Flamengo x Vasco: Um desperdício de nota oficial

Não estou absolutamente em rota de colisão com o Rueda. Pelo menos não ainda.

Diego durante Flamengo x Vasco - Foto: André Mourão
FUTEBOLZINHO: Arthur Muhlenberg

Mas é que se agora pra fazer sucesso
Pra vender disco de protesto
Todo mundo tem que reclamar
Eu vou tirar meu pé da estrada
E vou entrar também nessa jogada
E vamos ver agora quem é que vai güentar

Ao fim de embaraçosos 95 minutos de desfutebol protagonizados pelas três equipes em campo (nós, a bigoda e a juizada sem vergonha) no crássico dos milhões disputado no sábado à noite só podemos chegar à uma conclusão: O Flamengo x Vasca pelo returno do Brasileiro não passou de um monumental desperdício de nota oficial.

Pra que a PM, o Ministério Público, a CBF e o Flamengo se meteram em contenda pública durante semanas, mobilizaram seus staffs e encheram o saco de geral pra marcar o lugar da pelada? Pela bola que jogaram Flamengo e bacalhau, o Aterro, que por toponímia também é nossa casa e onde podemos exercer mando, teria sido mais do que adequado. Pior que o exagerado aparato de segurança montado para garantir a paz, a tranquilidade e os valores familiares dentro e no entorno do finado Maracanã foi de pouca valia.

Os cana cercaram o Maraca enquanto a porrada comeu solta pela cidade toda entre primatas fantasiados de torcedor tentando se matar por motivo torpe. Dentro do estádio o clima também era amigável e as divergências ideológicas/religiosas eram resolvidas a murro. O sempre jeitoso receptivo da PM distribuía borrachada em modo randômico e aromatizava o ambiente de maneira democrática e universal. Permitindo que homens, mulheres e crianças que se dedicavam momentaneamente ao salutar exercício anaeróbico de sair voado de perto do conflito vertessem uma ou duas plangentes lágrimas. Esporte é vida.

Ao final do evento vândalo multifoco alguns animais capturados, quase todos habitués, puderam curtir o simpático sightseeing gratuito até as acolhedoras instalações da Cidade da Polícia no Jacaré, onde tradicionalmente filho chora e mãe não vê. Enfim, foi uma jornada do futebol carioca das mais rotineiras. A excessiva preocupação com a segurança não deixou de ser uma despropositada dissipação de recursos humanos num momento de aguda crise no estado.

Afora estes pequenos contratempos organizacionais tão comuns ao nosso futebol espetáculo que só quem tava lá pode explanar com propriedade, quem viu o jogo atentamente e de coração puro sabe que dentro das quatro linhas o bagulho foi pornográfico. E isso com o estádio cheio de crianças! A sociedade tem o direito de saber como os pais dessas crianças justificam expor os próprios filhos dessa maneira. Depois não sabem porque tá cheio de adolescente desajustado frequentando museu, biblioteca e sendo doutrinado na área de humanas das universidades. Abre o olho, pai. Abre o olho, mãe!

Sei que para quem passou pelo suplício de testemunhar o nosso condenável intercurso com a baranga pode soar até inoportuna a insistência em falar de futebol, mas quando valores e princípios estão em jogo às favas com as boas maneiras, é justo que se atire uma pedra ou duas em direção aos protagonistas do nosso mais recente vexame. Não é nada pessoal, rapaziada, apenas um desabafo de um torcedor comum que anda farto de perebagem e um pouco intolerante com a falta de poder de decisão de nossa dileta e bem remunerada mulambada.

O primeiro a ser cornetado é, obviamente, o Erik Faria, que podia ter mostrado um pouco mais de iniciativa e comprometimento no lance do pênalti escandaloso que os mandriões da equipe de arbitragem combinaram que não tinham visto a mão explícita e até meio vulgar com a qual o beque de camisa feiona cortou o cruze rasteiro do Arão. Na hora que o futebol mundial se une em favor da implantação pra ontem do árbitro de vídeo cadê a Interferência Externa na hora em que mais precisamos? Vacilou, Erik.

