Vinicius Júnior: Profissionais do Flamengo ou Mundial Sub-17?

Ele queria ir ao Mundial, mas obviamente também não fica triste de estar nos profissionais Flamengo.

Vinicius Júnior, jogador do Flamengo - Foto: Buda Mendes/Getty Images
NA BASE DA BOLA: A não ida de Vinícius Júnior ao Mundial Sub-17 era algo cogitado no início do mês por muita gente no meio do futebol. E o Brasil, até segunda ordem, vai para o torneio com um jogador a menos, a não ser que consiga na Fifa alguma autorização para poder substituí-lo. Mas antes de emitir opinião (o que será feito), o blog tentará descrever um pouco a situação, que ilustra bem o que é o futebol como o negócio que é, e o que está em jogo na disputa: os interesses de Flamengo e CBF.

Do lado do Flamengo, a pergunta é clara: qual a vantagem que o clube tem em perder um jogador já vendido para a seleção sub-17 por um mês, sendo que o clube ainda luta para chegar à Libertadores? Não haveria vitrine, e é possível dizer também que não haveria ganho esportivo, pois para Vinícius, jogar entre os profissionais é mais desafiador do que no sub-17. Esta é a parte da conversa da qual eu discordo, pois há, em um Mundial, uma vivência bacana de enfrentamento com jogadores inclusive espanhóis (adversários do Brasil e nativos do país no qual o atacante irá viver quando for jogar no Real Madrid).

Do lado da CBF, houve a afirmação, por parte de Edu Gaspar, de que a entidade está decepcionada com o Flamengo, que afirmou que só liberaria o jogador sem problemas se vencesse a Copa do Brasil. O que deixa claro que não havia um acordo selado, e sim a confiança no tal bom senso, no próprio "fio do bigode", na lábia, na conversa, recurso muito útil em vários momentos históricos da humanidade, e completamente ineficiente em outros. Fica claro que não houve plano B.

Onde tudo isso pode estourar? Se você apostou no treinador Carlos Amadeu, bingo! Na ausência de um coordenador de base (opção da própria CBF por não haver competições), Amadeu tá na linha de frente sozinho, caso o resultado seja ruim. E perder o seu melhor jogador a uma semana da estreia na competição só piora as coisas. Ainda que, nesse caso, o time que ele tem em mãos seja muito bom, mesmo sem Vinícius Júnior, e a possibilidade de título seja real.

Se alguém quer mais um motivo para se preocupar (ou não), aí vai: o Sul-Americano Sub-20 classificatório para a Olimpíada acontece em  janeiro de 2019. E a esperança interna é  que a geração 2000 ultrapasse a 99, convocada apenas uma vez neste ano. E Vinícius, caso vá para o Real Madrid em 2018, terá que negociar novamente sua liberação para o torneio. Os merengues, que vetaram alguns nomes para o último Sul-Americano Sub-20 (o paraguaio Sergio Díaz e o uruguaio Valverde), teriam que ceder.

Você, leitor, deve estar se perguntando: e o próprio Vinícius Júnior? O que pensa dessa história? Ele queria ir ao Mundial, mas obviamente também não fica triste de estar nos profissionais Flamengo. São duas opções boas para um moleque de 17 anos que sequer pode dirigir pelas ruas do Rio de Janeiro.

Todo esse papo, é claro, vai virar pó se o Brasil ganhar a Copa do Mundo. Afinal, quem vence vira perfeito, e qualquer coisa fora disso vira discurso de perdedor. A preocupação real com a base, com o estabelecimento de diretrizes para trabalho de formação, vai para o vinagre, como quase sempre foi aqui no Brasil nos momentos de vitória. E é assim que a banda, ao que tudo indica, seguirá tocando.

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