Ou seja, o Palmeiras não tem Mundial

Um amistoso com Flamengo, São Paulo, Santos e Grêmio passa a ter outro valor, por exemplo.

Foto: Alexandre Vidal
COSME RIMOLI: São Paulo, Grêmio, Flamengo e Santos têm muita razão para celebrar. Neste dia 27 de outubro de 2017, acabou de vez a denominação campeão intercontinental. A Fifa acaba de reconhecer os times sul-americanos que venceram a Libertadores e triunfaram diante dos ganhadores da Champions, entre 1960 e 2000, como campeões mundiais. A decisão foi oficial e irreversível.

O São Paulo passa a ser tricampeão mundial, o Santos bicampeão e Grêmio e Flamengo campeões. Sem qualquer contestação.

A decisão aconteceu na reunião do Conselho da Fifa, reunido em Calcutá, na Índia.

É irreversível, não haverá mais discussão.

Nesse encontro ficou claro que acabou a chance de reconhecimento da Taça Rio de 1951.

Ou seja, o Palmeiras não tem Mundial.

Na verdade, foi uma articulação bem engendrada entre o presidente da Fifa, o italiano Gianni Infantino. Ele percebeu o fracasso da Copa das Confederações disputada na Rússia neste ano. Não houve interesse por parte das televisões, do público. E, principalmente, desagradou os grandes clubes europeus. A Alemanha mostrou todo seu desprezo pela competição, apesar de campeã, enviou seu time reserva. Mas o Real Madrid acompanhou o desgaste a que se submeteu sua maior estrela, Cristiano Ronaldo.

O presidente Florentino Pérez liderou um boicote à competição e teve todo o apoio do esloveno Aleksander Čeferin, presidente da UEFA. Infantino percebeu que não havia o menor interesse no mundo para a competição que serviria de laboratório para a Copa. E decidiu acabar com ela.

Mas a Fifa preza demais o lucro.

E a entidade resolveu valorizar o Mundial de Clubes. Não é por acaso que resolveu premiar a melhor torcida do planeta, na festa de entrega do troféu melhor do mundo.

A Fifa quer o dinheiro dos fãs. Não deseja contrariar os desejos dos clubes europeus, mas não pode viver apenas das Copas do Mundo. E em uma engenharia inteligente, optou por valorizar o Mundial de Clubes.

O primeiro passo seria o reconhecimento da importância dos jogos entre o campeão da Libertadores e o vencedor da Champions. Sem fazer média. É esse confronto que mostra o time mais poderoso do planeta. Em dois jogos, um na América do Sul e outro na Europa, seria repetir uma fórmula desgastante. Mas há a possibilidade de uma partida só. Em campo neutro, em outros continentes, para valorizar o futebol onde as equipes não terão chance desse confronto. Na China, Estados Unidos, nos Emirados Árabes, na África do Sul por exemplo.

Com jogos na América do Sul, na Europa ou um continente neutro, isso ainda não está definido. O que está certo é que o formato atual do Mundial, com sete equipes, com os vencedores da Confederação Asiática de Futebol, da Confederação Africana de Futebol, da Concacaf, da Libertadores, da Confederação da Oceania, da Champions e mais um time do pais-sede, não acontecerá mais.

Para valorizar o Mundial de Clubes, ele seria disputado de quatro em quatro anos, a princípio, com 24 equipes. Nos três anos que antecedem e nos três que sucedem esse 'supertorneio', voltaria o Interclubes, entre o campeão da Libertadores e o da Champions. Com status de campeão mundial. O que fazer com os campeões dos outros continentes? A Fifa ainda estuda o que fazer. A decisão deverá acontecer na próxima reunião do conselho, em março de 2018.

A Copa da Confederações já está morta.

Infantino fez hoje oficialmente o que a Conmebol já adotava e foi revelado pelo blog, no dia 31 de agosto. O departamento de competições e de comunicação já havia antecipado a postura do presidente Alejandro Dominguez. Os vencedores dos torneios intercontinentais eram campeões mundiais para a entidade. Santos, São Paulo, Flamengo e Grêmio tinham esse reconhecimento. E o que Alejandro fez foi conseguir hoje o reconhecimento oficial da Fifa. O pedido, muito providencial e que pode ter sido combinado com Infantino, foi feito no dia 28 de junho. E a resposta positiva veio hoje.

É ótimo o reconhecimento. Vale status, dinheiro, respeito internacional. Um amistoso com Flamengo, São Paulo, Santos e Grêmio passa a ter outro valor, por exemplo. Os clubes passam a ser ainda mais divulgados pelo planeta.

Como o blog também havia antecipado no mesmo dia 31 de agosto, a Fifa não reconhecerá a Copa Rio de 1951 como título mundial para o Palmeiras. Por dois motivos muito simples. O primeiro é que houve, na época vários torneios parecidos pelo planeta. E nenhum deles foi considerado de relevância incontestável, mundiais de clubes. Equipes foram convidadas para disputar a Copa Rio. Não havia critério algum. Tanto que Real Madrid, Atlético de Madrid e Tottenham recusaram.

Mesmo dominada por corruptos, o máximo que a Fifa fez em 2014 foi avisar, por pressão do então ministro do Esporte, o fanático palmeirense Aldo Rebelo, que o Palmeiras teria sido o primeiro campeão global. Evitou usar a palavra mundial. E mesmo assim, voltou atrás depois que a Copa acabou. Não se tocou mais no assunto.

A segunda razão que o Palmeiras não terá a Copa Rio reconhecida como Mundial é que a própria Conmebol não reconhece. Dominguez e todos os outros presidentes que passaram pela entidade consideravam o torneio de 1951 uma mera competição para tentar acabar com a frustração pela perda da Copa do Mundo pelo Brasil, em 1950. Nada além do que isso.

As discussões em bares não terminarão nunca.

Mas oficialmente está decidido pela Fifa.

Os torneios interclubes entre 1960 e 2000 foram mundiais.

A Copa Rio de 1951 foi um torneio importante.

Nada além do que isso.

Como o blog antecipou em agosto...


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