Talvez eles nunca entendam

Fomos pelo Flamengo, mesmo que a bola não entrasse, como não entrou.

Torcida do Flamengo no Mineirão - Foto: Francisco Medeiros/ME
iFLAMENGO NEWS: Por Matheus Berriel

5 horas de Campos ao Rio, mais 10 do Rio a Belo Horizonte. Comida cara na parada. Depois, mais de 12 horas sem comer. Revista policial. 90 minutos esgotando a voz, cantando até o limite, muito mais que os caras, para ter que engolir o choro no final e saber que ainda vai ter quem diga que nossa torcida só canta quando tem gol.

Nove pênaltis. Cinco deles; todos convertidos. Quatro nossos; só três na rede. E de que valeu o apoio? Os milhares de braços empurrando o ar não fizeram o Muralha chegar em sequer uma bola. Entre lágrimas e o grito de campeão entalado na garganta é que a gente foi perceber que deu a lógica. Quem jogou em casa e tem o melhor goleiro, venceu.

Ainda faltava sair do estádio no escuro, desviando de enormes pedaços de concreto para não cair, e descendo por um barranco para não ter que esperar milhares de pessoas passarem por uma escada minúscula, sem contar todas as horas de viagem outra vez.

No ônibus, um clima de velório. O corpo pediu descanso. Uma hora de sono não deveria, mas pareceu suficiente. Noite longa para pensar nos erros do time e tirar da mente a ilusão de que não havia favorito. Havia, sim. E o favorito venceu. Ilusão desfeita, logo voltaram à mente as provas adiadas na faculdade por conta da viagem; a liberação do patrão no trabalho; a família preocupada em casa; a namorada, idem.

É bom voltar, mas constrange voltar sem o tetra. Acontece, a vida tem que continuar. Como continuará o Flamengo; passem os anos, os jogadores e diretores. Certeza reforçada por dois momentos na saída do Mineirão. Conversa do pai com a pequena rubro-negra: “Filha, nós empatamos lá no Rio e aqui. Pênalti é isso”. Conversa entre amigos: “No final de semana vai ser contra quem mesmo?”.

Uma tentativa de explicação da tragédia para quem entende pouco e a preocupação de quem acompanha tudo com o que ainda está em disputa. Se o tempo pudesse voltar e alguém contasse antes que o craque do time perderia seu pênalti e que o goleiro passaria longe de fazer jus ao apelido, pergunte se alguém deixaria de ir. A resposta é simples: não. Nem eu. No fundo, no fundo, ninguém foi só pelo título. Fomos pelo Flamengo, mesmo que a bola não entrasse, como não entrou.


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