Relembre declarações e projeções "fail" no futebol brasileiro

O Vasco acabou rebaixado ao final daquela edição. Ficou na 18ª colocação, com 41 pontos. E, obviamente, Eurico não foi para a Sibéria.

Gazeta Press
ESPN: "Fatalmente o Corinthians será campeão". Essas palavras foram ditas pelo diretor de futebol do clube, Flavio Adauto, na noite de segunda-feira, logo após o time ser derrotado pelo Botafogo e ver a diferença como líder diminuir de nove para seis pontos em relação ao Palmeiras e ao Santos, segundo e terceiro colocados, respectivamente.

A "previsão" foi feita faltando oito rodadas e deu um frio na espinha de muito torcedor corintiano. O temor é que ocorra justamente o contrário do que disse o cartola. Faz sentido?

Casos recentes no futebol brasileiro mostram que o que muito dirigente fala não se escreve. Eles costumam errar, e feio, nas previsões, provocando um misto de frustração e irritação dos torcedores. O ESPN.com.br relembrou algumas situações ocorridas nas últimas duas décadas. Confira:

Gil melhor do que Kaká

Então vice-presidente de futebol do Corinthians, Antonio Roque Citadini gostava de provocar os clubes rivais. Um dos alvos prediletos era o São Paulo, a quem se referia, entre outras alcunhas, como "campeão do troféu imprensa": "Todo ano é apontado pela imprensa como favorito e nunca ganha", dizia.

Em março de 2001 deu a declaração mais famosa. Incomodado com os elogios em torno do meia Kaká, que despontava pelo São Paulo, acabou comparando a geração de jovens corintianos com o rival e diminuiu um pouco a empolgação em torno do jogador são-paulino.

"Todo mundo fica falando em Kaká...Kaká...Kaká. Mas bons mesmo são o Gil e o Ewerthon", disse em texto publicado pelo "Diário LANCE!". "Nós temos a melhor safra de garotos e, com o time entrando numa boa fase, é um ótimo momento para eles aparecerem", afirmou na sequência.

"Além do Gil e do Ewerthon, ainda temos o Ferreti, o Neto, o Pingo, o Luciano Bebê", insistiu o cartola.

Dessa geração corintiana os destaques foram mesmo Gil e Ewerthon. O primeiro jogou de 2000 a 2005 na equipe e conquistou dois paulistas, um Torneio Rio-São Paulo, uma Copa do Brasil e um Brasileiro.

O segundo atuou de 1999 a 2001 e foi campeão paulista, brasileiro e do Mundial de Clubes (todos como reserva) e teve uma boa carreira fora do Brasil, defendendo o Borussia Dortmund por cinco anos e o Zaragoza por mais cinco. Ainda defendeu o Palmeiras no Brasil.

Kaká não conseguiu ganhar algo relevante pelo São Paulo, mas foi jogar no Milan e virou um destaque. Recebeu o prêmio de melhor do mundo em 2007, ganhou uma Copa do Mundo pela seleção brasileira e durante muitos anos integrou a lista de melhores da Europa.

Morais, um craque

Morais foi um meio-campista emprestado ao Corinthians do Vasco em 2008, durante a disputa da Série B do Brasileiro. Ele tinha 24 anos e estava em evidência no Vasco, que fazia campanha sofrível na elite do futebol nacional. Agradou tanto no Parque São Jorge que foi comprado em 2009.

No entanto, Morais nunca evoluiu como a diretoria alvinegra gostaria. Mesmo assim tinha seus defensores. Um deles era Mario Gobbi, então diretor futebol (ele viraria presidente só em 2012). Em janeiro de 2010, o cartola se irritou ao ser questionado se o Corinthians poderia vender o meia para o Botafogo.

 "Olha aqui no meu olho. Veja se tem um besouro fumando maconha nele. Se tiver, o Morais sai. É impossível isso. Ele é craque e continua no Corinthians", disse Gobbi naquela ocasião, em uma das famosas frases de sua passagem pelo clube.

Ocorre que a previsão do cartola jamais se concretizou. Ele nunca se firmou de fato entre os titulares e, no início de 2010, perdeu a condição de brigar pela vaga de vez com a vinda de Danilo e Tcheco.

Cinco meses após Gobbi falar que Morais era um craque e que somente o venderia diante daquela bizarra condição, Morais rescindiu o contrato com o Corinthians. Foi jogar pelo Bahia. Desde então ele já defendeu Atlético-MG, Criciúma, América-RN, CRB,  São Bento e Botafogo. Não virou o craque esperado.

Palmeiras iria se apequenar

Carlos Miguel Aidar, presidente do São Paulo em 29 de abril de 2014, chamou os jornalistas na sala de imprensa do estádio do Morumbi para rebater as acusações feitas por Paulo Nobre após a diretoria tricolor ter tirado o atacante Alan Kardec do rival.

Ao rebater o cartola palmeirense, Aidar fez uma série de adjetivações sobre o Palmeiras.

"[A atitude de Nobre] Demonstra o atual tamanho da Sociedade Esportiva Palmeiras, que ano a ano se apequena com demonstrações dessa natureza", disse Aidar. "As declarações dele não me ofendem. O choro é livre. Todo mundo tem direito. E é um choro que tenta explicar perante sua torcida aquilo que fez o atleta deixar o Palmeiras."

Nobre havia dito que o São Paulo era um clube sorrateiro e antiético. Aidar não gostou.

"Se perder um atleta para um concorrente estremece a relação, isso só mostra a pequenez da atitude. Se amanhã o Palmeiras vier e tirar um atleta nosso, a relação será a mesma de hoje. Os clubes são maiores que seus jogadores e dirigentes. Isso não deve interferir, mas, se interferir, paciência", declarou Aidar.