Na defesa, por increça que parível, estivemos bem. Diego Alves, seguro como uma porta de cofre, sabe fechar a casinhola. No único momento em que não o fez, um lance fortuito e involuntário do ataque da baranga que explodiu de surpresa em nossa baliza, Diego mostrou porque pro nosso goleiro ser bom não é o bastante. Goleiro do Mengão tem que ser também desazarado. Rodolfo Robocop jogou bem, assinando vários livramentos com severa circunspecção na base da bicuda pra frente. That’s the way I like it.

E Juan, o Vovô Tira-Tira, com a experiência de quem marcou todos os centroavantes da Seleção Brasileira desde Leivinha, foi apenas 100% eficiente na defesa e 95% eficiente no ataque. Um monstro. Faltou só aquele 10% maroto que teria feito sua cabeçada no 1º Tempo, aquela em que simulou muito bem um erro de passe, desviar só um tiquinho pro lado e consignar nosso gol no freguês.

Deixei Pará pra um parágrafo separado do Juan e do Rodolfo porque é preciso proteger os nossos zagueiros dos maus exemplos. É admirável a capacidade do Pará em repetir o mesmo erro, vezes sem fim, jogo após jogo. Pará se desloca pela beira do campo, recebe o balão, toca pro companheiro mais bem colocado e faz a ultrapassagem. Recebe a bola no espaço vazio, avança até a linha de fundo e cruza igual a cara dele. E o fela da mãe não cansa, 5 minutos depois de isolar a bola ele tá lá no fundo de novo cruzando a bola prum parça dele em Ananindeua. Quanto ao nosso lateral esquerdo só digo uma coisa: se escreve Trauco, mas se pronuncia Traucu.

Do meio pra frente água total. Geral devendo, sem livrar a cara de ninguém. Uns mais do que outros, é verdade. Everton que faz gol e Everton que não faz mantiveram a regularidade e foram inofensivos. Aliás, o Everton que não faz gol é muito borracha fraca. Tirando repórter de blog e sócio-torcedor mala pedindo pra tirar selfie, Everton Ribeiro não consegue dibrar ninguém há uns três meses pelo menos. E quando tenta chutar então, a bola mal chega no gol. Tem que tomar urgentemente umas vitaminas esse rapaz. Diego é aquela parada, maior elegância, maior estética, todo arrumadinho e articulado pra dar entrevista, mas gol que é bom ele só tem feito em Chapes e Bahêas.

Paquetá foi só correria sem método ou objetivo. E se o Tio Rueda continuar a escalar o moleque fora da sua posição uma promissora carreira pode acabar de forma melancólica, tipo Mezenga num time da Série D turca. Aproveitando o embalo uma cornetada de leve no Tio Rueda, escalou mal à beça o nosso onze. Vinícius Jr. não pode ser reserva nesse time nem se entrasse em campo de muletas e ouvindo MC Quequel naqueles headphones gigantes do Jay Z. Rueda demorou demais pra coloca-lo em jogo, nem deu tempo pra Joia Rubro-Negra mostrar seu valor em euros, dólares ou cartoletas.

Em compensação deu o tempo necessário pro Vizeu mostrar do que é capaz e o cara não escondeu seu jogo. Mostrou que é capaz de perder gol feito na cara do goleiro e que é capaz de cabecear cruzamento dentro da área da vasca como se beque tivesse sido parido. Não me envergonho em confessar que só ontem entendi o real sentido da letra da musiquinha Ih, f*, o Vizeu apareceu! com a qual a torcida costuma saudar o jovem atacante. Agora que eu entendi descobri que não curto a musiquinha.

Não estou absolutamente em rota de colisão com o Rueda. Pelo menos não ainda. Muito menos depois de ficar sabendo que El Tio é berraco, disciplinador severo e quebra geral no esporro depois que as câmeras da FlaTV são desligadas no vestiário. Mas se fosse meu serviço julga-lo apenas pelo que fez no jogo de ontem eu diria, com a devida vênia aos membros dessa egrégia corte, em conformidade com o devido processo legal, sem compadrio e sem mudar de jurisprudência de acordo com o réu, que essas cag* épicas o Zé Ricardo também fazia. Mas custava três ou quatro vezes menos.

Mengão Sempre


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