Atacantes que não atacam

Outros times neste Brasileirão também não abrem mão de um atleta com o mesmo perfil. Everton no Flamengo, Arthur na Chapecoense...

Foto: Paulo Fernandes
REBATIDA: por Victor Rocha

 Logo de cara a contradição fica clara. Como pode um atacante não atacar? Pois é. A ideia de que um atacante pode ser útil também na defesa se transformou na teoria que de ele pode ser MAIS útil na defesa que no ataque.

Quando o esquema é bem montado e possui uma proposta de contra-ataque, até pode dar certo em alguns jogos. Mas preterir sempre um jogador técnico e com mais capacidade de construção ofensiva em prol de incansáveis corredores e desprovidos de habilidade vai contra o futebol. Afinal, ganha quem faz mais gols.

Nos últimos anos, esse atacante do tipo marcador tem ganhado cada vez mais espaço. O Corinthians, líder absoluto do Campeonato Brasileiro, não abre mão desse tipo de peça: o paraguaio Romero.

Mesmo estando há incríveis 20 jogos sem fazer gol, o camisa 11 não sai do time. Tem uma importância defensiva fundamental. É um dos principais interceptadores de bola do campeonato e desmonta ataques adversários. Mostra muito fôlego e disposição, dá carrinhos que levantam a torcida.

O problema é que, no ataque, Romeiro é inofensivo. Quase todas as bolas que vão para ele na ponta esquerda do ataque acabam no pé do adversário. É uma incoerência deixá-lo como titular absoluto pois o time passa a criar muito menos chances de gol por jogo. Sua importância defensiva é indiscutível. Porém, colocando na balança, não compensa "perder" um jogador no ataque.

Outros times neste Brasileirão também não abrem mão de um atleta com o mesmo perfil. Everton no Flamengo, Arthur na Chapecoense, Alisson no Cruzeiro, Rildo no Coritiba... esses jogadores são essenciais na marcação da equipe adversária. No ataque? Nem tanto. E, tudo bem para eles, pois a prioridade para o treinador é a solidez defensiva, não jogadas de gol.

Isso é ruim para o futebol. Causa um empobrecimento do jogo. A tamanha pressão que treinadores e jogadores estão sofrendo está afetando a qualidade do nosso campeonato. Nunca se viu tantos jogos ruins e jogadores desprovidos de técnica atuando.

Ninguém quer se arriscar a perder. É melhor um 0x0 que uma derrota sonora. De fato isso é verdade, mas na sequência de jogos o saldo acaba sendo pior. Arriscar, marcar gols, tudo isso deixa a vitória mais próxima. Com o passar do tempo e a falta de recursos se tornando evidente no jogo, esperamos que os treinadores brasileiros repensem essa estratégia. Pelo bem do futebol.


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