Naquele ano, o São Paulo quase foi campeão brasileiro, terminando na segunda colocação, atrás do Cruzeiro. E o Palmeiras escapou do rebaixamento na última rodada. Mas a história mudou a partir de então.

O São Paulo teve uma temporada de 2015 sem ser protagonista. No ano passado brigou contra o rebaixamento, algo que também tem acontecido neste ano. Já o Palmeiras foi campeão da Copa do Brasil em 2015, Campeonato Brasileiro no ano passado e neste ano disputa novamente o título nacional.
Aidar: Paulo Nobre foi patético e juvenil ao escolher 'caminho do choro'

Presente de Deus

Um dos melhores times da primeira fase da Copa Libertadores em 2015, o Corinthians acabou tendo pela frente nas oitavas de final o modesto Guaraní, do Paraguai. Apesar de ser uma agremiação centenária e ter dez títulos nacionais, estava longe de ser uma protagonista.

Isso fez com que Sérgio Janikian, então diretor de futebol do Corinthians, dissesse o seguinte:

"A gente teve a felicidade, não vamos negar, fomos presenteados por Deus com essas oitavas. É um jogo que não é tão complicado, não é nenhum brasileiro, nenhum expoente argentino", disse Janikian em entrevista ao canal Fox Sports.

A declaração teria desagradado o técnico Tite e os jogadores, que preferiram adotar o silêncio em relação ao tema e pregar respeito ao Guaraní para não aumentar a polêmica. O time paraguaio, é claro, não gostou nem um pouco do que ouviu e acabou ganhando os dois jogos das oitavas.

Vale lembrar que o Corinthians era apontando como favorito ao troféu. Tinha quatro vitorias, um empate e uma derrota em seis jogos. Foi derrotado por 2 a 1, em Assunção, e por 1 a 0, na Arena, em Itaquera. O que motivou um desabafo do time paraguaio.

"Ganhou a humildade. Derrotamos os soberbos" afirmou o diretor de futebol do Guaraní, Luis Cacavelos. "Eles se achavam os mais poderosos da Terra, não podiam acreditar o que estava se passando quando fizemos 1 a 0", afirmou o presidente do clube, Juan Alberto Acosta.

Janikian acabou pedindo demissão uma semana depois da eliminação corintiana e nunca mais trabalhou no departamento de futebol do clube.

Exílio na Sibéria

Em agosto de 2015, com o Vasco na última colocação do Brasileiro, Eurico Miranda duvidou que o time cruzmaltino seria rebaixado. Chegou a debochar da pergunta dos jornalistas e fez até uma promessa prevendo que acertaria.

"Já falei que a palavra rebaixamento, aqui, é proibida. Se eu achar que o Vasco vai ser rebaixado, vou procurar o ponto mais distante da Sibéria e vou para lá. Se as coisas não forem feitas, pode ter essa consequência. Ficar falando de coisas que podem acontecer, não adianta", disse Eurico.

O Vasco acabou mesmo rebaixado ao final daquela edição. Ficou na 18ª colocação, com 41 pontos. E, obviamente, Eurico não foi para a Sibéria.  Em participação ao programa Bola da Vez, da ESPN, em março deste ano, ele se explicou.

"Se eu fosse para a Sibéria, o Vasco fechava. Eu não fui, pois o Vasco até hoje precisa de mim. Precisa de alguém que se doe, que queira dar de si e que, modéstia a parte, tenha competência para tal. A primeira coisa que tive que fazer quando voltei ao Vasco, foi pagar R$ 12 milhões em impostos, sem ter dinheiro em caixa, para poder ter certidão (negativa de débitos, que possibilita o acordo com a Caixa). O Vasco está rigorosamente em dia com as certidões", disse.

'Não vamos cair'

Ano passado o Internacional sofria com maus resultados no Campeonato Brasileiro e a queda para a Série B era uma ameaça cada vez maior. Tentando evitar o pior, o clube contratou o ex-presidente Fernando Carvalho para ser o vice-presidente de futebol. Ao chegar, falou:

“Nós não vamos cair! Quero assegurar aos colorados, quero assegurar aos torcedores que nós não vamos cair".
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A frase se repetiu durante um bom tempo. A campanha do time no Brasileiro, no entanto, era bem sofrida. Quando a situação apertou o dirigente continuou acreditando na permanência na elite do futebol brasileiro, mas passou a adotar um outro discurso.

“Se tiver que se agarrar na última raiz de capim da grama do Beira-Rio, vamos nos agarrar. E vamos permanecer na primeira divisão, com a torcida colorada junto conosco", afirmou em outro discurso o dirigente.  Mas não deu certo. No final, o Internacional foi rebaixado.

Passagens para o Mundial

Em 11 de setembro deste ano, Modesto Roma Júnior, presidente do Santos, revelou que já estava pesquisando passagens para a disputa do Mundial de Clubes em Dubai, em dezembro. Naquele momento o time alvinegro preparava-se para jogar o primeiro duelo das quartas de final contra o Barcelona-EQU.

"É diferente arrogância de precaução. Tem muita coisa pela frente? Tem. Vai deixar para resolver em cima da hora? Não", disse o presidente ao GloboEsporte.com na ocasião, justificando o fato de estar se antecipando ao término da Libertadores.

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Mas o planejamento do cartola saiu pela culatra. O Santos parou justamente no Barcelona. Empatou por 1 a 1, em Guayaquil, e perdeu por 1 a 0, em Santos. A eliminação não passou em branco. A torcida lembrou a história das passagens e atacou Modesto Roma Júnior.

E você lembra de mais alguma?



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