descreveu com absoluta precisão o nosso companheiro Luiz Carlos de Souza Nunes. Portanto, era uma decisão filosófica que deveria ter sido tomada pela diretoria não remunerada, apaixonada, pois esta diretoria é a que sabe onde o calo aperta, o que é bom para o clube e, como o seu torcedor pensa.

Como vice-presidente de futebol, já passei por um momento praticamente igual, quando o treinador e, neste caso foi o treinador mesmo, resolveu colocar um time alternativo em um momento decisivo. Sabedor do fato, mandei chamá-lo e, com toda delicadeza, disse a ele que esta decisão era filosófica e não técnica e, portanto, competia a nós decidir. Como era uma pessoa sensível, de bom nível e inteligente, entendeu a tese e, escalou o nosso time principal. Goleamos e, quatro dias depois, fomos campeões.

Canso de dizer aqui que, como rubro-negro, tenho orgulho de ver tanta gente séria e de bons propósitos dirigindo o Flamengo. O problema é que todo este bom propósito (retidão e competência) não consegue entrar no vestiário. Talvez mais atentos à mídia do que deveriam ser, acreditam que tudo se resolve com o “profissionalismo” e, como está provado, no futebol não é bem assim.

O Flamengo precisa, com a máxima urgência, de alguém nesta diretoria de futebol, com poderes de vice-presidente, hierarquicamente superior a todos que lá estão, com alma e conhecimento rubro-negro. Antes que alguma mente maldosa imagine que estou reivindicando em causa própria, deixo bem claro que após dedicar nove anos da minha vida ao Flamengo, entendo ter sido de bom tamanho, que a vida segue e, que renovar é preciso e, saudável.

E, antes que me esqueça. Duvido que a decisão de escalar aquele time de ontem tenha sido do treinador que, por absoluta falta de conhecimento de causa, jamais bolaria tamanha insensatez. E, o pior nisso, é que há, fantasiado de “profissional”, verdadeira eminência parda, alguém que influência sem o mínimo preparo e sem saber o que é o Flamengo. Será que temos um inimigo, ou melhor, um rival na trincheira?


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