Flamengo precisa fazer mais do que isso

Mas a questão é que mais uma vez o domínio do Flamengo e a fragilidade do adversário serviram menos para gerar gols e resultados positivos.

Lateral Pará em Flamengo x Vasco - Foto: Celso Pupo / Fim de Jogo
ESPN FC: Por João Luis Jr

Ninguém esperava exatamente um grande jogo. O Flamengo de Rueda é um time do qual ainda se aguarda potencial mas que vive de espasmos e surtos individuais, o Vasco é um time limitado treinado por um professor que pratica o “neymarismo reverso”, ou seja, no lugar de ousadia e alegria aprendemos que com Zé Ricardo vamos sempre ter é receio e vaga tristeza. Mas ainda assim nem mesmo o mais pessimista rubro-negro ou cruzmaltino estaria preparado para o total e completo deserto de ideias, sonhos e alegria que foi o clássico desse sábado.

De um lado, um Vasco sem grandes recursos, praticando aquele futebol que quem acompanhou o primeiro turno do Flamengo conhece muito bem, focando em posse de bola mas sem com isso gerar qualquer tipo de efetividade. Do outro lado um Flamengo que segue sem rumo, segue sem evolução clara, e cada dia mais parece demonstrar que o 4-3-3 funciona para o time mais ou menos como a bebida funciona para grande parte de nós: parece uma grande ideia na hora mas os resultados nunca são os que a gente espera e no dia seguinte sobra apenas vazio e remorso.

Não que o Flamengo não tenha dominado a partida, claro. A equipe rubro-negra foi superior durante praticamente todos os 90 minutos, criou as chances mais claras de gol - ainda que tenham sido poucas - e teve uma predominância tal na partida que até mesmo a melhor chance de gol do adversário foi criada pelo Flamengo, no chute do ataque vascaíno que acabou batendo na trave após desvio de Juan (zagueiro que por sinal foi o destaque absoluto da partida, mostrando que talvez o dinheiro que tende a ser gasto na renovação de Guerrero poderia ser melhor investido em tentativas de clonar o jogador de 38 anos).

Mas a questão é que mais uma vez o domínio do Flamengo e a fragilidade do adversário serviram menos para gerar gols e resultados positivos e mais para trazer à tona os próprios defeitos da equipe rubro-negra. O meio de campo do rival dava espaços? Dava, mas mesmo assim Diego e Éverton Ribeiro não conseguiam brilhar, bem como Márcio Araújo seguia omisso em campo e Arão mais uma se mostrava apenas a sombra - sob um sol fraco - do jogador que foi em 2016. A equipe com um centroavante de ofício criou mais chances? Com certeza, mas esse centroavante era Vizeu, que vem em péssima fase e na chance de gol mais clara do jogo realizou uma cabeçada cujo nível de força só poderia ser justificado pela revelação de que ele na verdade tem o crânio acolchoado e por isso sua cabeça causa uma redução brusca do impacto com a bola.

E agora na reta final, é complicado não acreditar que vamos precisar de mais do que isso. Com outro clássico na quarta, valendo classificação para as semifinais da Sulamericana, e uma série de partidas complicadas pelo Brasileirão - Grêmio, Cruzeiro, Palmeiras - o Flamengo vai ter que finalmente mostrar ou a bola que se esperava que ele tivesse ou a raça que ele já deveria ter exibido se quiser ainda ganhar algum título ou ao menos se classificar para a Libertadores de 2018.

Desse Flamengo x Vasco fica apenas a certeza de que ainda temos muito a melhorar e a frustração de quem achou que Stranger Things ia ser a coisa mais assustadora que teríamos que encarar nesse final de semana.


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