O problema não é o Maracanã

Por recomendação da PMERJ, a CBF transferiu a partida para o Maracanã, sem consultar o Flamengo. Medida absurda.

Maracanã vermelho em jogo do Flamengo -Foto: Gilvan de Souza
ESPN FC: Por Marcos Almeida

Aplicador de 8 cartões amarelos, Marcelo Aparecido de Souza desfilou com um copo plástico, em mãos, após o primeiro gol do Flamengo. De acordo com relatos, a torcida caçava o autor do impropério. Com um resto de líquido, o ameaçador objeto foi retirado do campo de jogo. Não se cogitou ter simplesmente se desvinculado de uma mão qualquer em meio à euforia do gol. Não foi lembrado que ali havia um copo plástico justamente para que, em caso como esses, não haja feridos.

Precisa-se, sempre, de culpados. Impressiona a necessidade humana de apontar alguém “pior” para que o “eu” se sinta bem. Como o Campeonato Brasileiro, a sociedade se nivela por baixo.

Além da Ilha do Urubu

Será disputado Flamengo e Vasco, na semana que vem. Por recomendação da PMERJ, a CBF transferiu a partida para o Maracanã, sem consultar o Flamengo. Medida absurda.

Além de simplesmente não poder mandar o jogo em seu estádio, sendo que tem todos os laudos e certificações para tal, o Flamengo terá de arcar com a taxação absurda imposta para se jogar no Maracanã.

Maracanã tirado do povo pelas autoridades, entregue a uma Odebrecht que parece tender a sugar o esporte, a grama, a alma; até que reste apenas concreto.

Admito que parte de mim vê com um pouco de bons olhos a (volto a dizer) absurda medida da CBF. Clássico tem de ser disputado no Maracanã, com torcida dividida (não será o caso). A situação no Rio de Janeiro propicia, cada vez mais, que os clássicos sejam disputados em outros estádios, com proporção desigual de torcedores.

O problema não é o Maracanã. Ele está na Odebrecht, que nada faz para devolver o futebol a seu mais sagrado palco; nas autoridades, que ignoram abusos cometidos pelo consórcio; nos clubes, que levam à vida real os memes da internet, alimentando mais e mais uma falsa noção de rivalidade que, acima de tudo, prejudica o esporte carioca.

Nesse ano, já tivemos o Clássico dos Milhões para 6.979 pessoas. Que, no futuro, ao menos possamos ainda chamá-lo de clássico.


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