Pés no chão e vergonha na cara, Flamengo

Difícil acreditar nesse grupo, no ambiente instaurado sobre nosso clube. Mais difícil ainda deixar de acreditar no Flamengo.

Diego Alves e jogadores do Flamengo agradecendo apoio da torcida - Foto: Gilvan de Souza
ESPN FC: Por Marcos Almeida

A principal lição, depois do Fla-Flu de ida das quartas de final da Copa Sul-Americana, tem de ser essa: Não existe o tal gol qualificado a favor do Flamengo. E isso não é modo de dizer. Não é aquele recado “pé no chão”, o famoso “tá zero a zero” imediatamente após marcar um gol. Simplesmente não tem como o Mengão avançar à semifinal no critério do gol fora de casa; a regra deixou de existir para nós. Passamos com vitória ou empate, eles passam com qualquer vitória diferente de 1 a 0. 1 a 0 vai para os pênaltis. Viu? Não tem gol qualificado a favor do Flamengo! Assim como não tem para o Grêmio também, na Copa Libertadores da América. É simples: se o mandante não marca, deixa de existir a vantagem do gol fora ao visitante.

É bom que isso seja ressaltado porque assim que o árbitro apitou, no Maracanã, todos falavam na importante vitória do Flamengo com gol fora de casa, como se isso fosse fazer alguma diferença na partida de volta. Repórteres, comentaristas, narradores e jogadores exaltavam o tal gol rubro-negro no mando tricolor. A vantagem é que jogamos pelo empate, como jogaríamos sem o critério do gol fora. Já o Fluminense...

2 a 1; 3 a 2; 4 a 3; 1412 a 1411 e avançará à semifinal. O empate é nosso, mas o gol qualificado é deles. A vantagem não é tão grande quanto pode parecer. Do jeito que o Flamengo gosta de um oba-oba, é válido destacar a todo momento.

Isto posto, vimos um Fla-Flu bem melhor que o confronto semifinal da Copa do Brasil diante do Botafogo. Jogo aberto, como clássico que é. Chances aos dois lados, com um Flamengo nitidamente superior no primeiro tempo, sendo assim merecedor da vitória.

Diego mais lúcido que nos últimos tempos, controlando o meio, embora ainda sem o fator “decisivo”. Everton Ribeiro alternando lances de técnica apurada com passes e investidas frustrantes. Éverton um tanto apagado, porém o mais aceso no momento crucial da partida. Lucas Paquetá brigador, ao passo em que errava tudo o que tentava. Willian Arão sendo Willian Arão: excelente e péssimo em questão de segundos – com mais momentos bons que ruins, diga-se. Cuéllar um monstro que quase entrega o ouro no fim.

Bem o retrato desse Flamengo que muito prometeu, pouco entrega, mas ainda assim flutua em agradáveis sonhos de seu torcedor. Torcedor que se descabelou com a entrada de Márcio Araújo e acabou vendo uma partida competente do volante. Nas laterais, Pará e Trauco seguem deixando muito a desejar. Mais atrás, Rhodolfo cumpriu bem a função ao substituir Réver. Aparentemente, o capitão ficará um bom tempo longe dos gramados. Prevemos apuros, já que Juan não aguenta jogar todas. Quando joga, esbanja qualidade.

E pras que nem Juan resolveu, estiveram lá a trave e Diego Alves. Mais uma vez, ele foi bem, seguro. Com sua seriedade e indignação ímpar em momentos ruins, cada vez mais cai nas graças da torcida. Diferentemente de Guerrero, que resolveu abdicar de jogar pelo Flamengo para se dedicar apenas à seleção peruana. E atingiu seu objetivo pessoal sem grande estresse! Cueva, por exemplo, acabou conosco no último domingo.

À beira da cancha um Rueda que pouco pôde inventar, desta vez. Sem Berrío, Geuvânio e Guerrero, restou botar Diego e Everton Ribeiro juntos, com Paquetá na referência. O Flamengo funcionou e deixou de funcionar. Jogou bem, sem ameaçar se livrar da dificuldade imensa de converter jogadas em gols.

Cobranças provavelmente não virão, e tudo indica que Eduardo Bandeira de Mello vai “comandar pelo telefone”, se não me falha a interpretação da entrevista do novo VP de futebol, Ricardo Lomba, ao Globoesporte.com. Vivemos rachas na diretoria e o ambiente político para 2018 já vai se instaurando na Gávea.

Mas ainda é 2017, ano em que o Flamengo só decepciona e vai deixando para o próximo campeonato a chance de se redimir. Restou-nos a Sul-Americana e, quer queira quer não, ganhamos o jogo de ida das quartas de final.

Difícil acreditar nesse grupo, no ambiente instaurado sobre nosso clube. Mais difícil ainda deixar de acreditar no Flamengo.

Pés no chão, vergonha na cara, e avançaremos!


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