Não foi pra tanto, Flamengo

Diego chegou a ser vaiado. Sou daqueles que não se conformam com vaias durante a partida, mas entendo a revolta com o jogador.

Réver e Diego, do Flamengo - Foto: Gilvan de Souza
ESPN FC: Por Marcos Almeida

Não tem comparação com o jogo do último domingo, é verdade. Dessa vez, deu pra ganhar e ficar feliz. Mas a falta de vergonha na cara, o ano inteiro, faz tirar o tesão. Vitória larga em jogo que não tava fácil, com arbitragem ruim, um quê de polêmica. Ganhou, goleu, impossível negar. Não sei a vocês, mas a mim o Flamengo não convenceu.

Poderíamos ter ido para o intervalo em desvantagem. O Bahia teve bons contra-ataques, parando sempre em Diego Alves, cada vez maior nesse grupo. O Flamengo era pouco incisivo, não criava. Como sempre, tem alguma lucidez quando Guerrero vem buscar a bola, mas aí falta justamente o centroavante na área para que a jogada prossiga. Os homens de meio, os alas, não passam, não se apresentam, não dão opção.

Abrimos o placar em uma cobrança rápida de escanteio, com a defesa adversária em suprema maioridade e absoluta desatenção. Réver, o iluminado, na rede. Eles empataram, de pênalti, e aí Réver brilhou de novo. Confesso que tenho minhas dúvidas quanto ao lateral que originou o lance desse escanteio. Tudo muito rápido e os jogadores do Bahia reclamaram enfaticamente de que o arremesso seria a favor deles. Em casa, fiquei com a mesma impressão. Não houve replay.

Aos 31’ do 2° tempo, a subida genial de Réver desafogou o Flamengo. Não foi na técnica, na bola jogada, em nada. Com a vantagem, ante um Bahia que precisava sair para o jogo, espaços apareceram naturalmente. Diego pediu pênalti, nada marcado. Pouco depois, Lucas Paquetá – em posição duvidosa – testou para trás. A bola quase quebrou o braço de Lucas Fonseca (de volta aos gramados após se recuperar do murro à distância de Paolo Guerrero, no primeiro turno). Diego na bola, 3 a 1 Mengo. Diego na área, 4 a 1.

Diego chegou a ser vaiado. Sou daqueles que não se conformam com vaias durante a partida, mas entendo a revolta com o jogador. Nas manchetes, nos números, nos aplausos, Diego sairá como “o cara”. Segue devendo aos montes. Necessitou de duas aparições de Réver, em cobranças de escanteio, para que seu futebol pudesse fluir. Pouco, ainda. Muito pouco para quem achou que o ano era bom graças a uma conquista de campeonato estadual.

Guerrero foi embora no segundo tempo. Ao que parece, sentiu uma lesão que não estava doendo. Preferiu se poupar para as eliminatórias. Tudo normal, tudo lindo. Entendo que será o principal momento de sua carreira, ao mesmo passo em que não me desce essa blindagem sobrenatural recebe de torcida e imprensa. Guerrero custa uma fortuna, poderá se tornar – de longe - o jogador mais bem pago do continente, caso renove. É centroavante e não faz gols. Agora tem 1 a mais que Réver, 1 a menos que Diego no Brasileirão. Desta feita, recebeu na marca da cal, girou sozinho e esqueceu a bola. Em outro lance, dominou na área, chamou o marcador, puxou pro pé esquerdo e bateu para... a lateral! Na temporada mais artilheira de sua vida, soma 20 gols em 44 jogos, 10 deles no Campeonato Carioca. Precisa de mais 16 gols no restante do ano para igualar a marca de Hernane Brocador em 2013. É digno mesmo de aumento para permanecer no Flamengo?


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